Mahou Tsukai continua agitado como nos episódios anteriores, mas dessa vez foca seus esforços em desenvolver e aprofundar laços tendo a Chise no centro dessas relações, e tudo isso em meio a época mais propícia aos bons sentimentos: as festas de fim de ano. Vamos falar de magia e amizade?

O começo do episódio 16 se volta às preparações para a festa de Natal e tem como ponto forte outra qualidade dessa obra, a excelente caracterização desse mundo encantado que cerca a Sleigh Beggy e seu mestre, um mundo belo e natural que nos incita a uma contemplação atenciosa e reconfortante, cuja imersão é importante para nos aproximar desse universo e nos fazer ver no que ele acrescenta à formação da garota. Por outro lado, a cena do beijo foi bonita e não muito desconcertante, o que foi bom, porque qualquer entoação romântica não me pareceria adequada à história nesse momento.

Belas paisagens combinam com uma bela história.

O passeio da Chise com a Alice para comprar presentes para seus tutores foi o ponto alto do episódio, pois através dele não só conhecemos um pouco do passado difícil da Alice – o qual, aliás, aponta outra qualidade da obra, a sua capacidade de misturar o urbano, com a marginalização e as drogas, ao místico, com a feitiçaria e seu praticante, de forma equilibrada e coesa –, o que facilita a empatia do público para com a moça, como também vimos o laço entre ela e a Chise se estreitar e como para ambas é importante ter uma amiga. A Chise encontrar alguém que tenha muitas semelhanças – ambas são mulheres, são jovens, tiveram passados trágicos e tem uma figura masculina importante em suas vidas – com ela é algo bom para a sua formação como pessoa, pois poder compartilhar os seus problemas e as suas alegrias com quem tem uma maior capacidade de identificação com você ajudo no processo de amadurecimento que é necessário a todo ser humano.

Só eu adoro o fato delas se tornarem boas amigas?

É prejudicial crescer em uma redoma, e fazer amizades é uma das formas mais significativas e potencialmente recompensantes de amadurecer para viver em sociedade, para fazer com que a pessoa seja capaz de se relacionar com o próximo de forma que seja benéfica para ambos.

Ao chegar em casa após a sua escapadinha – outra coisa que me agrada muito é um certo nível de independência que a Chise mantém do Elias, impedindo que a relação deles se torne nociva à garota – é hora de abrir presentes! Foi muito bonito ver como ao longo de 16 episódios várias pessoas já têm apreço o suficiente pela garota para presenteá-la, para considerá-la um ser humano digno de afeto, esse que ela já havia perdido as esperanças de encontrar lá no comecinho da obra quando foi comprada pelo Elias. Ela dormir desejando acordar no dia seguinte demonstra o quanto para ela hoje em dia viver é algo bom. Neste ponto, o anime chega a dois terços de sua extensão e ver que a história dessa personagem tão incrível evoluiu de diversas formas é muito satisfatório. O episódio termina com um cliffhanger envolvendo os Olhos de brasa, uma criança e algo que não parece bom.

Uma cama quente, um anjo da guarda e afeto. Tudo que uma garota precisa!

Confesso que esperava um pouco mais de aventura nesse segundo cour, mas não é como se centrar os acontecimentos no vilarejo no qual eles moram fosse algo ruim, até porque continuam surgindo “missões” para a Chise, e ajudar a encontrar o irmão da garotinha foi uma delas, uma boa por sinal, já que ela se envolveu nessa busca ao ponto de ir parar na mesma situação da garota e, desse jeito, construir mais facilmente um vínculo com mais uma pessoa. Quando, em certo nível, você sente pelo que a pessoa passou, você se coloca no lugar do outro e é capaz de se sensibilizar mais fácil, e se tem uma coisa que a Chise faz é ajudar ao próximo – ela nunca virou as costas para quem precisava dela.

Chega a ser engraçado como alguém que foi tão maltratada pelo mundo não é revoltada com a vida, pelo contrário, pois em seu coração há muito espaço para acolher o sofrimento alheio e tentar transformá-lo em algo bom, porque para ela essa é a coisa certa a se fazer – algo bem legal de se ver.

O sobrenatural pode ser instigante, mas não se compara ao que nos é mais caro: a família.

A busca pelo irmão só foi bem-sucedida por causa dos seres mágicos da floresta, o que faz ainda mais sentido ao lembrarmos que ela como Sleigh Beggy os atrai, e isso ajuda a dar base a toda essa gama de seres e suas magias, tendo em momentos como esse um belo motivo para estarem ali. No fim do caminho o que encontram é esse ser dúbio que não tem pudor em brincar com a vida humana, o que de certa forma é compreensível por ele se considerar uma criatura que está “acima” da humanidade.

A “dica” que ele dá a ela deixa ainda mais evidente de que aquilo era só uma brincadeira, e usar o artefato que a transforma em animal para encontrar o Elias e o Ethan foi uma boa forma de justificar o curtíssimo trecho em que o objeto e seu doador são apresentados. Algo que tem uma importância temática ou simbólica em um momento, e em um momento posterior apresenta utilidade prática, só reforça a minha impressão do quanto essa obra é bem bolada e executada até o melhor fim possível.

Acho muito bacana esse toque mais “animalesco” adicionado a ela agora.

Aproveitar o contato entre a criança e o mago para demonstrar de forma bem clara o que eu já havia comentado antes – que no que tece aos sentimentos humanos o Elias ainda é uma criança ignorante – e é algo que realmente está sendo debatido na obra foi positivo, pois é desse jeito que o Elias deve ir sendo capaz de compreender o que são esses laços que formam uma família, o que são essas novas e estranhas sensações que ele anda experimentando desde que a Chise faz parte da vida dele.

Sou da opinião de que ótimas histórias conseguem trabalhar os dramas de personagens novos ao mesmo tempo em que fazem isso com personagens antigos através da conexão do que há de comum entre os dois núcleos que se tocaram. A gente vê isso nesse anime e isso me deixa muito feliz – assim como ver o Elias fazendo cosplay personalizado de Chise. O episódio acaba com a situação resolvida, uma amizade formada e um detalhe deveras sutil quanto ao que vão trabalhar no episódio seguinte.

Quem acha que a amizade é a forma de amor mais bonita do mundo levanta a mão!

O argumento trabalhado ao longo desse episódio é uma continuidade do que vem sendo explorado desde que eles voltaram do país das fadas, a importância da amizade no crescimento da Chise e o desenvolvimento da capacidade de manter uma relação interpessoal saudável com um humano por parte do Elias. Já podemos dizer que a Stella é a segunda amiga próxima da Chise, pois a diferença de idade delas não é tão grande ao ponto de causar um choque de gerações, e elas terem passado por uma experiência de extremo estresse propiciou essa rápida aproximação sem que parecesse forçada. É bom vê-la fazendo duas amizades que são como polos distintos, uma com alguém que pertence ao mesmo mundo mágico no qual ela está inserida, outra que é apenas uma pessoa comum. Trazer um pouco da magia para a vida comum e também o contrário é uma forma interessante de balancear o que cada relação dessas pode oferecer de bom para ela e o que ela pode oferecer de bom a pessoa.

Só eu adoro ver o mundo normal e o mundo mágico de mãos dadas nessa cena?

A “birra” do Elias que ocupou boa parte do episódio faz sentido se lembrarmos que apesar da atitude pomposa e da personalidade centrada por debaixo do traje elegante e cortês, há uma besta de origem e natureza desconhecidas que tem um longo histórico de rejeição e aceitação por parte dos humanos sem, contudo, ter tido abertura para desenvolver um relacionamento tão íntimo e peculiar com um dos seres dessa espécie. Para ele sentir coisas como inveja e ciúmes é algo completamente novo e devido a ele apenas “imitar” bem a forma de agir e raciocinar de um humano sem, contudo, ter todas as concepções morais e o traquejo de um, a sua resposta a situação ser tão abrupta e imatura – reforçando com essa atitude o quanto ele ainda é apenas uma criança – era algo até esperado. Ele não fez por mal, só ainda não sabe lidar com o fato de que aquela que é especial para ele tem e pode ter outros tipos de relações com outras pessoas, relações essas que não girem em torno dele, que sejam mais particulares a Chise. Ele ainda tem que ganhar uma noção do “espaço”, que cada pessoa deve ter e para tal mudança, um tanto quanto profunda, é preciso de certo tempo.

Colocar em palavras o que um personagem está sentindo e isso fazer com que o outro perceba que já sentiu ou ainda sente o mesmo é um jeito eficiente de trabalhar ambos, fazendo-os passarem mais ou menos pela mesma experiência, só que colocando um no lugar que normalmente se esperaria do outro – como bem aponta o Ruth, aqueles que mais pareciam pai e mãe agora aparentam ser mãe e filho –, colocando um sob um ponto de vista diferente que o ajude a se aperceber de seus erros e assim aconselhar o outro a não seguir pelo mesmo caminho. Fica claro que o que ela sentiu ao ver a família da menina foi o mesmo que o Elias sentiu ao vê-la com a sua amiga, sendo assim, a Chise não seria a pessoa mais “recursada” para ajudá-lo a entender os sentimentos humanos, e ela não é, tanto que ao ajudá-lo a garota também deve ir amadurecendo e aprendendo várias coisas boas com isso.

Gosto dessa posição “peculiar” dela e dos tentáculos não terem sido usados para besteiras

Ficou mais do que claro que o Joseph e o Olhos de brasa estão armando alguma coisa, então reservar a última parte do episódio para algo mais calmo e relaxante – mesmo que ainda com certa tensão no ar – foi uma boa pedida para fechar mais um momento em “A noiva do velho mago”. A natureza Sleigh Beggy da amável Chise será posta à prova de novo? O quanto o que foi trabalhado ao longo desses episódios será reaproveitado? O que planeja o “vilão” com suas ações misteriosas? Para responder a essas e outras perguntas sintonizem nesse mesmo canal e horário na semana que vem!

Um momento tranquilo e doce.

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