[sc:review nota=4]

 

 

Engraçado, quando tiramos as criaturas fantásticas do plano principal de Durarara, a história adquire tons de seriedade que não tinha com elas. Mesmo que as três histórias apresentadas até agora nesta temporada estejam ocorrendo de forma paralela, elas se tornam mais e mais sérias e complexas a cada episódio. Este terceiro teve foco no Akabayashi, membro do clã Awakusu e, convenhamos, um personagem que não é dos mais destacados, mas acabou sendo mais uma série de revelações sobre o seu envolvimento real com a Saika. De boa, minha memória é meio péssima e eu não posso dizer com certeza até que ponto as informações dadas são recentes ou mesmo surpreendentes, mas de uma coisa eu sei: em Durarara não existem pontas soltas, apenas um roteiro intricado que apenas se aproveita de cada oportunidade possível para se fechar e se expandir ao mesmo tempo, assim, sem nenhum pudor.

A história toda dá voltas e mais voltas mostrando vários momentos da vida de Akabayashi, desde bem antes de ingressar no clã, quando ele era apenas um cobrador/guarda costas como Shizuo. A diferença é que ele sentia um certo prazer em seu trabalho, quando este envolvia limpar zonas do território de seu líder de traficantes indesejados. Akabayashi odeia drogas, odeia a existência de drogas neste mundo, e faria qualquer coisa para eliminá-las. Daí a sua ausência de remorso em enfrentar molecotes recém-ingressados neste mundo. Mas também revela como sua vida mudou seis anos atrás, ao se deparar acidentalmente com a portadora da Saika, na época a mãe da Anri. E foi daqui que minha curiosidade começou, já que, mesmo que eu visse ele e a garota conversando ocasionalmente, nunca tinha ligado os dois pontos (na real, não lembro de já terem revelado se eles tinham alguma ligação, preciso rever Durarara! do começo). Pelo visto foi ele quem ajudou Anri a se reerguer depois da morte de seus pais, mas não dá pra saber se a sua motivação fora culpa ou amor. Ou ambos. Colocando de forma fácil de compreender, ele fora mandado para atacar o pai dela certa noite, como consequência de uma dívida, mas por acaso ou destino ele cruzou com Sayaka no caminho. Aliás, aquele seu ferimento no rosto e a perda do olho direito foram resultado de um ataque da saika, mas ele conseguiu se livrar da maldição. No entanto, se apaixonou automaticamente pela mulher à sua frente, e seu juramento de não tocar na família dela o forçou a deixar sua vítima em paz. Mas oh, é aí que as coisas ficaram nada divertidas, pros Sonoraha e para ele.

 

Um encontro predestinado, ou só uma imensa coincidência?

Um encontro predestinado, ou só uma imensa coincidência?

 

Como já sabemos, tempos depois Anri foi atacada por seu próprio pai, então sua mãe o matou e se matou logo em seguida, deixando o legado da espada amaldiçoada com a filha. A novidade neste caso é que o que todos supúnhamos tratar-se de violência doméstica na verdade era culpa do antigo empregador de Akabayashi. Ele viciou o pai em rogas, a ponto de enlouquecê-lo de forma irreversível. Resumindo de forma simples: o seu patrão era o culpado pela morte da mulher que ele amava. Ah, e ele ainda desejava a filha, na época uma criança, para si quando crescesse. Olha, aplaudo nosso protagonista da vez por ter mantido a calma no meio de tanta asneira sendo dita, nesse ponto ele é um cobrador completamente oposto de Shizuo que já teria partido pra quebrar as fuças do sujeito. Mas oh não, ele teria sua vingança, e ela veio bem mais cedo do que o esperado. Na mesma noite, um jovem surgiu, decidido a matar o chefe por ter traficado drogas à sua irmã. E ele deixou. E ainda deixou o garoto se safar, limpando as provas. O que a culpa e a raiva não fazem com uma pessoa… Porém, obviamente o grupo não acreditaria que ele é inocente e continua buscando vingança até hoje – sem nenhuma chance de sucesso. Akabayashi é forte, inteligente, tem aliados. E duas garotinhas para proteger e guiar até que sejam adultas o bastante pra decidirem seus próprios caminhos, sejam estes a luz ou a noite. Só tomara que elas não acabem se enroscando em ironias como a dele: além de trabalhar para um vendedor daquilo que ele mais odeia, ainda deve pensar até hoje que, se ele não houvesse mudado de ideia quanto a matar aquele homem naquela noite, quem sabe Sayaka ainda estivesse viva. Sua promessa em não feri-los foi parte do motivo para eles terem sido mortos. Oh, ironia cruel.

 

Ao menos uma se salvou... Na medida do possível.

Ao menos uma se salvou… Na medida do possível.

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