Bom dia!

Facilmente uma das melhores estreias da temporada, e eu não tenho desculpa nenhuma pelo atraso nesse artigo. A minha semana foi difícil em mais de uma maneira, mas Eizouken merecia mais.

Ao invés, a comédia despretensiosa que celebra não apenas a arte da animação como também os próprios artistas responsáveis por ela ganhou uma polêmica tola.

Um guri aí resolveu comparar seu character design com o de Violet Evergarden, e ninguém entendeu ainda por quê.

E eu adoro Violet Evergarden.

Enquanto pensava sobre o que escrever nesse artigo foi difícil tirar essa polêmica artificial da cabeça e estava mesmo pensando em tratar do assunto aqui, mas decidi que esse não é o local adequado. Em algum momento publicarei um artigo exclusivo  esse respeito. Aqui e agora, apenas as minhas impressões sobre o piloto de Eizouken.

 

Midori e Tsubame começam a misturar suas ideias

 

A história de Eizouken é a história de Midori, e a história de Midori é uma história de seguir sua paixão mesmo que tenha que seguir rumos completamente inesperados ao deparar-se com barreiras.

Quando criança, encantada com a arquitetura peculiar do lugar onde vivia, Midori gostava de explorar, e assim nasceu sua paixão por aventura.

Quando deu conta de que não poderia continuar explorando indefinidamente, ela descobriu que havia infinitas aventuras ainda por se fazer se ela usasse a imaginação – àquela altura ela já desenhava esquemas minuciosos de suas explorações, misturando realidade com fantasia.

Havia, ela descobriu, um meio ideal para esse tipo de exploração e aventuras: animes. Mas não foi isso que conquistou Midori, e sim a realização de que havia alguém produzindo aqueles animes.

 

Animação que Midori fazia desde criança

 

Corta para o presente, e Midori agora já é uma adolescente. Nunca deixou de cultivar sua paixão pela aventura, agora dirigida à produção de cenários e conceitos para anime. Mas ela é tímida, tem apenas uma amiga, Sayaka, que não tem interesse nenhum em animes, e entrando em sua nova escola sequer tem coragem de ingressar no clube de anime porque não conhece ninguém lá, então pode-se dizer que ela deparou-se com mais um obstáculo.

Eis que ela conhece Tsubame, que tem a mesma paixão por animes e seu próprio obstáculo: seus pais querem que ela siga carreira como atora e a proíbem de seguir seu sonho de se tornar animadora.

Sayaka, que não tem sonho nenhum a não ser o vil metal, se intromete e de alguma forma aproxima as duas e as oferece uma alternativa às suas barreiras: elas podem produzir animes sem entrar para o clube de anime. Dentro da escola, criando um novo clube de fachada, ou fora dela, tanto faz.

 

Sayaka não sabe nada sobre anime e nem quer saber, mas jura ajudar as duas em tudo o que ela puder

 

Para Tsubame isso significa estar longe dos olhos de sua família, e para Midori isso significa evitar ter que enfrentar sua própria dificuldade social.

É claro que em algum momento no futuro elas irão se deparar com novas barreiras conforme esse arranjo se tornar insuficiente, mas a primeira tarde de brainstorm das duas, misturando ideias, personagens e cenários que as duas já tinham criado e acrescentando coisas a mais, foi mais do que recompensante. Para elas e para nós, que as assistimos.

A animação expressionista de Masaaki Yuasa, o diretor do anime, cai como uma luva para uma história que se deslumbra e celebra o próprio profissional animador em particular e também os demais criadores de anime no geral.

 

  1. Avatar

    Curiosidade:
    O anime que inspirou a protagonista existe mesmo!
    Mirai Shounen Conan ou Conan, o Rapaz do Futuro como foi traduzido e dublado em Portugal. Infelizmente, este não passou no Brasil.
    Feito em 1978, um dos primeiros trabalhos de Hayao Miyazaki.

  2. Avatar

    Eu vi Mirai Shounen em Betamax!!! (agora não me lembro se estava legendado em inglês ou espanhol)
    E Eizouken é um refresco para os olhos em termos de animação.
    Adoro o uso da cor na abertura…O aquarelado quando a Midori entra em modo fantasia…É uma obra bem da sofisticada…Vou acompanhar com certeza, e com resenha do “Mexicano” aí é que vou com certeza dobrada!!!

Comentários