Bom dia!

Nessa semana em Violet Evergarden descobrimos que aparentemente ser uma doll é uma profissão muito boa para agarrar um marido. Faz sentido. Ainda hoje no Japão faculdade e mesmo emprego são, para muitas mulheres, por opção própria ou pressão familiar ou social, apenas trampolins para um casamento. Em uma sociedade com papeis de gênero bem definidos, como era na Europa durante a Era Vitoriana que o anime simula, as mulheres, ainda meninas, aprendiam uma série de coisas, como ler, escrever, línguas, música, apenas para impressionar futuros candidatos a noivos.

Não é bonito mas é assim que as coisas eram (ou, ainda que talvez de forma atenuada, continuam sendo em muitos lugares). E a sociedade de Violet Evergarden pelo menos até agora parece ser um pouco menos rígida. De todo modo, o ponto é que ser uma ghostwriter permite às garotas e mulheres conhecerem muitas pessoas socialmente bem posicionadas (a Violet foi contratada por uma princesa no episódio anterior) e, em alguns casos, conhecer detalhes da intimidade de seus clientes. São encontros importantes, ainda que completamente por acaso.

Leon no começo do episódio e antes de conhecer Violet: amargurado

No observatório e escola de astronomia para onde Violet foi dessa vez, certamente a quase totalidade dos alunos (todos homens) são filhos da elite. Mais ainda, são jovens e solteiros. Para uma garota procurando arranjar um bom casamento aquele é o lugar ideal. Por tudo o que vi do anime até agora não é o caso de nenhuma das demais dolls que já conhecemos no anime. Não é o caso de Cattleya, Iris, Erica, e não é o caso de Luculia também. Obviamente não é o caso de Violet. E também Leon, que trabalhou com Violet nesse episódio, não é um rico mimado como a maioria (a totalidade?) dos demais ali presentes. Os dois são únicos, como todos os personagens nomeados que conhecemos no anime até agora. Os figurantes exercem o papel de massa e nos ajudam a perceber como estamos assistindo personagens especialmente raros.

Leon e Violet trabalhando juntos

O clímax do episódio foi a passagem do cometa Alley (e a aurora que o acompanhou, tornando o evento duplamente raro). O nosso cometa Halley, no qual o de Violet certamente se inspira, passa por nós a cada 75 anos. É possível para uma pessoa vê-lo duas vezes em uma vida longa e nascida na hora certa. Se eu não fosse jovem demais em 1986, quando ele passou pela Terra pela última vez, talvez eu tivesse essa chance, por exemplo. Já o Alley só passa a cada 200 anos, é garantido que nenhuma pessoa irá vê-lo mais de uma vez – e a maioria não o verá nunca. Violet tem essa oportunidade e Leon reforça para ela o quanto isso é único, raro, e por isso mesmo, especial.

Mas não era o cometa Alley que Leon queria ver, era? Quero dizer, tenho certeza que ele também queria ver o cometa. É uma oportunidade única, afinal de contas. Mas o que ele mais queria naquela noite especial era ver e estar em companhia de uma pessoa especial: Violet. Ele a conheceu há poucos dias, mas a impressão que a nossa doll deixou no órfão cabeça-dura que até então odiava dolls foi mais arrebatadora que mil auroras. Ele tenta, mas até o final do episódio não consegue transmitir seus sentimentos em forma de palavras para Violet. Mas teria sido inútil, de todo modo, e ele percebeu isso quando viu Violet falando sobre Gilbert. Aquela doll continuaria sendo para ele apenas um encontro fortuito, um acontecimento raro como a passagem de um cometa, e que, assim como o fenômeno celeste, ele só poderia observar de longe.

O cometa Alley passa pela Terra de Violet Evergarden a cada 200 anos. O cometa Halley passa pela nossa Terra a cada 75 ou 76 anos. As respectivas passagens duram poucos dias. Nós duramos anos, décadas, alguns mais de um século, mas nossas passagens pela Terra são únicas. Todas as pessoas com quem cruzamos durante a vida também são, e assim como o Halley, também temos apenas uma chance única e rara, ainda que totalmente aleatória, de vê-las passar pelas nossas vidas. Algumas passam muito rápido, duram poucos dias ou poucas horas, outras levam a vida inteira para passar. Mas somos feitos do mesmo pó que os cometas, e somos ainda mais raros.

Uma cena cheia de eventos raros e especiais

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