Concrete Revolutio: The Last Song – ep 8 – Justiça, Liberdade e Paz

Liberdade, Igualdade e Fraternidade é um lema tríptico comumente associado à Revolução Francesa, embora a anteceda e sua adoção durante as várias fases dela não tenha sido universal – vários outros lemas circularam, bem como diferentes interpretações de seus significados. O conceito de liberdade varia pouco e é normalmente tratado como um direito natural, mas igualdade teve duas interpretações antagônicas principais: a igualdade perante à lei (todos têm os mesmos direitos e deveres) e a igualdade de resultado (todos os homens serem de fato iguais). Fraternidade é mais complicado ainda e nem vou entrar nessa questão para não alongar desnecessariamente esse artigo.
Concrete Revolutio, como a Revolução Francesa, também tem sua tríade, conforme foi recitada pela primeira vez por Claude no arco final da primeira temporada: Justiça, Liberdade e Paz. Liberdade é liberdade, sem segredos, justiça inclui sem grandes problemas o conceito de igualdade perante à lei, e paz, no anime, significa segurança, a garantia de que não será ferido, molestado ou de qualquer forma terá sua integridade física ou mental ameaçada. Mas Claude não elaborou esse conceito como um lema, um objetivo: ele afirmava que era impossível ter os três ao mesmo tempo. Escolher um significa implicitamente confrontar os outros dois. E foi com essa convicção que ele conseguiu fazer o que fez. Várias interpretações do lema francês também afirmam ser impossível a coexistência de seus três elementos. Jirou certamente discordaria, assim como ele discordou de Claude. O diabo é que até agora ele não encontrou a resposta para esse problema – se é que ela existe.
Ele se vê diante de um dilema nesse episódio: permitir que o detetive Raito e a Aki destruam três robôs gigantes criados para enfrentar super-humanos, e talvez até ajudá-los nisso, lutando assim pela liberdade dos super-humanos mas indo contra a justiça, ou impedi-los, mantendo assim a justiça. O fiel da balança é a paz, e é difícil dizer qual escolha a protegeria melhor: a primeira vista parece fácil dizer que destruir robôs criados para enfrentar super-humanos vai garantir sua segurança, mas por outro lado, conforme o Jirou soube apontar bem, uma ação destrutiva dessas pesaria contra os super-humanos na opinião pública, ameaçando assim a própria segurança que se tentava proteger.
Com sua indecisão, contudo, ele não conseguiu proteger nada. A história está chegando a um ponto crítico e Jirou, determinado a ser um herói, não quer ser um revolucionário porque isso implicaria quebrar a lei – a justiça. Ele diz para os outros e para si mesmo que assim é melhor para os super-humanos, pois atitudes subversivas queimariam a imagem já bastante chamuscada dos super-humanos em geral, colocando-os em risco ainda maior. Sua falta de determinação pode ser percebida também por seu relacionamento ambíguo com o grupo de super-humanos que estão mais ou menos lutando ao seu lado, todos iguais na clandestinidade, e com o Escritório de Super-Humanos que ele abandonou. Em dado ponto desse episódio o Jaguar exasperado disse para o Jirou que está mais irritado com ele por ter sido incapaz de escolher um lado do que por tudo o que aconteceu. Enxergo nessa atitude do Jaguar um sinal de que ele está (e provavelmente a Kikko, a Emi e o Fuurouta também) apenas esperando que Jirou faça alguma coisa concreta para que ele possa (ou todos eles possam) decidir de uma vez por todas se o segue ou o combate.
Terá Jirou coragem para iniciar uma revolução concreta? Conseguirá ele se livrar de seu passado romântico, quando acreditava poder ser apenas um herói da justiça, amado por todos, humanos e super-humanos? Irá ele aceitar que foi concebido como uma arma, e como tal deve lutar? Acredito que assim como no final da primeira temporada todos acabaram se unindo e emprestando seu poder ao Jirou, de novo Emi, Jaguar, Fuurouta, Kikko, Raito, Megasshin, Judas, Earth-chan, Akira (o Planetário S), e provavelmente vários outros estão apenas esperando o surgimento de um líder para seguir e uma causa pela qual lutar, e apenas o Jirou, por suas circunstâncias particulares, pode dar isso a eles agora. Claude está morto afinal, e o Yumihiko está próximo demais do governo para ocupar essa posição, por forte que seja sua determinação.