“This is the end
I know my friend, the end”

 

É com estas belas palavras da lenda do rock Jim Morrinson que encerro minha série de artigos sobre a segunda temporada de LOGH. Um final que por um lado é o pontapé para um novo momento, mas por outro é somente o fim de qualquer traço de uma “realidade ideal” para ambos os protagonistas. É hora de LOGH no Anime21!

Você também achou meio infantil o Yang não querer apertar a mão do Trunicht? Ao mesmo tempo em que achei a situação engraçada também entendo a insatisfação dele. Yang é prático, mas ainda assim ideológico e, mesmo que engula um sapo, deixa o gosto ruim transparecer e creio que isso é o mínimo que alguém contundente como ele deveria fazer.

É mais ou menos o que o Sampaoli fazia no Santos ao botar o time para jogar bola, mas deixar no ar sua insatisfação com a situaçào política do clube. É, o exemplo talvez não lhe diga nada, mas se eu comentar que o Tite faz o oposto, abraçando a desgraça, na seleção, você deve sacar mais fácil…

O fato é que não é a primeira vez que o protagonista deixa sua discordância as claras e não deve ser a última, o que, dentro do sistema no qual ele vive, o leva a refletir de modo bastante perspicaz sobre algo “tabu” em uma nação livre. A democracia é tão diferente assim da ditadura se em ambos os casos a vida humana não é minimamente respeitada?

Não a de todos, claro, mas não se faz democracia de fato e de direito sem respeito e cuidado com a vida das minorias e daqueles que se opõem a mão vigente. Parece mesmo que a Aliança processa bem quem a critica? Os políticos que voltaram ao poder e os militares golpistas lidam/lidavam bem com isso? Marchar a uma guerra de doutrinação alienada é mesmo o único caminho?

É aí que entra o paradoxo citado pelo Yang, ele pensa nisso porque não vê convicção, valores e capacidade em quem guia a democracia, enquanto vê isso em um ditador. Aliás, é por isso que acho bem possível o Yang se tornar um eventualmente, porque para o que ele valoriza a democracia em que ele vive não o dá a segurança da qual ele precisa. Se é assim, centralizar o poder em uma figura e daí agir não seria plausível?

Se o Yang se candidatar ao que for, pode ser síndico de condomínio, já tem um cabo eleitoral: eu.

Ele não tem apego por sistemas, mas valores, pelo bem-estar das pessoas, sejam elas da Aliança ou do Império. O que ainda o impede de fazer algo assim é que ele valoriza o seu “eu”, não incubiu a si uma responsabilidade pelo bem-estar social que não é dele mesmo. Contudo, nada garante que em algum momento ele não tome essas dores, ainda mais se o caminho da “democracia” for barrado para ele.

A deserção do Almirante Merkatz e a preocupação com seus direitos por parte do Yang foi o exemplo prático do que escrevi acima. É esse direito básico e individual que o preocupa. Fico me perguntando o que ele pensaria do Reinhard quando/se souber que ele abriu mão de bilhões desses direitos em prol de apenas facilitar seu objetivo; porque ele seria alcançado de qualquee forma, era questão de tempo.

Enfim, tudo transcorreu bem, exatamente como eu esperava. O papel que o Almirante Convidado tiver só será conhecido em uma possível sequência, mas algo é certo; o ano sem guerra entre nações não foi evidenciado a toa. A guerra se aproxima e Merkatz deve ser uma peça valiosa no tabuleiro.

As preocupações do conselho de políticos que controla a Aliança foi o exemplo de que essa “revolta silenciosa” do Yang incomoda, mas será tolerada enquanto ele ainda for útil. A partir do momento em que o perigo que representa se igualar a seus feitos não vou estranhar que tentem afastá-lo ou assassiná-lo. Ele vai ser descartado assim? Duvido, e acho que isso pode ser o estopim para sua mudança.

Enfim, Reinhard se torna Duque, Yang se fortalece como herói e ao mesmo tempo em que ganharam, também perderam; pessoas queridas, ideais, o encanto. Nào que o Yang tivesse muito, mas uma política como Jessica ainda o levava a vislumbrar um caminho de entendimento, enquanto um amigo como Kircheis era o apoio e a voz da razão que mantinham Reinhard inteiro, centrado e feliz. Bastante feliz…

Essas perdas não podem ser esquecidas e muito menos reparadas, tendo elas a função de sim, destruir o restinho de esperança que Yang e Reinhard (abissalmente opostos em seus objetivos de vida) tinham de que seriam capazes de realizar seus sonhos do jeitinho que desejavam. Não seria assim, se fosse assim LOGH seria uma história de fantasia!

Por fim, qual final foi pior, o da primeira ou o da segunda temporada? O da primeira foi um cliffhanger safado que teria sido evitado com mais um episódio. Okay que aí o anime teria acabado em outro, mas esse não estaria localizado na metade de uma batalha, ne.

Essa segunda temporada terminou morna, apenas fazendo um checkpoint do que os telespectadores poderiam esperar. So que ela não terminou no meio de algo, então sim, foi melhor que o final da primeira. Mas os dois finais foram bem abaixo do resto das temporadas, isso é certo.

A título de consideraçôes finais, achei esse segundo ato da Lenda dos Heróis Galáticos muito bom, pois apesar de ter tido alguns defeitos, principalmente quanto a forma como contam a história e o ritmo dela, a qualidade da escrita se sobressai.

Há personagens interessantes, reflexões interessantes são propostas e situações interessantes são geradas. Isso já me contenta. Contenta a você? Essa é a questão.

E o Culto da Terra? Foi a piada do episódio. Você riu? Eu não.

Nem vou me alongar, pois espero e aposto que LOGH vai ter mais anime e aí sim poderei continuar de onde estou parando agora.

Até uma possível, e creio eu provável, continuação!

Sabe o que esses cultistas têm mais que a gente? Não? Nem eu!

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    Esta segunda temporada foi bem ok mas esperava mais.

    O ritmo do anime continuou insano, cortaram muita emoção de alguns acontecimentos e exageraram na emoção de outros (melhor exemplo disso é o fim da Jessica). O acontecimento que eu tanto esperava e ao mesmo tempo não queria ver de novo, foi muito mal feito (a morte do ruivo), na demonstração do ataque do lacaio do último bastião dos Goldenbaun foi muito rápida, mudaram muita coisa, ao ponto de parecer que o Oberstein teve um dedo naquilo, em comparação no anime antigo fica meio ambíguo, só muda o facto que no antigo é o Oberstein desviar o Reinhard da bomba. Outra coisa muito mal feita foi a forma como esse tal lacaio matou o Kircheis, no anime antigo o que matou o Kircheis foi um segundo disparo que lhe destruiu a artéria do pescoço, na nova versão não ficou mal mas podia ter sido melhor.

    Passando à reclamação, desde da primeira temporada que sempre atirei pedras para o design bishounen dos personagens, me acostumei a isso, agora o voice acting é vergonhoso, este remake não tem um único seiyuu que preste, o Mamoru Miyano que dá a voz ao Reinhard matou a alma do personagem, nem naquela cena importante ele soou exagerado, mil vezes a actuação do seiyuu Ryo Horikawa no OVA antigo.

    Chega a ser triste, o facto dos cenários no lado do Império serem muito estilo britânico do século 18/19 em vez do estilo Germânico do século 17/18 como no OVA antigo. Além disso senti falta da ost Valkyrie Ha do OVA antigo, uma marcha imperial digna do Império, ao contrário da ost do remake que é muito sem sal. A mesma coisa para o lado da Aliança dos Planetas livres, no futuro se houver uma terceira temporada, será um crime não haver o Hino de Iserlohn.

    Sobre o episódio em questão, o Yang, pela primeira vez irei reclamar, estragaram o personagem, no episódio ele pareceu muito infantil e o seiyuu não ajudou, no OVA antigo ficou muito melhor.

    Por fim, o culto da terra deu a cara e parece tão estúpido como no ova antigo, só tem um diferencial, o remake não mostrou o Imperador Palpatine como no ova antigo.

    Como sempre, mais um excelente artigo Kakeru17. Foi muito bom acompanhar os seus artigos sobre este remake, em todos eles a leitura soube melhor que ver os episódios em si.

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    O remake é melhor em algumas coisas, e a OVA é melhor em outras, no fim os dois estão meio que igualitários em qualidade.
    Na versão antiga Siegfried Kircheis tem, como você mesmo falou, a artéria do pescoço destruída, então como você me explica como ele manteve a consciência pra ter aquele diálogo com Reinhard?
    Uma pessoa com a artéria do pescoço rompida perde a consciência em poucos segundos, pois o cérebro deixa de ser oxigenado.
    Essa versão nova acho os cenários claros/limpos demais, as naves são difíceis de diferenciar, a trilha sonora não é muito empolgante, mas não tem como as duas versão serem perfeitamente iguais.
    Eu assisti os episódios duplamente, os antigos e os novos. No Remake ficou muitas vezes melhor explicado porque Paul von Oberstein não acha necessário um número 2! Também fica muitas vezes melhor explicado sobre o significado do selo imperial, na OVA eles não falam nada, ele só aparece sendo pego por Wolfgang Mittermeyer!!!
    A OVA é melhor em passar emoção, mas a história do Remake está muito melhor explicada.

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