[sc:review nota=2]

O título é símbolo do que me decepcionou em Koufuku Graffiti. Não é tão “erótico” quanto a sinopse prometia (mas é bem mais do que eu considero aceitável para meninas de 13 ou 14 anos), mas é moe da pior forma possível. Me arriscando a não ser original, diria que é “um K-On! culinário”, talvez. Da metade para o final do episódio eu até consegui gostar um pouco da história e do drama que as garotas estavam vivendo, mas esse tipo de série não me engana. O drama se foi, o moe vai continuar até o final para que seus espectadores possam se deliciar com menininhas que elas adorariam ter como suas “boas esposas”.

O que não quer dizer que não possa vir mais drama. É bem possível que inventem uma história triste ou de superação pessoal por episódio. Principalmente com a Mari Okada como roteirista, espero verdadeiros dramalhões em Koufuku Graffiti. Mas como um slice-of-life, essas histórias são apenas momentos passageiros. O problema desse anime está em sua estética. Garotinhas inocentes ligeiramente sexualizadas para consumo de marmanjos. Se alguém tinha qualquer dúvida, em dado momento Kirin, uma das protagonistas, diz que Ryou, a outra protagonista, come de forma “erótica”. E as duas são crianças pré-adolescentes! Já me disseram por aí que sou moralista, sei lá, talvez seja moralismo mesmo achar que vender crianças como objeto sexual é ruim. De todo modo, em uma semana de #JeSuisCharlie quero deixar uma coisa bem clara: eu não sou contra a produção desse tipo de material (ou qualquer outro que eu já tenha criticado). Apenas não gosto, apenas acho ruim. E às vezes fico sim me perguntando que tipo de pessoa se excita sexualmente com essas coisas (porque é para isso que elas são feitas) e não consigo evitar ficar triste e preocupado que existam pessoas assim. Se você gosta de ver a Ryou se contorcer de prazer erótico quando ela come algo que acha gostoso, com a câmera focando estrategicamente seus lábios, tudo bem ué, cada um com seu gosto. Esse não é o meu.

A história em si é até gostosa de acompanhar, e eu gostei da personalidade das garotas. Não fosse a estética moe, seria para mim um candidato forte a slice-of-life da temporada. Ryou mora sozinha porque seus pais trabalham no exterior e sua avó, com quem morava, morreu no ano passado. Uma tia a visita quando consegue tempo no trabalho. Como sua avó dizia barbaridades como o título desse artigo, ela leva culinária muito à sério. Mas não tem gostado de seus próprios pratos. Kirin é uma prima em segundo grau de Ryou que ela nem conhecia. Sua família é de algum lugar no interior do Japão e ela está decidida a fazer o colegial em Tóquio, e para isso se matricula em um cursinho na capital, com aulas apenas aos domingos. Sua mãe é rabugenta e só serve pratos cheios de verduras para ela comer, além de ser contra o plano dela de fazer cursinho em Tóquio. Akira, a tia de Ryou que toma conta dela à distância, arranja o encontro do destino entre as duas, e Kirin passará os finais de semana na casa de Ryou.

Uma fórmula interessante, mundana e ao mesmo tempo com algo de original. As duas garotas de alguma forma se sentem solitárias e se conhecerem foi a melhor coisa que poderia ter acontecido a elas. Embora tenham a mesma idade, Kirin é bem mais baixa e mais imatura que Ryou, que toma conta dela quase como uma mãe. Isso não soa forçado, já que é mais ou menos de se esperar que uma garota que vive há um ano praticamente sozinha seja mais responsável que outra que praticamente fugiu de casa para fazer o que queria. Mas Kirin é muito mais impulsiva e espontânea, e parece que Ryou estava precisando conhecer alguém assim. Ela elogia fartamente a comida de Ryou e percebe o quanto ela se sente solitária (talvez por ela própria se sentir assim), e acaba prometendo a ela que seria a partir de então sua nova família. Isso tudo em meio a cenas de Ryou cuidando de Kirin porque ela havia ficado resfriada.

A relação entre as duas garotas (e parece que uma terceira irá de alguma forma se unir a elas nos próximos episódios) é sim bonita de se assistir. Dá aquela sensação de alegria contemplativa. É mesmo uma pena que não seja um anime para o público em geral, mas especificamente para o público otaku consumidor de travesseiros de abraçar, apoios de mouse em formato de seios, e tantos outros produtos dessa indústria da falta de sexo. Vou continuar assistindo, e se você gosta ou consegue suportar as constrangedoras cenas eróticas, recomendo que assista também.

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