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Eu tenho bode com o termo “bruxa”, como usado pelo anime. Faz parecer que são garotas más, ou que tomaram a decisão que tomaram em pleno gozo de suas capacidades mentais e em um momento em que possuem várias outras alternativas melhores. Como esse não foi o caso de nenhuma delas até agora, chamá-las de bruxas apenas desloca a culpa para as vítimas. Eu entendo que o anime faz isso de propósito, mas se eu apenas repetir isso aqui estarei fazendo o oposto do que me proponho – não estarei criticando. Se essa é uma forma do anime mostrar a sua crítica, tão melhor que eu aponte isso, não é?

Nesse episódio viu-se como surge uma bruxa.

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A “solução final”

Não é como se nos anteriores não tivesse sido contada a história da origem de cada “bruxa”. Sabe-se sim muito bem porque cada uma delas chegou onde chegou. A novidade desse episódio foi ter começado a contar a história desde antes disso, mostrando em “tempo real” a queda da Natsuki. O caso dela é parecido com a Yuko do primeiro episódio: bullying escolar. Mas as semelhanças acabam aí.

Yuko se esforçava para viver uma “vida perfeita”, para ser e principalmente parecer uma estudante ideal para quem quer que a visse. Ela não era vítima regular de bullying, pelo que o episódio mostrou, mas a pressão que ela já sofria normalmente foi o bastante para fazê-la desmoronar na primeira ocasião em que isso aconteceu. Já a Natsuki não era nada notável e não se fazia notável. Não parecia se importar particularmente em ter amigos ou boas notas ou nada. Ser deixada em paz já seria o suficiente. Mas é lógico que ela não foi deixada em paz.

Mesmo assim, ela aguentou bastante! E mesmo quando não mais aguentava, ao invés de apenas cair sozinha em desespero ela assumiu o controle da situação e… decidiu se suicidar. É, no fim das contas acabou sendo bem pior. Ser forte também é uma fraqueza? E eu havia dito que as semelhanças haviam acabado, mas me esqueci de uma: nem Natsuki nem Yuko tinham a quem recorrer. A do primeiro episódio porque havia acostumado-se a viver uma farsa, viver de aparências, o que com certeza deve ter feito parecer muito difícil, impossível mesmo, pedir ajuda. Já a Natsuki apenas não tinha a quem pedir ajuda mesmo. Acostumou-se a resolver tudo sozinha. Por isso ela decidiu, bem, resolver sozinha.

Uma garota que já não aguenta mais e não tem a quem recorrer

Foi interessante ver mais uma vez o Haruto ficando ao lado da garota contra as pessoas que a fizeram mal (a outra vez foi no segundo episódio, o dos assassinos). Da primeira vez foi desconcertante, mas agora que eu já sei o que esperar dele foi apenas divertido vê-lo dizer, basicamente, “são pessoas horríveis, merecem isso e mais ainda, a bruxa tem todo o meu apoio em sua busca por vingança”. O detalhe dessa vez é que, talvez porque ela achasse que já havia morrido, Natsuki estava afetando mais pessoas do que apenas as malandras que a maltrataram.

Essas garotas a maltrataram. Todo o resto da sala se omitiu, sendo portanto culpados também.

Quando Natsuki soube do que realmente estava acontecendo, por um instante hesitou. Como ela é otaku, sua mente inventou uma situação inevitável baseada em anime (sua vingança em si já era baseada em outro anime, o seu preferido). Acho que é normal, não é? Às vezes vamos longe demais e achamos que não há mais volta. Haruto estendeu-lhe a mão e mostrou que tinha volta sim, bastava ela querer e se esforçar. Ele não prometeu que acabaria o bullying com ela, ele não prometeu que a vida dela melhoraria. Ele só prometeu que, se ela quisesse, ela devia se esforçar. No que ele pudesse ele ajudaria – e ele ajudou.

Para quem esperasse alguma lição de moral, o final do episódio foi bastante anti-climático. Natsuki não conversou ou tirou satisfação com as garotas que a maltrataram, tampouco as perdoou. Parece que a turma passou a zombar delas, da mesma forma que antes zombavam da Natsuki – e talvez isso fosse culpa delas mesmas. Cada uma está lidando com isso de forma diferente. Mas bem, faz tempo que aprendi a não esperar lições de moral nos episódios de 18if, então acho que está tudo bem.

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