O autor de Nanatsu é esperto, pois aproveitar esse tempo de “descanso” que ele arrumou para os vilões para trabalhar os personagens que importam – os Sete Pecados e alguns outros – foi a melhor escolha que ele poderia ter feito, pois, mesmo que o primeiro cour do anime esteja mais morno em comparação ao respectivo da primeira temporada, as coisas estão se desenvolvendo de forma mais interessante. Não por acaso, achei que esse episódio superou o anterior e foi o melhor até agora!

Um olhar perdido em busca de um caminho.

Já estava na cara que aquele homem besta era o “pai” de criação do Ban, alguém que ele admirava e respeitava, alguém que contribuiu para moldar o seu caráter – mesmo que fosse o ensinando a arte do roubo. De tal forma, o flashback dele que narrou de forma bem resumida a sua infância difícil era necessário, não só para entendermos que quem o Ban se tornou condiz muito com que ele era, como também para vermos que o personagem tem ainda mais camadas do que aparentava. Digo isso porque ele tem um passado triste com a Elaine, mas antes disso também já tinha passado por poucas e boas na vida e ainda assim não perdeu o sorriso e o jeito malandro, coisas que ele só foi capaz de obter e manter por causa do tempo que passou com o Zhivago e sentiu felicidade pela primeira vez.

Pode ter sido um trecho curto, mas ele trabalhou razoavelmente bem quem era o Zhivago e quem era o Ban, como também a relação dos dois e como um marcou o outro. De um lado Ban, com seu ídolo que o ensinou a combater a vida dura que levava, do outro Zhivago, que como por maldade do destino se viu diante da escolha mais injusta que um pai poderia ter, escolher salvar seu filho de sangue ou seu filho de coração. Ele “escolheu” o primeiro, mas, na realidade, seria injusto demais julgá-lo pela sua escolha, pois as chances de que seu filho de sangue morresse e o Ban no máximo fosse espancado e depois solto em algum beco sujo da cidade eram maiores que o contrário, tanto que foi exatamente esse o destino de seus amados filhos. Zhivago não conseguiu proteger ninguém.

Ele falar isso e acontecer o que aconteceu depois foi muito triste…

É triste que a criança dele tenha morrido e isso dá ainda mais peso a toda aquela situação e a todas as histórias de vida sofridas de pessoas que viviam a margem da sociedade naquele cenário; um homem besta que se transfigurava de humano para não ser morto por eles, um garoto fraco e pobre incapaz de viver uma vida “digna” sem ajuda. Ban tem um passado doloroso que não é nada inovador ou incrivelmente marcante, que pode não levar às lágrimas ou aumentar a sua empatia pelo personagem, mas é inegavelmente bem feito e profundo na medida certa, justificando seu jeito brincalhão e bom vivant, ainda que sob uma camada de sofrimento e tristeza que ele não deixa absorvê-lo, tanto que ele agora está em uma jornada esperançosa para reviver Elaine, a sua amada.

O desfecho desse momento ficou para o próximo episódio, ao que tudo indica uma despedida entre pai e filho, já que o Zhivago não parece em boas condições, mas só de ter visto o passado do Ban já ganhei meu dia! De resto não foi um episódio ruim, só fiquei com a sensação de que a transição entre partes foi meio abrupta, pois saiu de um momento emocionante para outro que até é importante para a trama, mas não tem o mesmo impacto ou está na mesma sintonia. Por ser preciso adaptar muitos capítulos em poucos episódios, dinamismo se faz necessário, então esse é um ponto que acho que dá para relevar, pois a história está evoluindo até que bem, mesmo constantemente retomando ao passado de alguns personagens para aprofundá-los e fazer com que nos importemos mais com eles. Se for para semear algo de bom a se colher no futuro então que rápido assim seja!

Como diz o ditado, “o bom filho a casa torna.”

E o que temos nesse segundo momento do episódio? Personagens treinando para ficar mais fortes quando força é algo de que eles muito precisam, ainda melhor se forem treinando em dupla e tiverem um desenvolvimento como o Gilthunder e o Howzer – personagens secundários com certa importância na história que foram minimamente trabalhados ali. Por outro lado, não tenho muito a acrescentar sobre a outra dupla – Gowther e Arthur –, mas devo dizer que muito me alegrou alguém finalmente ter confrontado Meliodas sobre o já óbvio envolvimento dele com o Clã dos Demônios.

Nós já sabemos que ele é um demônio – Nanatsu no Taizai não é genial e nem surpreendente para complicar algo que funcionaria melhor de forma relativamente simples –, contudo, ainda não ficou claro qual o nível de envolvimento dele com o seu clã de origem e nem qual é o passado que ele tem com os Dez Mandamentos. Isso deve ser segurado ainda por um bom tempo e no máximo ir sendo revelado aos poucos – não teria graça explicar logo tintim por tintim algo que aguça a curiosidade do público –, mas é certo que ao conectar o protagonista aos vilões, Nanatsu não deve querer se prender ao formato básico e “bem x mal” recorrente em shounens de batalha, tentando enveredar por rotas mais interessantes que envolvem quem realmente importa: seres imperfeitos cercados por mistérios e características que os tornam únicos e marcantes, principalmente para os jovens, os Sete Pecados Capitais! Por hoje é só, me despeço feliz por um episódio com dois momentos tão distintos e, mesmo um sendo melhor que o outro, ambos acima da média para o anime. Até o próximo artigo pessoal!

Desconfiança e bom senso às vezes andam de mãos dadas.

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