Devido a problemas pessoais o CrossSylvia terá que se ausentar do blog e não poderá continuar com seus artigos, mas não se preocupem, pois eu, Kakeru17, assumirei a cobertura deste remake do clássico Legend of the Galactic Heroes por aqui. Nessa temporada também escrevo sobre os animes Tokyo Ghoul:re, Steins;Gate 0, Lostorage Conflated WIXOSS e Uma Musume: Pretty Derby. Se estiverem assistindo algum deles sintam-se à vontade para dar uma conferida em meus artigos.

Para quem gosta do Yang Wen-li esses dois episódios foram um prato cheio já que focaram somente nele – o Reinhard nem apareceu, né –, explorando tanto sua vida pessoal quanto sua carreira e como uma se mistura à outra e, de certa forma, a complementa – fundamentando suas opiniões incomuns.

No quinto episódio vemos o Yang Wen-li recebendo promoções e sendo cada vez mais alçado a um status de herói que nada o apetece, mas é útil para o exército agora que um milhão de vidas foram perdidas na guerra. E como evitar uma reação negativa da massa pública? Fazer um pronunciamento a fim de reforçar a contraditória ideologia que é o alicerce da Aliança. Uma forma de pensar que é disseminada através da indução, e não dá reflexão, e vai contra a suposta liberdade valorizada pela própria Aliança já que tenta censurar outras formas de pensamento que não se curvam perante ela.

Um personagem equilibrado, o que é sempre bom em qualquer história.

O incômodo com a presença da Jessica na cerimônia, a surpresa dos colegas pelo Yang Wen-li não ter se levantado ou aplaudido o discurso, o ataque de extremistas a casa dele por um ato que em uma nação livre jamais deveria ser passível de represarias. Todas foram claras tentativas de censura a ideias diferentes, o que expõe a hipocrisia do que é pregado pela Aliança já que seus líderes criticam a ideologia do Império, mas o que é tentar mascarar uma crítica senão uma usurpação da liberdade?

Mesmo que a intenção da Aliança seja teoricamente muito boa – acabar com a tirania em outro lugar no universo –, fazer isso empregando métodos que em essência não parecem assim tão diferentes dos do império, dispondo apenas de uma abordagem convenientemente branda, aproxima os meios e os fins de ambos apesar de pregarem ideias diferentes. Suas formas de pensarem e de agirem já estão tão enraizadas em ambos que, se pararmos para pensar, ninguém além dos dois protagonistas até agora deu qualquer indício de que tem interesse em buscar a coexistência e não a dominação.

Isso fica ainda mais evidente no sexto episódio, pois o Yang Wen-li deixa claro que aceitou se tornar herói e formar um novo esquadrão com metade do contingente porque a missão que a ele foi dada pode ter um importante papel para o cumprimento de seu objetivo caso venha a ser bem-sucedida.

Achei ótima a forma como ela foi utilizada após sua introdução.

Yang Wen-li não almeja uma guerra em que uma nação sempre tentará sobrepujar a outra, mas sim um cenário em que o sucesso nas negociações de paz se tornem o foco de ambas. Permitindo a paz enquanto possível, pois ele sabe que nada é definitivo e que caberá as próximas gerações mantê-la.

Ele quer a paz não só porque é algo logicamente melhor para ambos os povos, mas também porque não quer perder quem é importante para ele. Isso torna o personagem mais humano e palpável que um herói altruísta que deseja libertar toda a galáxia. Ele não é isso, somente um homem inteligente e sagaz que ao obter poder que pode mudar essa situação não deixará de usar essa chance, assim como está sendo usado para desviar o foco da opinião pública no que tece aos problemas da Aliança.

Um bom pai cuida do filho…

A diferença é que ele usa o fato de estar sendo usado a seu próprio favor, para conseguir o que quer sem precisar ser hipócrita e se curvar diante de uma ideologia com a qual não concorda. Seus métodos são os mais limpos possíveis e seus fins justos. Resta sabermos se ele se sairá vitorioso em seu desafio, mas é certo que se tornou ainda mais fácil entender quem é esse personagem e torcer por ele agora que ele deixou claro qual o seu objetivo e como pretende alcançá-lo com o que dispõe.

Antes de concluir o artigo não poderia deixar de comentar como foi vital a introdução de dois novos personagens para esse aprofundamento do Yang Wen-li. Julian Mintz, que ao se tornar um ponto de apoio emocional para Yang reforçou suas ideias contrárias à guerra, e Frederica Greenhill, cuja inspiração em Yang demonstra que os esforços dele no exército deram bons frutos a serem colhidos.

… mesmo que também seja cuidado por ele.

Seus atos do passado motivaram outros a agirem e seus atos do presente serão imprescindíveis para proteger o que ele considera como família, tornando a captura de Iserlohn uma missão de extrema importância não só para a Aliança da qual ele faz parte, mas também para ele enquanto alguém que busca conciliar tanto seu bem-estar pessoal quanto seu sucesso profissional. Um sucesso que pode lhe trazer a tão desejada aposentadoria e uma vida próspera em tempos de paz com o filho adotivo.

Ainda que trilhem caminhos diferentes os objetivos de Yang Wen-li e Reinhard não parece estar tão distantes e estou curioso para ver como o sucesso ou insucesso da captura de Iserlohn irá recolocar Reinhard nessa história, pois a abordagem do anime deixa claro que eles são suas forças motrizes.

Adorei a personagem. Mais uma mulher forte é sempre bem-vinda!

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