Assim como o último episódio de Shokugeki no Souma já havia mencionado, agora que Azami é o novo diretor da Tootsuki as coisas serão bem diferentes. Nesta semana, o episódio serviu justamente para mostrar as consequências das novas regras da Academia, além de colocar lenha na fogueira para um interessante confronto. Aliás, ele se tornou ainda melhor pelas suas condições. Vamos chegar nessa parte.

Acho que é a primeira vez que vemos a Tootsuki realmente como uma escola

Antes de tudo, não é preciso dizer que as coisas na Tootsuki pioraram, né? É quase unânime o fato de que os alunos estão insatisfeitos com a nova direção, com exceção daqueles que ajudaram no Golpe de Estado. Isso já era esperado, se tratando da pessoa que Azami demonstrou ser, mas o que piorou são as novas regras estabelecidas por ele. Por conta do seu projeto utópico de escola perfeita, ele decidiu extinguir todos os clubes, sociedades e coisas do tipo, incluindo a Sociedade do Udon, com Ikumi e Kanichi, e o grupo de pesquisa de Jun e Akira. O grande problema disso está ligado à restrição da criatividade dos alunos, além de impedir que desenvolvam suas especialidades.

No lugar desses grupos organizados pelos alunos, Azami também decidiu criar uma organização chamada “Central” formada pela alta cúpula da Academia e que ditará as novas regras. Ou seja, alunos como Souma, que sempre inventam coisas, misturam receitas e criam uma culinária única não poderão mais fazer esse tipo de coisa. Tudo deve ser feito exatamente como a “Central” quer: seguir as receitas que eles passarem e preparados da maneira que eles ensinarem.

É aí que surgiu uma das discussões deste episódio. Por um lado, os alunos poderão finalmente chegar no nível da Elite dos Dez, já que estarão fazendo exatamente o que eles também fazem. Isso vai contra ao antigo sistema competitivo da Tootsuki, onde todos almejam o topo e fazem de tudo para conseguir chegar lá. O que, cá entre nós, não é tão saudável assim.

Eu até concordo com Azami quando ele diz que o sistema antigo era injusto, mas por outro lado, o erro dessas novas regras é querer criar uma ditadura da culinária. Fazendo um paralelo com o sistema de ensino atual brasileiro, as matérias que aprendemos na escola e a forma como nossa inteligência é avaliada não fazem muito sentido. A criatividade do aluno não é explorada, assim como os diversos tipos de inteligência do ser humano. É claro que existem outros problemas além desses, mas vamos concentrar apenas nesse ponto.

Copiar uma receita é algo relativamente fácil, mas o que destaca um chefe de cozinha é a sua identidade. Em três temporadas, o anime conseguiu mostrar diversas vezes como os pratos originais marcam um shokugeki. Seja pelo sabor, visual, aroma, sempre existe algo determinante que está diretamente ligado a originalidade. Com as novas regras da Tootsuki, isso irá acabar e tudo que restará são máquinas treinadas para reproduzir pratos gourmet.

Os problemas, é claro, não terminam por aí. Além dos grupos, sociedades e etc, Azami também quer fechar o Dormitório Kyokusei, para onde Erina acabou de se mudar. Eizan, a nona cadeira da Elite dos Dez, foi o responsável por dar a notícia, e a popularidade do personagem caiu mais ainda (se é que existia alguém que gostava dele).

Sempre achei ele o mais deslocado de todos, pois (até onde eu lembro) nunca vimos um prato feito pelo personagem. Nesta temporada ficou ainda mais claro que Eizan é a pessoa que cuida dos negócios e age nos bastidores, o que não justifica porque ele é um membro da Elite dos Dez. Depois do que aconteceu neste episódio, não me surpreenderia se ele tivesse entrado de forma injusta.

Mesmo que Eizan tenha matado os shokugekis comprando os juízes, Souma mostrou que não é o protagonista em vão e desafiou a nona cadeira, contrariando todos. Se o episódio tivesse acabado aqui eu já estaria muito feliz, mas as coisas ficaram ainda mais interessantes. Enquanto está acontecendo o Shokugeki, os inquilinos do Dormitório Kyokusei estão sendo despejados. Com isso, o desafio não será apenas enfrentar Eizan, como também correr contra o tempo.

Também rolou Shokugeki contra o Wolverine

Podemos ter uma boa noção de como este personagem joga sujo, e o que mais me surpreendeu foi o fato de que todos sabem que os juízes são comprados, mas ninguém faz nada contra isso. Uma coisa é uma pessoa vencer injustamente, outra coisa é todo mundo saber que é injusta a vitória. Mesmo assim, com Azami controlando tudo, não existe muito o que as pessoas podem fazer.

Ainda há esperança

Eu arriscaria dizer que para vencer esse Shokugeki, Souma vai dar algum jeito de fazer um prato tão incrível que os juízes não resistirão e terão que experimentar. O mais legal de tudo isso é que mesmo com essa possível vitória, nada garante que as coisas voltem como eram antes. Os alunos podem até ficar no dormitório, mas Azami ainda será o diretor. É por isso que acredito que Erina em algum momento deve agir e enfrentar o pai, talvez em um shokugeki.

Outra possibilidade, que também acredito ser a melhor forma de vencer Azami, é mudando sua ideologia através do estômago: quando ele experimentar algo diferente e constatar que aquilo também pode ser considerado culinária. Neste caso, apostaria em algo ao estilo Souma. Também ficaria feliz se os ex-alunos voltassem para a Tootsuki e enfrentassem ele (talvez Pai do Souma vs Pai da Erina), mas isso pode ser um pouco mais difícil.

Eu não tinha percebido essa imagem no encerramento, mas Azami virou o verdadeiro demônio

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