Bom dia!

Nessa semana em Toji no Miko a party contra o Rei Demônio Yukari Origami finalmente se completou. Tudo porque a Sayaka gostou muito dos cookies e do band-aid fofinho da Mai e do abraço da Kanami e não quis, para espanto da diretora da Renpu, se tornar uma máquina de combate sem sentimentos.

Essa Yukina está sendo um personagem terrível, ela faz sentido na proporção inversa ao tempo de tela que tem – e ela tem muito tempo de tela. A Mai, por outro lado, é super boazinha e grande amiga da Kanami, a protagonista, mas não foi por causa dela que finalmente se uniu à causa. Foi porque aquela menininha franzina, que fala pouco e baixo e que amou seus cookies, lhe pediu ajuda. E mesmo assim ela não parecia ter noção de em quê estava se metendo. Mas está tudo bem quando acaba bem, não é?

Começando com uma aula de história, parece que a Yukari faz parte de um programa de criação de soldados perfeitos através da utilização do noro. E quem está por trás de tudo? Os americanos, é lógico! O bode expiatório de sempre dos animes. O único americano que apareceu até agora no anime é um dos líderes da rebelião, um aliado das donzelas que lutam pelo bem e pela tradição japonesa. Não obstante, só é assim porque ele desertou (mais ou menos, ele é cientista, não soldado, mas a ideia se mantém). Não estranharei caso no futuro apareçam os yankees malvados – talvez depois de uma Yukari derrotada e regenerada passar para o lado das heroínas? Talvez ela se sacrifique para isso? Ela é da tradicional família Origami e tradição é tão importante assim, afinal de contas. Até a co-líder da resistência é uma Origami! O que quer que aconteça, no final o Clã Origami continuará o líder nacional inconteste das tojis. Vão-se os anéis, ficam os dedos.

Quem não quer um avô desses, hein?

Voltando à Sayaka, por que ela se submeteu aos experimentos horríveis que a diretora Yukina conduziu em primeiro lugar? Por que causa, motivo, razão ou circunstância ela achava que estaria “tudo bem” deixar de ter sentimentos e ser dominada pelo noro? Pelo que o anime entregou, não existe nenhuma razão a não ser a tradição. Em uma estrutura hierárquica tradicional não é como se ela tivesse escolha em primeiro lugar. Ela, uma simples pupila, não tem agência. Sua mestra a escolheu para uma tarefa e é isso que ela tem que fazer. Só isso explica, no momento, porque ela aceitou tudo calada e porque foi tão difícil decidir fugir, além de explicar como a Yukina ficou tão chocada. Ela não parecia contrariada como um vilão que teve seu plano desbaratado, mas sim horrorizada, como uma mãe rejeitada pela filha apesar de tudo de bom que fez para ela.

Renpu 100% chocada só porque Sayaka não deixou que ela injetasse drogas no pescoço dela

No final das contas, tanto rebeldes quanto os defensores do status quo lutam em defesa da tradição, ou em seu nome justificam seus atos. A Yukari promoveu uma larga modificação da tradição no manejo do noro? Sem dúvida, mas ela fez isso em nome de outra tradição: o Japão forte. Um Japão com guerreiras poderosas e implacáveis, o que só é possível em sua avaliação com o manejo em larga escala do noro. Também de seu ponto de vista, vão-se os anéis mas ficam os dedos. O mundo mudou, isso é importante para justificar tudo e não é por outra razão que a ocupação americana no pós-guerra é mencionada, e porque o mundo mudou o Japão precisa mudar. Mas como mudar sem perder sua identidade? Como equilibrar a tradição e a novidade? As duas facções que se opõe em Toji no Miko realmente só discordam nos meios, mas ideologicamente almejam o mesmo fim.

Sayaka tem uma dificuldade enorme para se livrar de sua prisão psicológica e dizer que não quer voltar

Claro que a Yukari é inequivocamente a vilã, por isso suas guardas pessoais possuem graus variados de perversão, por isso a aparentemente única diretora leal a ela, Yukina da Renpu, é tão insanamente irritante. Tudo ao redor dela precisa gritar “vilania”, “maldade”. Do outro lado, uma adolescente que perdeu sua mãe. Um avô coruja que adora sua neta. Uma diretora de escola altruísta que está disposta a aguentar quaisquer consequências para ajudar suas alunas. Uma irmã da vilã com um sorriso amigável.

Uma vilã precisa ganhar pontos de vilania todo episódio. Que tal estapear sem motivo uma pessoa ferida, sob tratamento médico?

Sendo tão formulaico e abusando de clichês questionáveis, Toji no Miko precisa fazer bonito com seus personagens e suas cenas de ação. As cenas de ação não são grande coisa, bem pelo contrário. As personagens são todas clichês ambulantes, mas não são clichês necessariamente ruins, e achei particularmente interessante a relação do par Kanami e Hiyori até agora. A relação entre Mai e Sayaka foi corrida e bem menos inspirada, mas agora que todas estão juntas vamos ver como vão ser as coisas. E quem sabe até a ação melhore?

Se for essa Origami, então tudo bem!

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