Em um episódio que poderia ser melhor – mas não foi ruim –, o que foi revelado ajudou a amarrar o plot e saciou um pouco da sede do telespectador por respostas. Que venha mais Nanatsu no Taizai!

Dar bastante tempo de tela a personagens secundários importantes, ao mesmo tempo em que revelações esclarecedoras são feitas, foi um desenrolar útil, dado o contexto, para abrir caminho a mais revelações – sim, Meliodas, principalmente as que envolvem você! –, assim como para expandir a trama – tanto no que se refere aos personagens nela inseridos quanto aos seus acontecimentos.

E assim nasce a tramoia que pode levar toda a Britannia a ruína!

No fim das contas, mexer com elementos e magia do Clã dos Demônios para libertá-los e derrotá-los era só uma desculpa para que o Fraudrin – manipulando Dreyfus e Hendrickson – conseguisse reviver seus companheiros. Isso dá base para explicar a maior parte das incongruências que permeavam a primeira temporada do anime e o que sobra é esmiuçar os detalhes acerca disso envolvendo tanto os Sete Pecados Capitais quanto os Dez Mandamentos, afinal, eles são os dois polos da história agora.

Não lembro se já foi dito antes que foi o Fraudrin que matou a Liz, se não, então isso também foi revelado agora, e ao meu ver esse é um motivo, de certa forma, plausível para o Meliodas ter caído em cólera, assim devastando um Reino todo. Acho que queriam passar a impressão de que ela foi morta para atingir o Meliodas e dado o óbvio envolvimento dele com o Clã dos Demônios isso fica ainda mais claro. Se ele tivesse voltado naquela cratera acredito que teria eliminado facilmente o Fraudrin e nada disso estaria acontecendo, mas ele é um protagonista bem “relaxado” na maior parte do tempo, e sem esse vilão, que deu o pontapé inicial, a obra como ela é não existiria, então…

Deve ser uma das piores dores do mundo perder alguém que você ama na sua frente…

De um lado um grupo que era considerado o mais poderoso de toda a Britannia, do outro um grupo que deve ter pelo menos dez vezes mais que esse poder e o que temos é uma alta chance de que massacres unilaterais ocorram novamente, mesmo que o “sumido” Escanor apareça e se mostre um ponto completamente fora da curva. Aliás, já estava mais do que na hora de repatriar esse último aliado e não sei se vocês perceberam, mas ele aparece em uma cena rápida no final do Seisen no Shirushi, com uma aparência que não parece nada forte, mas como podemos ver com o próprio King – que se superou para derrotar o Albion e demonstrou, ao menos naquele momento, um aumentado significativo em seu poder mágico –, as aparências enganam e como já nos mostraram os próprios Dez Mandamentos, assim como o Meliodas, há diversas “circunstâncias” que tornam alguém forte.

Transferir uma alma para um artefato mágico foi uma bela sacada que dado a tudo o que a Merlin já fez até aqui – ela é uma maga bem eficiente e versátil, assim como uma boa estrategista que só falhou dessa vez porque a força bruta era devastadora –, não me impressiona, e se lembrarmos que os próprios Dez Mandamentos se alimentam de almas humanas para recuperar seus poderes mágicos fica fácil de vislumbrar que dentro deste universo de fantasia “manipular” uma alma é possível. O Ban conseguir reviver a Elaine seria algo do tipo e isso acontecer em um battle shounen que dá margem a esse tipo de “trapaça” não seria um problema – ao menos não no caso da fada.

Os “Três Patetas” e o Hendrickson conseguirem derrotar um demônio cinza não me pareceu algo estranho porque se lembrarmos bem, os níveis de poder deles são os mais próximos dos níveis dos Sete Pecados e ele não estava fundido a um Grande Cavaleiro Sagrado para agravar a situação. O grande X da questão relativo a esse núcleo é que Hendrickson foi o grande vilão – ao menos na superfície – do primeiro arco da história e exatamente por isso se fez necessário que ele desse algo – que ele explicasse pelo que passou – aos três para que pudesse caminhar ao lado desses Cavaleiros Sagrados de novo. Ademais, só tenho a dizer que achei a direção muito “seca” em algumas partes, pois ela deveria ter passado tensão e foi bem modesta – para não dizer medíocre – nesse quesito.

A Merlin deixou claro que a Elizabeth e o Arthur terão um papel chave nessa guerra e aí vemos como o amor romântico molda a convicção de uma pessoa já que a apaixonada Elizabeth não hesita em emprestar suas forças – mesmo uma que ela ainda não sabe se terá – nessa situação. Quanto ao Arthur, ele ainda é inexperiente e não confia na própria força – ou ainda não tem noção de todo o seu potencial –, além de que não é exatamente esse tipo de amor que move as suas ações – não se enganem, a relação dele com a Merlin é de pupilo e mentora, o anime não dá indícios de que seja mais do que isso –, mas sim o amor por seu povo, o dever de protegê-lo, afinal, ele agora é Rei e milhares ou milhões de vidas humanas estão em suas mãos. Tanto ele quanto a Elizabeth têm um campo para se desenvolver dentro dessa grande guerra e acho que será interessante acompanhar como os dois farão jus aos seus “papeis de protagonista” em meio a tantos personagens poderosos.

Dois personagens que ainda prometem muito nesta obra!

Sei que alguns de vocês devem ter se chateado com a Diane ter tido mais outro “probleminha” de memória – dessa vez esquecendo até quem é o King –, o qual adiou ainda mais a “concretização” desse casal. Contudo, se pensarmos que esta é uma oportunidade perfeita para aprofundá-la e fortalecer o laço entre esses dois, o que seria apenas “enrolação” parece mais uma decisão acertada de extrair da história algo que ela pode dar, que são as jornadas individuais de ao menos alguns dos Pecados como forma de aprofundá-los e quem sabe até acrescentar algo de interessante ao plot principal. Há potencial a ser explorado e espero ansioso para ver como o anime irá trabalhar isso.

Me despeço animado com o leque de possibilidades que se expandiu um pouco. Até a próxima!

“Eu sou o amor da sua vida” ou eu sou o Jô Soares?

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