Depois de morte de Kana, como esperado, perguntam a ele sobre isso na escola. Ele evita responder, mas está preocupado. Está preocupado que talvez realmente seus sentimentos estejam mudando. Ele já achava antes estranho que ele não chorasse mais, mas agora diante de mais uma situação triste ele começa a se sentir realmente diferente. Lembra quando após o arco da morte e vingança da mãe dele eu disse que ele parecia não possuir mais empatia? A coisa é um pouco mais complicada do que isso.

Na verdade não é apenas empatia. Ele não consegue manter por muito tempo qualquer sentimento ruim. Por isso ele está agindo de forma bastante normal pouco tempo após a morte da Kana. Ele ficou realmente triste (e nervoso) quando ela morreu, mas isso durou pouco tempo. Agora ele não se sente mais triste e ele se preocupa por causa disso. De forma semelhante a quando ele se abalou quando viu os corpos de vários estudantes mortos na escola mas conseguiu se recompôr rapidamente. E a prova de que isso não se limita apenas a empatia veio nesse episódio, quando ele começou a se preocupar com a própria segurança após um ser humano normal descobrir seu segredo, mas sempre que a preocupação ataca ele consegue se recuperar rapidamente. A paranóia dele é muito mais racional do que emocional.

E sem dúvida o ponto alto do episódio foi ele ter sido descoberto. E por um detetive humano contratado pela Ryouko (agora sob o nome Tamura) para investigar Shinichi, embora o garoto não disponha dessa informação em particular, o que só piora sua situação. Ryouko não contou nada para o investigador, apenas espera que sua persistência (e o fato de não ser detectado por não ser um parasita, suponho) descubra pontos fracos ou formas de conter o garoto caso ele se torne uma ameaça. Ou algo mais misterioso, não entendo ela muito bem. Em certa altura da história, Shinichi voltou ao local onde Kana foi morta, procurando “sentir” um pouco mais da tristeza que ele acredita que precise sentir, e ali o investigador viu Migi, que tentou matá-lo mas foi contido por Shinichi. Migi estava decidido a matar o investigador (e aposto que ainda está), tendo até mesmo se separado do corpo de Shinichi para matá-lo quando o garoto se recusou a se mover para dar tempo ao homem fugir. Parece que quem quer que achasse que o Migi estaria criando “sentimentos” estava errado: ele continua pensando apenas em sua própria preservação. O fato de se tornar mais inteligente, articulado e compreender melhor sentimentos e comportamento humanos não significa que ele próprio tenha desenvolvido sentimentos.

E isso não vai acontecer. Sustento minha interpretação segundo a qual simbolicamente o Migi não tem existência própria, sendo apenas a visão do Shinichi do que seria um adulto. O Shinichi evoluiu um pouco sim, mas não o suficiente para mudar esse seu ponto de vista. Na verdade ele tem se desenvolvido mais no sentido de reforçar essa visão do que de refutá-la. Por isso Migi seria até mesmo capaz de matar Murano caso ela descobrisse a verdade sobre ele, e daí que o Shinichi é obrigado a ferir a garota mais uma vez no final do episódio. Ele a havia chamado, certamente planejando contar toda a verdade pois ele gosta dela e confia nela, e queria aproveitar enquanto Migi dormia. No entanto, Murano se antecipou a ele e disse um punhado de coisas dolorosas para Shinichi, embora compreensíveis do ponto de vista dela. Ela não acredita que Shinichi a estivesse traindo com Kana, ela acha que há algo mais que o preocupa e que ele confiou isso a Kana mas não confia nela. E dessa vez ela está quase certa. Shinichi pretendia confidenciar a ela, mas Migi acordou e ele não pôde fazer isso, sob risco de matar Murano com sua própria mão direita parasita. Como ele próprio havia chamado-a, como ele já havia dito que havia algo que ele pretendia contar, como a Murano estava uma pilha de nervos por ter falado tudo o que ela vinha guardando no peito, a garota não pôde evitar mas ficar extremamente magoada. E Shinichi, consequentemente, mais isolado.

E os parasitas parecem mesmo ter se organizado a partir de sua posição privilegiada na prefeitura. Estabeleceram, como Migi previu, locais seguros para se alimentarem. Aquele que matou Kana, contudo, estava fora dessas zonas seguras. Me pergunto que tipos de lugares são esses. Talvez locais com população de rua e imigrantes ilegais? É um tema recorrente em ficção japonesa quando se quer desaparecer com pessoas “que ninguém vai perceber nem sentir falta”. Provavelmente lugares inacessíveis por seres humanos normalmente, qualquer que seja o caso. Não me parece, contudo, que eles tenham planos maiores do que apenas sobreviver por enquanto. Mas falaram sombriamente em um tal “predador” que estaria por vir. Ou isso foi só esquisitice das legendas que li mesmo. A Ryouko, contra minha torcida, não parece ter desenvolvido nenhum tipo de sentimento pelo seu filho, que já nasceu. Ela parece estar educando-o de forma quase mecânica, o que assusta a babá que ela contratou para cuidar do bebê durante o dia. Ela própria parece mais mecânica do que nunca. Sobre o Shinichi, o que ele pode fazer agora? Ele sabe que contar a verdade para qualquer pessoa é praticamente assinar o atestado de óbito dela se depender do Migi. Murano está mais distante dele do que nunca, seus colegas de escola não o estão tratando de nenhuma forma desagradável, mas entre alguns é inevitável a sensação de que ele superou a morte da Kana muito rápido. E para fechar com chave de ouro, há alguém lá fora que sabe o segredo dele e ele não tem a menor ideia de quem seja ou para quem trabalhe.

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