Bom dia!

O Café com Anime é um bate-papo descontraído sobre animes da temporada entre mim e meus colegas Gato de Ulthar, do Dissidência PopDiego, do É Só Um Desenho, e Vinícius, do Finisgeekis.

Continue lendo para ver como foi a conversa da semana sobre o Animegataris, episódio 4!

Fábio "Mexicano":
O episódio 4 teve uma estrutura semelhante ao 3, ou é impressão minha? A primeira parte é expositiva, explicando algo sobre a indústria, daí começa a história de verdade. Clube de Animes tem um problema, todos ficam preocupados, meio pessimistas, mas logo começam a se esforçar, e no final travam um embate contra o Conselho Estudantil em frente a todos os demais alunos, e acabam aclamados como vencedores, por absurda que tenha sido a solução.
Captei menos referências nesse episódio, estou triste comigo mesmo. A Minoa continua uma graça se maravilhando e estando sempre ansiosa por mais em seu caminho para se tornar uma otaku (melhor momento simples foi quando os outros dizem que talvez ela esteja assistindo anime demais). Gostei de saber mais sobre a Erika, mas isso é um pouco estranho, não é? Ela praticamente passou a ocupar a posição de protagonista, e com a relação pessoal que ela tem com a presidente do Conselho Estudantil e o fato de que esse arco ainda vai durar mais um pouco (isso se não for o anime inteiro) esse súbito protagonismo não parece que vai diminuir muito.
Diego:
A estrutura foi mesmo idêntica, e espero que não fique só nisso. Sobretudo a segunda parte. Esses meta-comentários sobre a indústria são divertidos e mesmo um pouquinho educativos, mas o embate com o conselho estudantil já está ficando repetitivo – sobretudo por não termos um bom motivo para a presidenta odiar tanto o clube. Tudo bem que isso deve ser melhor explorado, mas espero que seja logo, pois até aqui a presidenta está sendo uma personagem bem problemática.
Vinícius Marino:
Tenho a impressão de que o anime fará “estudos de personagem”, encontrando situações em que cada um ganha espaço para brilhar. E, no caminho, mostrar uma nova faceta da cultura otaku.
Agora, sobre o episódio: gosto muito da mensagem do anime. Mesmo. É algo que vivi na pele quando Pokémon saiu para os Game Boys. O jogo se tornou uma linguagem comum em que todos os alunos, da menina do pré ao bully da quinta série, eram iguais para se divertir. Sinto que o anime, para a Erika e para a menina do conselho, teve uma importância similar. O problema é que senti que essa mensagem foi ao mesmo tempo sub e superexplorada. A diatribe da Erika ao final do episódio me pareceu meio redundante em comparação ao discurso do Kaikai no episódio anterior. Ao mesmo tempo, é o tipo de assunto que merecia MAIS exposição, de outras maneiras. O sentimento de “pertencimento” é vital ao ser humano em geral e aos adolescentes em particular. Não é à toa que há um anime inteiro nessa temporada, Mahou Tsukai no Yome, dedicado à jornada de uma garota para obtê-lo.
Gato de Ulthar:
Eu também achei esse episódio parecidíssimo com o anterior, uma primeira parte expositiva, muito interessante por sinal, e outra metade focada na briga com o Conselho Estudantil. Espero sinceramente que essas brigas com o Conselho não durem por mais tempo, já está ficando sumamente repetitivo. Pelo menos mais um episódio abordará esta questão. Pelo visto não é uma indisposição da presidente, já que ela reportou a alguém misterioso que não conseguiu fechar o clube.
Fábio "Mexicano":
Eu não descartaria a hipótese de que esse conflito vá permear todo o anime. Cada vez um problema diferente, cada vez descobrimos algo novo sobre a perseguição da qual o Clube de Anime é vítima, etc. Não é necessariamente ruim, mas pode ficar meio repetitivo. Não acredito que vá ser isso, de verdade, mas não descarto. Outra possibilidade é que ao fim desse arco o Conselho Estudantil deixe de ser o inimigo, mas outro surja, mantendo de algum modo essa dinâmica e dando oportunidade para outros personagens terem seu tempo de tela e algum desenvolvimento.
De qualquer jeito, já sabemos o que o anime tem de bom, se estivermos preparados para a pior hipótese poderemos nos divertir apesar de tudo, estou errado? ☺️
Vinícius Marino:
Se Animegataris tiver coisas interessantes o suficiente para passar, acho que mesmo uma fórmula repetitiva não será o beijo da morte. O episódio 3 foi um exemplo louvável nesse sentido. Há muitas outras tropes da mídia que poderiam receber o mesmo tratamento. Dito isso, o conflito com o Conselho Estudantil já era fraco de início de conversa, e convence menos a cada episódio que passa. Eu honestamente preferiria se o anime arranjasse um outro mote, nem que seja a comédia situacional.
Diego:
Gostaria que o anime desenvolvesse um pouco mais o lado mágico/fantástico. Eu quero saber o que diabos tem com aquela boina e porque o gato falante tava interessado nela!!
Fábio "Mexicano":
Aposto que no final tudo se junta, e o Clube de Anime para de ser perseguido porque o sujeito que ficou com a boina mágica fará sucesso na indústria ou algo assim. Ou alternativamente manter a boina escondida é o motivo para quem quer que seja se esforçar para sabotar o clube.
Gato de Ulthar:
Só eu acho aquele professor muito esquisito? Eu penso que ele é um otaku hardcore. Pode ser que ele tenha ido atrás da boina.
Fábio "Mexicano":
Olha, capaz. Um gordo sem vida social desmotivado com tudo é um arquétipo padrão de otaku secreto
Vinícius Marino:
Um otaku hardcore mestre da lábia, pois tem conseguido esconder seu fascínio de todo mundo. Um otaku “típico” teria se rendido à primeira visão da Mimoa e Arisu vestidas de coelhinha. Isto sem falar na coleção de figures perdida naquela sala.
Fábio "Mexicano":
Que nada, é só ser experiente. Se ele já tiver tudo aquilo em casa, não tem porque se impressionar. A única coisa que confesso parece mais difícil de ignorar é suas alunas fazendo cosplay, mas considerando a relação professor/aluno e o quanto ele quer se esconder, parece possível. Mas aqui já estamos fazendo especulação em cima de especulação 😃
Diego:
Eu já acharia ainda mais interessante ele não ter nada de otaku mesmo sendo o perfeito estereótipo fenotípico da coisa. Ah, e quase certeza que quem pegou a boina no episódio 1 não se parece em nada com esse professor rs.
Fábio "Mexicano":
Isso seria realmente interessante se todo mundo começasse a achar que ele é otaku. Talvez um arco futuro faça isso? Um arco específico explorando arquétipos de otakus?
Vinícius Marino:
Olha, eu tenho um quarto cheio de figures, e quando vejo qualquer boneco, mesmo que eu já o tenha, já começo a babar. Nós colecionadores somos iguais a cachorros diante de um frango no rolete. Mas devo dizer que sua ideia me agrada. Se Animegataris explorasse arquétipos, o resultado seria bem interessante. Também seria um possível remédio à falta de conflito que parece afligir a série até agora. E mais uma oportunidade para vender sua imagem “positiva” e “edificante” do mundo dos animes.
Gato de Ulthar:
Animegataris corre o risco de cair na mesmice caso só fique repetindo as mesmas fórmulas que vem usando. O anime é legal mas não está me conquistando. Acho que eu estou mal acostumado, já que estou vendo outro anime desta temporada que explora o mundo otaku de uma forma muito mais eficiente, que é Himouto! Umaru-chan.
Fábio "Mexicano":
Para uma comédia escolar / slice of life, “mesmice” não parece um destino impossível ou sequer condenável. Desde que seja divertido, não vejo problemas, acho.
Mas bom, vamos encaminhar o final: vocês já responderam várias vezes que querem fazer parte desse clube, não vou mais perturbá-los com isso. Só que vocês entraram no clube, legal, e agora passam mais tempo tendo que se esforçar para ele continuar aberto do que realmente se divertindo com animes como bons otakus que vocês são. Como reagiriam?
Vinícius Marino:
Não seria isso uma metáfora para o que muitos fãs acabam fazendo? Em toda comunidade há aqueles que passam mais tempo discutindo, defendendo e iniciando brigas sobre seu hobby que o apreciando de fato. É um comportamento viciante – mais até, em alguns sentidos, que os próprios hobbies.
Hoje, aos 26 anos, eu não compraria a responsabilidade. Se um projeto começa a se mostrar insustentável, eu o abandono em favor de outro. Mas na época da escola, tal qual os protagonistas? Devo confessar que eu insistiria até o fim. Se nada mais, para atazanar as chatas do Conselho Estudantil. Sim, eu era esse tipo de pessoa.
Diego:
Acho que mesmo ainda hoje a minha ação depende um pouco daqueles ao meu redor. Se eu percebo que os demais não têm qualquer interesse ou vontade de agir, também não vou ser eu a levantar a voz. Mas enquanto houver gente interessada, eu tendo a persistir. Não vou lembrar se eu era assim no meu ensino médio, mas assumindo que sim, acho que eu seguiria mantendo confronto ou até vencer ou até todos os demais desistirem rs
Gato de Ulthar:
Com essas perguntas do Fábio parece que estamos jogando um RPG de slice-of-life! Mas bem, comungo com a opinião de nossos amigos, creio que eu não me comprometeria com um projeto tão importante sem que todos so meu redor estivessem totalmente comprometidos.
Fábio "Mexicano":
No momento, nosso clube está na seguinte situação: Gato e Diego estão olhando para os lados para ver se alguém faz alguma coisa, e veem o Vinícius pensando em como vai salvar o clube mais uma vez, de preferência da forma que mais perturbe o Conselho Estudantil. E eu estou vendo tudo isso e começo pirar nas ideias loucas do Vinícius e começo a pensar em coisas ainda piores, enquanto olho para o Gato e para o Diego e começo a dizer o que vamos precisar fazer. Praticamente esquecemos de animes – embora talvez estejamos conversando 100% com falas de animes – mas estamos nos divertindo pra caramba ainda que a situação pareça horrível
Fábio "Mexicano":
Vamos ver em que pé estaremos semana que vem 😃
  1. Caramba, ótimo café com anime!
    Tomara que o anime não fique nessa mesmice, e que o problema com o conselho estudantil seja solucionado logo. Quero muito que eles explore de fato o “hobby anime”, tendo mais diálogo a respeito deste universo. Sobre a pergunta do Fábio, eu teria o pensamento igual do Gato e Diego.
    Até mais, e muito ansioso pelo próximo Café com Anime!

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