Bom dia!

Mais um episódio cinco estrelas de Girls’ Last Tour e mais um artigo atrasado! Em parte ainda é o mesmo atraso da semana passada, por causa das minhas provas, e em parte é um atraso novo porque eu detonei a tela do meu notebook. Arranjei outro no mesmo dia (um que já foi meu há muito tempo, antes de eu dá-lo a minha irmã porque eu tinha ganhado um notebook novo – justamente o que eu quebrei agora) mas passei a madrugada inteira instalando as minhas coisas nele e preparando-o para ser usável. O teclado é diferente e ele é menor, então ainda me sinto incomodado ao usá-lo, mas é o que tem pra hoje.

Se a Yuuri e a Chito conseguem viver no fim do mundo com o que elas têm pra hoje, quem sou eu para reclamar disso do conforto do meu lar?

E o que elas tiveram para esse último episódio era a localização da fábrica de batatas que a Ishii passou para elas no episódio anterior. As rações delas escasseavam (lembre-se que há alguns episódios a Chito disse que só teriam comida para mais um mês), e francamente, no fim do mundo, comida é a maior prioridade. Sabendo que há comida em algum lugar, por que alguém iria fazer qualquer outra coisa que não pegar a dita comida? E esqueça sobre o fim do mundo: quem hoje iria fazer qualquer outra coisa que não seja ir pegar comida? Eu é que não! Principalmente se for batata!

A última batata do mundo

Como já dizia Quincas Borba, ao vencedor, as batatas!, e simplesmente estar vivo nas circunstâncias das protagonistas mais queridas da temporada sem dúvida merece ser classificado como uma grande vitória. Portanto, batatas para Chito e Yuuri. Isso é, se elas conseguirem chegar até lá. Ei, isso ainda é o fim do mundo, não vá pensando que algo vai ser fácil. Então, se puderem vencer mais esse desafio, aí sim, a elas as batatas! Com um desafio extra: a Ishii disse que quando elas vissem, simplesmente saberiam onde é. Elas não viram. Elas não sabiam.

Saíram se equilibrando sobre canos mais ou menos na direção geral que a Ishii disse que deveriam ir. O que não seria um problema tão grande assim não fosse o medo de altura da Chito. Quase paralisada mas sabendo que é morrer na queda rapidamente ou morrer de fome lentamente, ela escolhe a morte rápida. Mas não era seu dia de morrer, e o Yuuri brindou a ela e a nós, expectadores, com um de seus raros momentos de cuidado e afeto com a amiga e parceira. Mais tarde ela tentaria matá-la para compensar, porque aparentemente ela é fã de Fullmetal Alchemist e acredita que suas próprias ações ensejam uma troca equivalente.

Não é todo dia que a Yuuri é legal assim

O importante é que a Chito não caiu. Bom, na verdade ela caiu, mas não no abismo mortal, e sim dentro do cano sobre o qual ela estava se equilibrando. E aí, só aí, ela descobriu qual era o caminho que ela deveria ter seguido desde o começo. Aquela história de “quando você ver, você saberá” finalmente fez sentido. E andando com sentido elas agora estavam mais seguras – seguras de que estavam no caminho certo e seguras de que não iriam cair e morrer a qualquer momento.

O caminho

Tanta segurança de fato despertou a inquietação da Yuuri: que graça há seguir um caminho já feito? Nenhuma graça. Mas que graça há em não poder escolher caminho nenhum porque se está morto de fome? O argumento da Chito é matador. Mas mesmo seguir as setas quase foi sem sentido, haja visto que só restara uma batata na fábrica. O que dizer? Bom, parece que no futuro distante a engenharia genérica, a seleção positiva ou ambas praticadas pelo homem fizeram a batata ter realmente aquele formato de tijolo que apareceu no episódio anterior. Que curioso.

Mais curiosa foi a Yuuri, que não se aguentou quando viu uns botões e teve que apertá-los, para desespero da Chito. Esse foi aquele momento em que ela quase mata a amiga, conforme dito acima. Não suficiente em quase tê-la matado uma vez, ela teve que apertar o botão de novo e quase matá-la mais uma vez. Era só pular/correr para o lado, disse a Yuuri. Eu não sei não, aquela máquina estava tão rápida, a Chito estava quase sendo triturada mesmo correndo com todas as suas forças, eu ficaria com medo de ir para o lado e me aproximar rapidamente demais das dentes do triturador.

Corra Chito, corra! A melhor parte é a cara de nada da Yuuri

De todo modo, apesar da falta de batatas, havia muita farinha de batata. E açúcar e sal. Você sabe, ingredientes para biscoitos duros – rações. Suponho que no futuro distante a maior parte das espécies de bactérias e fungos também se extinguiram, porque nada apodrece nesse mundo. Mas tudo bem, as garotas já têm provações demais, afinal. E então o momento mais mágico do anime até agora acontece: Chito e Yuuri cozinharam. De coisas que elas encontraram, elas criaram outra coisa. Se o mundo já chegou mesmo ao fim, criar algo novo deveria ser filosoficamente impossível.

Para elas o mundo não acabou, como eu já disse noutros artigos, então para elas isso não é impossível. Elas já haviam mostrado o quanto são criativas no que eu ainda acho ter sido o melhor episódio do anime até agora, o quinto, quando usaram a imaginação para criar um quarto mobiliado em suas mentes e depois quando fizeram música com os sons da chuva. Mas isso ainda não era criar algo palpável, durável. A única pessoa que tentou isso nesse anime até agora fracassou: o avião de Ishii se despedaçou em pleno voo, quando mal havia decolado.

Chito e Yuuri conseguiram ter sucesso onde Ishii falhou. Elas não criaram um avião porque nunca foi esse o desejo delas, elas estão vagando por aí apenas para viver – ou estão vivendo enquanto viajam por aí, o que provavelmente é a verdade do ponto de vista delas. Elas precisam comer, então parte das viagens delas consiste em encontrar comida. Esperavam encontrar batatas como as que comeram com Ishii, mas só restava uma, e ao invés encontraram farinha, sal e açúcar. Suponho que pudessem comer a farinha no estado em que estava, mas que graça teria?

Elas estavam felizes pra caramba durante todo o processo

Elas criaram biscoitos. Compartilharam no processo uma experiência multi-sensorial – o tato ao sovar a massa, os olhos para ver o ponto, olfato e paladar para sentir o aroma e provar os biscoitos. A maioria em barras iguais às rações que comem, porque é com o que estão acostumadas, mas Yuuri – que foi quem teve a ideia de fazer música também – não se contentou com apenas isso. Ao invés de seguir as setas metafóricas o caminho todo, ela ousou ir por outra rota e fez também biscoitos em formatos sortidos, de acordo com o que ela tem na memória. Simples batatas se transformaram em uma pequena obra de arte que elas produziram juntas e que as manterá nutridas enquanto durar.

Contemple!

  1. O mais existencialista dos animes, como é que uma peça de entretenimento pop nos obriga a fazer tantas perguntas a nós (e sobre nós) mesmos? Não sou de comprar figurines mas da Chichan e da Yuu com certeza elas fazem vc lembrar do que é o “ser humano”

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Pop ou não, cultura de massa ou não, ela ainda é produzida por uma artista (a mangaká), que coloca sua subjetividade na obra. Não me apetecem discursos que menosprezem cultura pop só por ela ser supostamente “inferior”.

  2. E o mais engraçado é ver os comentários em outros sites (gringos principalmente) apontando os “buracos” que o anime tem no plot, mas o anime não é um guia de sobrevivência num mundo distopico (vc já tem o mentiroso Bear Grillys para isso) é filosofia na veia…

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      O mundo de Girls’ Last Tour é muito interessante, eu gosto de ficar pensando sobre a coesão dele, ou especulando sobre seus detalhes. Faço isso em alguns dos meus artigos, inclusive! Mas obviamente tudo isso é só cenário, é só plano de fundo, e não deve ser interpretado literalmente. A história é sobre as relações entre as duas protagonistas e sobre o que elas representam ou podem representar.

      Obrigado pela visita e pelos comentários =)

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