Fui convidada para publicar aqui no Anime21. Me chamo Ananda Santos e sou escritora, otaku e cosmonauta.

Esse artigo é o segundo de uma série sobre Legend of The Galactic Heroes, voltados primariamente para quem ainda não conhece a franquia. Não é uma resenha ou coisa do tipo, mas um guia mesmo: o que esperar, o que assistir. Mas mesmo se você já conhecer talvez descubra algo novo.

Se ainda não leu, leia agora a primeira parte do guia.

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Legend of The Galactic Heroes

Ginga Eiyuu Densetsu, OVA, 1988, Artland, 110 episódios

 

O coração da franquia LOGH, que narra o material central das novels.

A guerra entre o Império Galático e a Aliança dos Planetas Livres já dura 150 anos, e chega a um ponto crítico. Porém, a nova geração traz consigo dois gênios militares, um de cada lado do conflito, para mudar as marés da história.

No Império, o ambicioso almirante Reinhard von Lohemgramm repudia os ideais atuais da capital imperial, o planeta Odin, que privilegia os nobres sem qualquer justificativa. Após problemas financeiros terem feito seu pai vender sua irmã mais velha, Annerose, para ser concubina do Imperador, Reinhard jurou destruir a dinastia Goldenbaum e trazer nova luz e justiça ao Império. Claro, sempre junto a seu fiel namorado amigo de infância Siegfried Kircheis, a única pessoa além de sua irmã por quem Reinhard daria a vida.

Na Aliança dos Planetas Livres, formada no planeta Heinessen (que leva o nome de seu fundador), o preguiçoso historiador Yang Wenli acaba se tornando um almirante das forças armadas. Não era sua intenção se envolver na guerra, mas visto que é um estrategista nato, ele resolve usar sua inteligência a favor da República, defendendo o ideal de um universo regido pela democracia. Junto a ele sempre está Julian Minci, órfão de guerra que acabou sob seus cuidados, e que é sua maior motivação e, muitas vezes, sua babá.

Vale a pena ver?

É lógico! A animação e trilha sonora são impecáveis, ainda que se trate de uma obra de 30 anos atrás, então não vale fazer cara feia por isso. A narrativa, recheada de plot twists muito bem plantados, e os personagens, bem construídos e cativantes, irão segurar ritmicamente sua atenção durante todos os 110 episódios. É sério. Eu juro.

 

Legend of The Galactic Heroes: My Conquest is The Sea of Stars

Ginga Eiyuu Densetsu: Waga Yuku wa Hoshi no Taikai, filme, 1988, Artland, 59 min.

 

Um breve prelúdio à série principal, contando os eventos que levaram à batalha de Astarte, dentro da qual o OVA já se inicia.

O filme funciona como uma varridinha de chão para receber as visitas, arrumando a casa para o espectador que pretende ficar ali por mais de 100 episódios. Há apresentações de vários personagens importantes. É o que considero o ponto alto do filme: você conhece os personagens da forma humana como eles realmente são (algo que só vai ocorrer a partir do terceiro episódio do OVA), e não como soldados em batalha.

Vale a pena ver?

Sim. A animação, trilha sonora e design de personagens são consistentes com as do OVA, e é um filme bem curto e agradável. E, se você já viu o OVA, cai muto bem para matar a vontade de ver mais um pouco de LOGH. Sim, você vai querer ver mais mesmo depois de tudo aquilo.

Posso ver antes do OVA principal?

Sim, inclusive é o filme que mais recomendo para alguém que queira testar se vale mesmo a pena sentar a bunda pra ver um anime véio pra caramba de 18 milhões de episódios que só tem falação.

 

Legend of the Galactic Heroes: Overture to a New War

Ginga Eiyuu Densetsu: Arata Naru Tatakai no Overture, filme, 1993, Magic Bus, 1h30 min.

 

Uma espécie de versão cinematográfica dos dois primeiros episódios da série, com qualidade superior de animação e eventos mais bem detalhados.

O filme narra a batalha de Astarte, que é onde o OVA começa, e também a primeira demonstração que temos da genialidade de Yang e da bravura de Reinhard.

Vale a pena ver?

Talvez. Recomendo se quiser rever o começo da série para relembrar, ou ver os dois primeiros episódios em melhor qualidade. Mas não há nenhum material especialmente novo ou relevante aqui.

Posso ver antes do OVA principal?

Sim. Inclusive, você pode emendar este filme diretamente após o primeiro, My Conquest is The Sea of Stars, pois é quase uma sequência direta. Ou pode até mesmo vê-lo tem ter visto o My Conquest, pois o OVA principal começa no mesmo ponto.

 

Legend of the Galactic Heroes Gaiden: A Hundred Billion Stars, A Hundred Billion Lights

Ginga Eiyuu Densetsu Gaiden: Senoku no Hoshi, Senoku no Hikari, OVA, 1998, Artland, 24 episódios

 

Primeiro OVA prequel da série, baseado na série de novels Ginga Eiyuu Densetsu Gaiden, também do autor Yoshiki Tanaka.

Este primeiro OVA conta sobre a juventude de Reinhard, que na época ainda possuía o sobrenome von Müsel, e sobre como ele e Kircheis enfrentaram todo tipo de preconceito (pois ser um casal gay num império conservador não é fácil) dentro do exército para ascender e chegar à posição respeitosa de onde os conhecemos. Há também várias historinhas paralelas que auxiliam muito na compreensão das motivações de alguns personagens e suas relações com outros, e nos dão um ângulo novo sobre a podridão do Império Galático.

 

Legend of the Galactic Heroes Gaiden: Spiral Labyrinth

Ginga Eiyuu Densetsu Gaiden: Rasen Meikyuu, OVA, 1999, Artland, 28 episódios

 

O segundo OVA prequel conta-nos sobre a juventude de Yang Wenli, e explora sua relação com os dois grandes amigos do casal Cazellnu, a chegada de Julian em sua casa e a história de como ele se tornou um bêbado vagabundo “Herói de El Facil”, salvando inúmeras vidas de civis.

Há também a continuação da história de Reinhard e Kircheis (achou que ia se livrar deles tão fácil?), de onde o primeiro Gaiden parou.

Vale a pena ver?

Sim. Por ser quase dos anos 2000, a animação possui cores mais sólidas (igual a dos episódios refeitos do OVA original, falarei disso noutro artigo) e o trabalho foi feito com muito capricho, mantendo os padrões da série clássica. Os Gaidens são exatamente o que um fã do OVA esperaria ver após se encantar tanto pelos protagonistas.

Posso ver antes do OVA principal?

Melhor não. Os Gaidens são feitos pensando em alguém que 1) tenha uma ideia do que estaria por vir no futuros dos dois protagonistas; e 2) já tenha interesse nas vidas de Reinhard e Yang. Seria meio como ler a biografia de 400 páginas de um fulano qualquer…

Outro ponto é que há muitos arcos que não avançam muito na história, servindo mais como exposição do universo e das relações dos personagens, como as viagens de Kircheis no Gaiden 1. Pra quem já viu o OVA principal, são elementos extras que podem ser interessantes. Pra quem não viu, é filler descarado e chato.

 

Legend of the Galactic Heroes Gaiden: Golden Wings

Ginga Eiyuu Densetsu Gaiden: Ougon no Tsubasa, filme, 1992, Magic Bus, 59 min.

 

Nem existe foto boa do pôster dessa porcaria

Esse LIXO conta mais ou menos a mesma história do primeiro Gaiden, bem resumida: a infância e juventude de Reinhard e Kircheis, sua ascensão no exército e blá blá blá ESSA MERDA É UMA FANFIC DE BOKU NO PICO NO ESPAÇO.

Eu preciso de verdade dar uma paradinha e fazer uma breve review desse filme: ele é totalmente não-LOGH.

A história é contada da forma mais melodramática possível — e olha que essa parte do Gaiden já é novelesca quando é fiel ao estilo do Tanaka. O character design não tem NADA a ver com o dos outros OVAs e filmes, de forma que eu só reconheci certos personagens quando seus nomes foram citados. A trilha sonora pela primeira vez abole as composições clássicas, colocando umas BGMs quaisquer de novela do SBT no lugar.

Sério. Quem são esses da esquerda? Yang Jr. e Attenborough Jr., tipo no final de Dragon Ball GT?

O único crédito que dou ao filme é conseguir retratar Reinhard e Kircheis em sua versão jovem com rostos realmente jovens e inocentes, ainda melhor que o primeiro Gaiden faz. Pena que essas crianças sequer se parecem com Reinhard e Kircheis.

Vem aí: a primeira novela shotacon do planeta Odin

Vale a pena ver?

NÃO. “Ah mas deve ser engraçado” — eu queria que tivesse sido. Fora uma ou outra yaoi hand durante as carícias 100% heterossexuais entre Reinhard e Kircheis, e as cenas shotacon forçadas, não tem nada nem risível nesse filme. A animação é um lixo e inconsistente com o resto da série. Os dubladores não são o mesmo cast de sempre — e, considerando que o OVA possui 110 episódios de falação quase ininterrupta, isso faz muita diferença pra quem já viu.

Posso ver antes do OVA principal?

Não. Não pode ver antes. Não pode ver depois. Não pode ver nunca.

Ok, o filme não tem spoilers, então é você quem decide se quer sair já odiando a série ou se prefere se preservar. Mas se quiser ver a infância do Reinhard, veja o primeiro Gaiden. Até o novo mangá (mais info noutro artigo) é melhor que essa desgraça.

 

The Legend of the Galactic Heroes: The New Thesis

Ginga Eiyuu Densetsu: Die Neue These, TV, 2018, Production I.G, ainda não exibido (previsão para abril/18)

 

A Production I.G, em comemoração aos 30 anos da série original, vai animar as novels de novo, do zero. Isto significa que Die Neue These não é um remake do OVA do estúdio Artland.

Pelo que se sabe até agora, a série será dividida em várias partes: um anime para TV e 3 filmes.

Vale a pena ver?

Ainda não é possível saber. Boa parte da equipe que a Production I.G pôs na série veio de Kuroko no Basket, e eu realmente não sei o que pensar disso. Só que será… diferente.

Penso eu que o andamento da narrativa será atualizado — pois o da série original é rapidíssimo, porém movido 80% por diálogos incessantes e pesados, o que hoje em dia não seria bem recebido. A atualização do visual da série (mais atraente para o público juvenil) também me conduz a pensar em mudanças radicais de estilo e caracterização, talvez mais puxado a shonen (falo mais sobre isso noutro artigo, quando trato do mangá de 2015). E considerando que 10 volumes de novel = 110 episódios em OVA = 12 episódios para TV + 3 (?) filmes soa um tanto desproporcional… Sabe-se-lá o que virá.

Posso ver antes do OVA principal?

Parece que a intenção da Production I.G é justamente essa: recomeçar do zero e oferecer um ponto de início mais confortável para possíveis novos fãs de LOGH. Então, sim.

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