Bom dia!

Esse episódio teve dois momentos interessantes. O primeiro o fez parecer um anime de terror de verdade, e o segundo foi a ordem do Rei, que pela primeira vez no anime pode dar pano pra manga. Mas foram apenas isso, momentos. O próximo episódio pode até ser interessante, mas esse ainda não conseguiu empolgar.

O episódio começa onde o anterior acabou, com o Nobuaki lamentando a morte da Mizuki e do Kenta na Vila Yonagi, e conversando ao telefone com a Natsuko que estava terminando de “cumprir sua ordem” com o Teruaki. Se o Nobuaki é um péssimo herói, a Natsuko é uma péssima vilã. E não estou falando (apenas) de como são construídos narrativamente, de serem personagens interessantes ou não, mas sim da competência deles mesmo – ou da total falta dela.

*BAM* *BAM* *BAM*

Depois de conversar ao telefone com a Natsuko, outra garota da classe liga para ele: Riona. O divertido aqui é que ele estava com o telefone do Kenta, então tecnicamente as duas ligaram para o Kenta e não se espantaram nem um pouco quando o Nobuaki atendeu. Vá lá, até aí faz sentido. A baboseira delas “adivinhando” tudo o que havia acontecido é que pareceu forçado. Mas já vi pior em Ousama Game, não seria isso a me tirar do sério.

“Te-ru-a-ki-?”

Enfim, a Riona ligou para o Natsuki, e… e para quê, no final das contas? Ela disse que queria trocar informações com ele, mas depois de tudo o que ela contou ele não precisa mais revelar para ela o dado mais relevante de todos: as tais letras que ele coletou no jogo anterior. Não deixa de ser bizarro que ela tenha encontrado parte das letras do jogo anterior online, mas isso ainda não é suficiente para me perturbar. Como bom herói de araque que o Nobuaki é, ele não contou mais nada para a Riona e por enquanto a coisa ficou por isso mesmo. Ela pode morrer na próxima ordem que eles estão obedecendo, mas quem é o Nobuaki para se preocupar com isso, além de protagonista e herói da história, né?

“Ops!”

A interação entre os dois teve uma pitada de humor involuntário: por alguma razão, o Nobuaki insistia em chamar a Riona pelo nome sem nenhum honorífico (no caso, ela pediu que ele usasse -san, o que é bastante razoável). Para quem conhece o básico do básico da etiqueta japonesa, e acho que praticamente todo fã de anime sabe pelo menos disso, no Japão é extremamente desrespeitoso chamar alguém pelo nome sem um honorífico, a não ser que você seja muito íntimo da pessoa. Soa a intimidade forçada. E repetidas vezes o Nobuaki simplesmente não conseguia chamar a Riona com um honorífico – antes tivesse trocado por um honorífico mais informal (-chan, por exemplo), mas nem isso, ele se endereçou a ela diretamente sem honorífico nenhum. É verdade que ela soou prepotente e por isso a insistência dela pelo honorífico parece para nós ocidentais apenas nariz empinado, mas ela não está errada nesse particular, honoríficos são coisa séria no Japão. Por alguma razão o Nobuaki esqueceu de ser japonês.

Mas vamos ao que o episódio teve de bom. A cena do Teruaki no banheiro tentando pedir ajuda foi patética para o garoto (que havia acabado de transar com a Natsuko em circunstâncias ainda não bem esclarecidas; eu apostaria que ela o estuprou), mas totalmente compensou ver a garota batendo na porta e ele assustado como se o Jason (Sexta-feira 13) ou o Jack (O Iluminado) estivesse do outro lado da porta. Ou os dois, sei lá, ele estava bastante assustado. E ela começa a falar com ele. Ok, acho que ela estava mais para Jack Torrance mesmo, o Jason não é um homem de muitas palavras. Os olhos vermelhos dela por cima do box foram sensacionais. Foi uma cena curta mas muito divertida e executada de forma competente.

Você nunca mais vai ter a oportunidade de ver um homem cortar o cabelo de outro em um cenário bucólico em um anime. Aproveite.

Por fim, a parte “cerebral” do episódio: o jogo do quebra-dedos. O jogo é simples: quebre ou arranque seus dedos, conquistando os pontos correspondentes, e os atribua a qualquer pessoa que escolher (inclusive a si mesmo). Pela ordem de chamada, cada um tem o direito de fazer isso uma vez só (ou não fazer, passando a vez). Dedos da mão direita valem pontos positivos e da mão esquerda valem pontos negativos; o polegar vale um ponto e os demais dedos seguem uma ordem crescente de valor culminando no mínimo, que vale cinco. O Rei deu um boi aqui, não foi? Os dedos menos úteis – ou seja, os mais “quebráveis” – são os que valem mais. Todos que terminarem o jogo negativos perdem. Só não ficou claro se os pontos de um único dedo devem ser atribuídos a uma única pessoa ou se podem ser divididos – por exemplo, o anelar vale quatro (positivo ou negativo, dependendo da mão), ao quebrá-lo esses quatro devem ser atribuídos a uma só pessoa ou podem ser divididos em até quatro pessoas (um ponto para cada)? Acho que descobriremos no próximo episódio.

Parece muito fácil. É só ninguém quebrar dedo nenhum, todo mundo passar, que ninguém terminará negativo e ninguém irá perder – e morrer. Poderia ser fácil. O problema é que a ordem é fixa e cada um tem apenas uma chance: se o último te der um único ponto negativo depois de todo mundo ter passado, você morre. Confia tanto assim nos demais para passar? Quando há uma Natsuko em jogo, ninguém confia. Esse é o problema dela como vilã: querer vencer mesmo que os outros morram, trabalhar ativamente para matar outros jogadores, nada disso é um problema. Ela é uma vilã afinal, eu espero isso dela. Mas quando ela conta pra todo mundo que ela é uma vilã, que ela quer matar os outros e vai matar todo mundo que precisar matar (e talvez mais alguns só porque a incomodam), ela está cavando sua própria cova.

Natsuko louca antes do jogo começar

Dito e feito, o Teruaki quebra sua mão esquerda inteira (15 pontos negativos) e joga todos os pontos no colo da Natsuko – ou quase, o episódio na verdade termina um instante antes (quer apostar que o Nobuaki vai pular em cima dele para salvar a mão do futuro cabeleireiro? E que o Teruaki vai acabar morrendo ainda nesse jogo, mas a Natsuko vai viver?). Se ela tomar 15 pontos negativos nas costas, está ferrada. Precisará quebrar sua mão direita inteira só para se salvar, e isso supondo que mais ninguém quebre um mindinho pra ferrar ela de vez.

Natsuko aborrecida por todo mundo estar passando no jogo

Claro que, como vilã, ela ainda vai jogar e teria daí uma chance de chantagear o resto da sala: quebrar a mão esquerda inteira e atribuir os pontos a quem já passou, e portanto não pode se defender – a não ser que os que vierem depois dela a salvem! A pressão dos pares funcionaria lindamente aqui. Como garantir? Ela já descobriu isso: é só pegar o celular de todo mundo. À rigor, ela nem precisa quebrar dedo nenhum, basta trocar a ameaça pelos aparelhos. Podem não morrer no jogo, mas sem os celulares acabarão morrendo de qualquer jeito. Isso tudo, claro, supondo que o Teruaki realmente quebre todos os seus dedos da mão esquerda e atribua todos os pontos à Natsuko.

Natsuko espantada porque alguém finalmente não passou… SE DECIDE, NATSUKO!

Mas o jogo em si é interessante, e com metade da turma com suas mãos ainda intactas, acho fácil que o próximo episódio seja pelo menos divertido. Ao mesmo tempo, também acho que Ousama Game conseguiria fácil torná-lo bastante chato. O anime já provou repetidas vezes que em matéria de ser incompetente já tem pós-doutorado.

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