Devido a alguns intempéries envolvendo a equipe do blog, Mahou Tsukai no Yome quase ficava sem redator para o seu segundo cour, mas graças à colaboração do Flávio – que vai assumir Ryuuou no Oshigoto! para que eu possa comentar este anime –, foi possível dar continuidade a prazerosa tarefa que será comentar uma obra de tamanha qualidade. Seja bem-vinda de volta, noiva do velho mago!

Sim, é estranho algo que ainda será, continuar a ser, mas como vejo o anime e leio o mangá, conheço a obra bem o suficiente para ter plena certeza de que será gratificante dar forma ao que penso dela.

Sem mais delongas, esse segundo cour começa já apresentando um novo personagem das sombras enquanto passa flashes de um momento futuro em que a Chise e o Elias se envolvem em problemas ainda maiores(?). Ainda é cedo para afirmar isso, mas os indícios já são dados aqui e mesmo um trecho tão curto já remete uma das maiores qualidades dessa obra: a constância com a qual são dados novos desafios a Chise. Em uma história que promete um desenvolvimento da sua protagonista, colocá-la sempre em face de situações que ou fortalecem os laços que ela já construiu com as pessoas a sua volta ou faz ela criar novos é importante, ainda mais se ela vai amadurecendo com isso enquanto o universo mágico de Mahou Tsukai vai sendo expandido de forma gradativa e dinâmica.

Que infortúnios a nossa querida garota dos cabelos vermelhos ainda terá que enfrentar?

Parece o destino este anime voltar ao blog após tanto tempo justamente quando a Chise volta para casa e, mesmo que mais uma vez ela seja posta em perigo por conta de sua natureza Sleigh Beggy, o que vem a seguir não é a resiliência de uma frágil princesa em perigo que sempre precisa ser salva, mas a timidez se contrapondo a atitude de uma garota que demonstra coragem para conversar francamente com a pessoa que a acolheu e expressar que quer estreitar a sua relação com ela, que quer conhecê-la melhor e ajudá-la a entender sentimentos sobre os quais não tem conhecimento. Isso ao mesmo tempo em que ela mesma revela detalhes ainda não conhecidos sobre o seu passado.

A figura impassível e centrada do Elias contrasta bem com a criança que ele é por dentro já que desconhece a natureza de sentimentos tão comuns aos humanos, o que é deveras interessante, além de que a adição de um papel a Chise – agora sendo não só aprendiz de magia, mas também “professora de sentimentos humanos” – dá novas cores a uma relação que vai muito além dos conceitos convencionais de hierarquia e organização familiar, pois ao mesmo tempo em que ela é aprendiz e noiva, também assume um papel de filha que precisa ser cuidada, e de irmã mais velha que é capaz de cuidar. Construir essa relação e acrescentar camadas a ela a cada episódio é um investimento mais que acertado, pois só assim seremos capazes de sentir diferentes e pungentes emoções quando essa relação for posta à prova, quando esses dias tranquilos – ainda que agitados – forem postos em risco – e eles serão, é só uma questão de tempo para que mais adversidades surjam no caminho desses dois. Após finalizar a sua varinha, um momento simbólico para a Chise em seu amadurecimento enquanto maga, o narrador soturno retorna para pregar uma peça surpreendente.

Espero estar errado quanto a achar que a obra terá um final ao menos em parte triste…

Olhos de Brasa é um dos personagens de índole dúbia, que muito me agrada nesta obra, pois aqui os seres envoltos por magia não se mostram muito diferentes do que se poderia esperar de pessoas comuns que são movidas por seus próprios interesses e não por um modelo planificado de bem ou mal. É engraçado observar que logo seres que fazem parte de um mundo mágico não apresentam traços cartunesco de vilania, tão comuns a obras em que a fantasia se faz tão presente. Mahou Tsukai preza por um equilíbrio de caráter realista – o máximo possível em uma obra de tal gênero – cujo resultado pode ser visto nessa ausência de vilões ou de “forças do mal” opositoras aos protagonistas. O mais próximo de um vilão seria o Joseph, que em suas aparições me pareceu mais um antagonista de cor “cinza” – ainda que mais inclinado para o “mal” – que um vilão por excelência.

Transformar a Chise em animal foi um tanto quanto surpreendente e atenuou a tensão pretendida ao momento, fazendo a situação toda parecer mais uma peça pregada no Elias e nela – ainda que com sua parcela de risco claramente presente. É com esse final que seguimos em direção ao episódio 14.

Essa forma me surpreendeu e a achei muito bonita e interessante também

Antes de voltar à história, só gostaria de dizer que achei a nova abertura e o novo encerramento excelentes – mesmo quando acho que os antigos representam melhor a identidade da obra e, portanto, são melhores. A situação da Chise transformada logo é resolvida e sobre esse momento só gostaria de pontuar como é bela a demonstração de afeto do Elias para com ela por meio da representação da ausência dela com o frio e a solidão, enquanto a sua presença é calor e alegria. O anime fez o dever de casa direitinho ao fazer com que tais palavras tivessem a devida importância.

É tão maravilhoso se sentir necessário para alguém e saber o quanto essa pessoa te adora!

O que norteia o episódio é a ajuda que a Chise provém a Leanan sídhe cujo amor está para partir, mostrando mais uma vez a sua total disposição a ajudar ao próximo mesmo que pondo a sua vida em risco – não é à toa que a Chise é candidata na categoria de melhor herói do ano passado na votação da Crunchyroll, mesmo que ela não siga o padrão normal de heroína ao qual estamos acostumados.

Que coisa maravilhosa é a convivência, vocês não acham? Apesar de temer pela vida de sua pupila, o Elias entende que não deveria pará-la e isso é um claro reflexo do quanto ele já conhece a sua noiva.

Vamos todos rever a cena para chorar mais uma vez? Essa frase acaba comigo de uma forma…

Com a Chise sabendo o que tem que fazer e como tem que fazer, o que nos resta é acompanhar os momentos finais de um casal que nunca foi um casal de fato e ainda assim compartilhou uma linda história de amor e de vida. É incrível como dois personagens e uma relação que foi apresentada em apenas um episódio semanas antes deste já foi capaz de proporcionar um momento tão profundo e tocante. Cada diálogo, cada expressão, cada música, cada tomada de decisão do roteiro e da direção deram margem para que não fosse nada estranho que o telespectador vertesse lágrimas com aquele desfecho – meu caso. Em tão pouco tempo nos foi dado tanto para nos agarrarmos e logo algo que cruza tão bem ambos os mundos, humano e da magia, como se para nos mostrar mais uma faceta que comprova o quão edificante é uma história que sabe trabalhar um drama de forma tão magistral.

No resto do episódio outro ponto positivo do anime reaparece: o fato de que todos os atos têm consequências equivalentes. Após produzir a pomada de fada era até previsível que o corpo da Chise colapsasse outra vez, e é assim que nos é dado mais um final que instiga para ver o próximo episódio mesmo que saibamos que tudo deve ficar bem – nossa heroína ainda tem muita história pela frente.

Um dos muitos momentos em que um anime fez eu me entregar às lágrimas de todo o coração…

Aproveitar toda esta situação para apresentar ao público o país das fadas foi bastante interessante, pois apesar de o foco da história ter se voltado a um lugar novo com belas e, literalmente, mágicas paisagens, o importante continuou sendo a execução da narrativa e como, principalmente no que se referiu ao Elias, ela se deu de forma a ilustrar fatos passados ao mesmo tempo em que apontava caminhos futuros. Ficou claro que o Elias não vai abrir mão de viver com a Chise como humana no mundo humano, tentando entender os humanos para ser capaz de conviver com eles, buscando formas de fazê-la viver apesar da sua condição como Sleigh Beggy. O momento em que o Elias fala que os humanos sempre o temeram ao mesmo tempo em que sempre o aceitaram é uma das muitas amostras de como o roteiro dessa obra – seja em seu mangá ou nessa adaptação – conseguem nem ser tão rebuscado ao ponto de dificultar a emissão da mensagem para qualquer pessoa nem ser tão simples ao ponto de facilitar a não fixação da intenção do diálogo, geralmente alcançado um equilíbrio constante entre forma e conteúdo – o que apontei em meu artigo de indicação do mangá.

A Chise ainda tem muito o que viver então ela vai lutar pela vida com unhas e dentes!

Não bastasse o ótimo momento envolvendo os protagonistas, conhecemos um pouco do passado da Silky através de um flashback invocado por sua excruciante solidão – passar tanto tempo longe daqueles que são sua família deve ser horrível para alguém que tem o cuidar em sua natureza. Vimos que ela teve uma nova chance de servir a um lar e recebeu um novo nome logo do Spriggan, que tanto implica com o Elias, em um trecho com um certo teor dramático e uma beleza sutil, cuja função foi aprofundar um pouco uma personagem que quase nunca se destaca, mas sempre está bem encaixadinha na trama, assim como ligar as duas pontas daquele núcleo familiar com o intuito de propiciar uma calorosa recepção àqueles que estiveram fora e retornaram justamente no inverno, época na qual todas as formas de calor podem ser encontradas em um lar que está repleto de amor.

O sorriso dela me passa uma sensação tão calorosa, tão reconfortante…

A noiva do velho mago voltou com tudo ao blog, mantendo a qualidade da primeira temporada e quiçá elevando a expectativa ante ao seu desfecho não tão distante, explorando o melhor de algumas de suas qualidades e nos dando motivos para nos afeiçoarmos ainda mais a seus personagens principais. É com prazer que reafirmo meu apreço a essa obra e minha felicidade em poder comentá-la aqui para vocês e espero que os próximos episódios sejam tão interessantes e bons quanto esses foram. Espero também que estejam gostando do anime e que tenham gostado deste artigo. Me despeço com a sensação de dever cumprido e ânimo por ainda mais. Até a próxima!

Enfim a família está reunida outra vez!

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