Sekai Saikou no Ansatsusha, Isekai Kizoku ni Tensei suru (The World’s Finest Assassin Gets Reincarnated in Another World as an Aristocrat) é um anime do estúdio Sliver Link. (Death March kara Hajimeru Isekai Kyousoukyoku, Imouto Sae Ireba Ii, Kenja no Mago, Kokoro Connect, Sunohara-sou no Kanrinin-san, Two Car). que adapta a light novel escrita por Rui Tsukiyo (autor do famigerado Kaifuku Jutsushi no Yarinaoshi) e ilustrada por Reia. Segue a sinopse da Crunchyroll (streaming oficial do anime).

 

“Um lendário assassino reencarna em outro mundo, e usa seus conhecimentos modernos para se tornar um soldado perfeito!”

 

A OP quase me fez esquecer de quem é o autor da obra, para você ver que uma OP bem feita já é meio caminho andado para pelo menos a pessoa se empolgar para assistir um anime. E se não me espantei em nada com o início dessa estreia, um leilão em que mulheres sequestradas são vendidas, pelo menos dessa vez o protagonista está do lado certo.

Ainda que, sem nenhuma surpresa, tenha um relance de calcinha ali, outro fanservice acolá, mas, se a gente pensar bem, não é incomum que na situação em que estavam as roupas fossem mais folgadas ou que fosse a última preocupação da equipe de resgate formada só por mulheres, tendo o prota como sniper, claro.

Mas sim, sei que a gente sabe que é para cumprir cota de fanservice, só não vou execrar o anime por isso quando, por exemplo, há outras cenas questionáveis que me incomodaram até mais. Duas delas em específico, o momento em que uma das heroínas diz que quem atacava a vila se disfarçava de bandido, a outra quando o protagonista meteu a lorota da virgindade para dar lição de moral.

As vilas não foram atacadas por gente disfarçada de bandido, quem atacou é bandido, afinal, sequestrou pessoas para vender. Quanto a vida pregressa do protagonista, na boa, usar de virgindade como escala de experiência para qualquer coisa na vida é zoado, mas o que esperar do autor de Kaifuku não é mesmo? Diria até que ele maneirou na escrotice dessa vez.

Enfim, voltando a trama, esse episódio se encarregou mais de mostrar a personalidade do protagonista e acho que fazer isso após uma boa cena de transição não foi ruim. Foi legal a conexão entre ações, atirar para matar, algo que ele fazia em sua vida anterior e seguirá fazendo reencarnado em outro mundo.

Além disso, muitas vezes não é interessante saber da vida passada da personagem, mas quando ela carrega experiência de vida e personalidade, ainda mais quanto estes foram os motivos de sua invocação, acaba fazendo certo sentido, ainda mais pelo contraste que existe entre um assassino de um mundo como o nosso e de um mundo de fantasia com magia e outras questões.

Ainda assim, o “herói” usa arma para matar nesse novo mundo, mas essa arma carrega magia na bala? Qual? O quanto? Ele só tem isso ou segue versado em todas as formas de matar possíveis como parecia ser em sua vida passada? E temos que contar com o fato de que ele já era velho com seus 50 ou 60 anos quando reencarnou, o que dá um contraste diferente a juventude que tem na trama.

Isso vai fazer com que ele despreze as heroínas fofas e habilidosas que andam com ele? Não vai ser um harém propriamente dito? Ou se envolver com alguém sequer passa pela cabeça dele, afinal, deve ser difícil para um assassino confiar nos outros (expor fragilidades, como se faz quando se está em um relacionamento amoroso) após ter sido traído pela organização que o criou?

Em todo caso, tirando a lamentável e breve cena em que ele tenta dar uma lição de moral sexista na subordinada, em todos os outros momentos a personagem foi muito bem escrita, demonstrando bastante experiência e habilidade, apesar da idade. E não só isso, a humanização dele feita com a obediência cega que depositava na organização também me convenceu.

Porque pensa comigo, não importa se ele é o melhor no que faz, alguém sempre baixa a cabeça para alguém nessa vida, e no caso dele o motivo era razoável, pois ele foi criado e moldado pela organização, seu meio, então era completamente factível que mesmo percebendo a estranheza da situação não se desprendesse dessa fidelidade encalacrada em seu ser.

O homem é produto do meio e, como tal, após ser derrotado por ele, o protagonista tinha duas opções, tentar domar o novo meio no qual seria inserido ou apenas esquecer, viver outra vida, morrer. Se não de fato, mas no aspecto de que deixaria de ser quem era, o assassino que foi criado para ser. Ele escolheu a primeira, e era óbvio que faria isso.

Sem isso essa história sequer existiria, e existindo, podemos ver como a aposta da excêntrica deusa Ahem foi certeira. Só não sei se foi a melhor ideia ser tão objetiva e se expor tanto para um assassino tão bom, pois tenho a impressão de que dessa vez, com essa nova chance, ele não se deixará domar pelo meio no qual está inserido.

Além disso, ele reencarnou em um mundo com magia, então as variáveis são mais voláteis do que eram no mundo humano. E não só isso, a missão dele fica bem clara, é matar o herói. Mas como ele pode salvar mulheres de serem vendidas e também matar o herói daquele mundo? De duas uma, ou ele é o vilão que salva pessoas como disfarce ou o herói que é o vilão na verdade.

E isso, qualquer que seja o cenário, pode ser perigoso para a deusa e para quem desejar tal curso de ação para o protagonista. Não que ele vá matar a deusa, mas repito, duvido que a personagem se deixe mais uma vez domar pelo seu entorno, e isso torna esse anime interessante de ser assistido, apesar das incongruências de um autor machista, misógino, etc.

Por fim, se formos comparar esse anime a Kaifuku é claro que ele é melhor que o anime do herói estuprador, mas a questão é, qual não seria? Ainda assim, friso que achei a história minimamente interessante e que a estreia foi consistente. Mas claro, é cedo para cravar que não vai se perder pelo caminho da escrotidão, na qual o autor é versado. Só nos resta comprar a briga. Ou o desprezo, o que é absolutamente legítimo.

Até a próxima!

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