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Desta vez, eu farei uma exceção. Sairei do meu objetivo inicial de resenhar sobre animes mais antigos e discorrerei sobre um anime recente, Fune wo Amu.

Sendo ainda tão jovem, pode acreditar que eu me senti bastante prepotente dando tal título à resenha… (hahahah). Mas eu não posso negar que o anime retratou muito bem uma fase da vida com a qual eu me identifiquei desde seu início.

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Fune wo Amu teve como premissa central mostrar a vida pessoal e profissional de vários indivíduos envolvidos no desenvolvimento de um dicionário que fosse conceituado e útil para os japoneses durante muitos e muitos anos, mas focando na evolução do desajeitado e excêntrico Majime Mitsuya, a medida que ele vai descobrindo, sem perceber e pela própria experiência, o significado de muitas palavras. Isto é, significados são sempre carregados de subjetividade, pois cada pessoa abstrai significados das coisas a partir de suas próprias convicções e vivências. É uma premissa muito promissora e se mostrou incrivelmente bem próxima do que eu esperava, o que foi uma coisa muitíssimo boa, pois, dessa forma, eu tive as minhas expectativas atendidas pelo anime. Essa ideia geral da obra realmente me interessou bastante, uma vez que eu gosto mais de animes que tratam de temas mais adultos e com abordagens mais adultas. É um slice of life ambientado na vida caseira dos personagens, mas com um foco bem maior na vida profissional deles. E, como se já não fosse interessante o suficiente, a obra mostra as situações e seus desdobramentos com uma naturalidade encantadora. Obviamente, situações naturais que você esperaria de um japonês, sem aquelas extrapolações corriqueiras em animes, tanto no sentido de animação como no sentido de decisões e de reações físicas dos personagens. É muito gostoso de vez em quando ver um anime sair bastante da ficcionalidade e descer ao nível mundano, o nível mais verossímil possível.

Fune wo Amu é uma adaptação de um livro homônimo, porém é preciso dizer que o diretor do anime conseguiu imprimir um ritmo “lento que passa voando” no enredo. Os acontecimentos que se sucedem na história são bastante condizentes com a realidade de cada um ali e com as aleatoriedades da vida profissional e adulta com as quais todos eles têm de lidar. Exceto no episódio 01, que tem um ou outro momento levemente forçado que demanda um pouco de suspensão de descrença, mas, de resto, o enredo do anime segue perfeitamente bem. A direção soube adaptar muito bem de uma mídia para a outra, utilizando-se de representações simbólicas na animação em certas partes da série. Os episódios têm 23 minutos, mas a sensação é de que eles terminam em uns 10 minutos. Isso foi bem legal. E tem um motivo pra isso. Acontece que a obra não é simplesmente lotada de diálogos e pensamentos, isto é, o diretor, Kuroyanagi Toshimasa, soube aproveitar bem do seu conhecimento, em muitos momentos, ao fazer as coisas simplesmente acontecerem, sem que alguém fique explicando detalhe por detalhe o que está ocorrendo em determinadas situações. Dessa forma, qual foi o resultado? O anime ficou de fato gostoso de se assistir, pois essas cenas que você espectador está vendo são os personagens realizando o rumo da história com suas ações e sem utilizar palavras, juntamente com uma trilha sonora quase sempre positiva, sempre relaxante e sempre envolvente.

A história em si do anime fala sobre amor, emprego, carreira, aptidão, objetivos, coletivismo, trabalho em equipe e obstinação, tudo isso foi o que eu particularmente abstraí da obra e que eu concluí como sendo o que se quisera transmitir ao espectador. Muito bom, não? Soberbo, isso sim!

O roteiro da obra ao meu ver ficou na exata medida certa: bem escrito, coerente, coeso e perfeitamente compreensível. Não há nada de difícil apreensão nem é cansativo.

Eu gostei de todos os personagens apresentados. São todos minimamente carismáticos, desde o protagonista Majime até os dicionários chibi, que são personagens que aparecem no meio de todo episódio como uma espécie de cena de alívio cômico. E são realmente divertidinhos, hein! Mas, sobre os personagens de fato da história, a inter-relação deles é bastante natural e sinérgica, o que foi um ponto extremamente positivo da obra.

A trilha sonora ficou bastante competente e ambientou perfeitamente as situações. A abertura do anime é um rock meio pop e eu não gosto muito de j-rock, devo confessar, mas dessa música eu realmente gostei e foi uma das melhores da temporada de Outubro/Outono 2016. Já o encerramento foi uma música mais acústica, romântica e pouco puxada pro jazz e eu adoro jazz, mas essa eu não gostei tanto; foi boazinha, só que nada muito marcante pra mim. De resto, a trilha sonora interna do anime foi bem tranquila, passou uma atmosfera bem leve.

A animação passou o que devia passar. Não foi nada surpreendente, apesar de ter mostrado uma ótima ambientação. Mas, claramente, esse certo foco na ambientação afetou um pouco o não detalhismo, em muitos momentos, nos personagens. De toda forma, a animação ainda conseguiu ser eficaz em passar as ideias e os sentimentos que deveria passar em cada ocasião. E, a título de curiosidade, a paleta de cores e parte da ambientação lembraram-me muito o anime Read Or Die The TV.

Como é de praxe da minha parte, eu farei uma ressalva. Fune wo Amu não é um anime para os mais jovens, pois a falta de uma figura em uma fase da vida com quem possa identificar-se e a própria premissa mais adulta e realista da obra são fatores cruciais da obra. Se alguém jovem que ainda não chegou na fase adulta (e entenda que chegar aos 18 anos não significa tornar-se adulto, pois é só o começo de um looooongo caminho), pode assistir por sua conta e risco, entretanto, eu acho que não se conseguirá tirar tanto proveito da série quanto alguém como eu, por exemplo, que vive uma fase da vida na qual busca um bom emprego, estabilidade financeira, uma boa parceira para levar a vida, etc. Além disso, o ritmo do anime pode ser interpretado como maçante ou cansativo por pessoas, normalmente, mais jovens do que nitidamente o público-alvo da obra. Por fim, esse foi o melhor anime da temporada de Outubro/Outono 2016 na minha visão e a minha nota para Fune wo Amu só não foi 5 estrelas ou pelo menos 4,5 estrelas, pois são notas que eu reservo para animes que apresentam tanto alta qualidade como alta originalidade.  Fune wo Amu não mostrou exatamente nenhuma originalidade, ele é “apenas” muitíssimo bem dirigido. Eu recomendo principalmente para pessoas já na fase adulta de verdade e ou pessoas que busquem um anime com uma premissa mais realista e verossímil.

Qualquer coisa, perdoem a minha talvez prepotência…

Eu encerro aqui e espero ver vocês na próxima, tá? ATÉ!!!

 

 

  1. Olha só…Mais um fissurado em Fune wo Amu…
    Bem essa é uma maravilhosa resenha de alguém jovem e eu já fui jovem como vc um dia láááá atrás. E foi fantástica…Achei muito legal que a mensagem do anime bateu fundo no coração. E o que eu posso dizer depois de ler a resenha….Que não! Não! Eu recomendo o anime mesmo para quem tem menos de 18 anos. Pq ele tem algo a ensinar aos que tem menos de 18 anos pq mesmo que vc tenha menos de 18 anos o mundo será muito diferente quando vc tiver um pouco menos de 28 anos. Foi assim comigo e foi assim que me identifiquei com esse anime. Me identifiquei pq me lembro quando trabalhava para uma empresa japonesa antes da crise de 1997 e o que houve ao Japão depois dela. Fune wo Amu fala muito disso…Fora o master opus que foi o episodio 06…

    • Alyson Silva

      Tenho de admitir, eu não tinha pensado por esse lado, de um jovem aprender como é a realidade de fato (mesmo eu próprio tendo escolhido o título da resenha kkk). Eu me ative em meus pensamentos apenas no âmbito do quanto um jovem poderia se sentir entretido com uma obra como Fune wo Amu e no âmbito da não identificação com alguma das figuras da obra (até porque todos ali são adultos em uma fase mais avançada da vida adulta), fazendo assim com que um típico jovem não se sentisse imerso na obra como seria mais adequado. Mas, parando pra pensar bem e sabendo recomendar para um jovem que não chegou em tal fase, agora eu concordo plenamente com você, James, seria realmente uma experiência muito válida. Não acho que um jovem que não chegou nessa fase ainda vá se entreter ou mesmo se sentir tão imerso quanto alguém que vive tal fase ou passou por ela, mas seria algo bem interessante se um jovem antes dessa fase aceitasse esse “desafio pessoal” com o objetivo de literalmente apreender e compreender a realidade e assim amadurecer.

      Realmente dá pra perceber que em Fune wo Amu há (geralmente) sutis contextualizações com a crise japosesa.

      Sobre o master opus que vc citou, eu realmente não lembro agora, haha, desculpa. Mas eu vou rever dps de novo. Ah, a principal razão pra eu ter começado a escrever resenhas foi justamente pq eu tenho uma memória péééssima, então eu gosto de deixar registradas as minhas impressões sobre os animes pra sempre que eu precisar eu poder consultar ou fazer novas interpretações ou mesmo melhorar etc. Ou seja, um “segredinho” meu aqui pra ti, eu na vdd escrevo é pra me agradar XD Mas com toda certeza é ótimo trocar nossas experiências com algumas pessoas.

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