Bom dia!

Antes de assistir a esse episódio eu estava vislumbrando a possibilidade de escrever sobre ele para a quarta-feira mesmo, e adiar o artigo de Fate/Extra para hoje. Mas o episódio foi bem mais calmo do que os anteriores, mais até do que a média do anime, enfim, julguei que não era algo que justificasse a pressa.

Nem o episódio teve pressa. Foi só um fim de viagem mesmo. Viagens são todas diferentes, mas sempre terminam do mesmo jeito.

E que jornada foi essa de Shirase, Mari, Hinata e Yuzuki, não é? Foi tudo tão intenso! Intenso como a própria juventude, ou como a visão romântica que nós, adultos, temos da juventude. As quatro garotas fizeram juntas a mesma viagem, e ao mesmo tempo cada uma fez a sua própria viagem. Yuzuki queria amigas. Hinata queria poder confiar em alguém. Shirase queria superar a morte da mãe. E a Mari, bom, a Mari só queria poder olhar para o passado e dizer “ali eu fui feliz!”.

Shirase provavelmente não seria capaz de sorrir assim antes dessa jornada

Elas prometem um dia viajar juntas de novo. Claro. Eu já prometi muitas vezes sair e me reencontrar com amigos do colégio ou do ginásio. Exceto por aqueles com quem mantive contato durante todo esse tempo, nunca mais revi a maioria deles. Nunca fui nesses encontros e reencontros. E isso não tem problema nenhum, sabe por quê? Porque o que eu tive com eles, na minha distante juventude, permanece igual. Prometer fazer algo, sair juntos, nos reencontrarmos, é mais uma forma de dizer “sim, naquela época, com você, eu fui feliz!” do que realmente agendar um programa.

Nos últimos dias de sua estadia na Antártica, as garotas se esforçam para terminar de fazer tudo o que elas querem fazer por lá – exceto talvez pela Shirase, provavelmente as demais nunca porão seus pés no continente gelado de novo, afinal. Ao mesmo tempo, o cotidiano da base continua. Uma sensação de melancolia começa a crescer. Elas recebem presentes de despedida, a Yuzuki dá um autógrafo para um fã – que está ansioso por sua novela!, a Shirase é cercada por pinguins, e a Mari quer ficar. Ela quer ficar porque gostou muito da Antártica?

Ainda restam alguns dias, mas a melancolia já começa a se acumular na expressão da Mari

Não, é porque não quer se separar das outras. Ela está tendo uma experiência tão fantástica, está tão feliz só por estar ali com suas amigas que ela não quer que aquilo acabe nunca. Você provavelmente entende isso. Todo mundo já passou por isso pelo menos uma vez. Quando somos crianças bem pequenas geralmente é algo bobo, como visitar a casa de um amigo. Que criança nunca chorou porque não queria ir embora da casa do amigo? É isso o que a Mari está sentindo, mas nenhuma delas ali é criança. Ela sabe disso, todas elas sabem disso.

Na despedida das garotas e dos demais membros da expedição, Shirase é convidada a discursar em nome das quatro, mas é apenas em nome de si mesma que fala. Ela deixa claro que conseguiu, enfim, fazer as pazes consigo mesma e aceitar a morte da mãe. Ela cortou o próprio cabelo como sinal de que pretende seguir em frente. Gin, que durante todos esses anos carregou a culpa pela morte da melhor amiga e mãe da Shirase, chorou como nunca. Ela provavelmente nunca vai deixar de se sentir culpada, pensando que poderia ter feito alguma coisa diferente, que poderia ter evitado a morte da Takako, mas pelo menos ela não ficará mais com medo e vergonha do olhar da Shirase. Além disso, ela provavelmente deve ter tido sua própria dificuldade pessoal para superar a morte da Takako, e está emocionada ao ver que a garota também conseguiu dar esse passo, finalmente.

A última coisa que a Shirase precisa fazer antes de ir embora, para provar que realmente está deixando sua mãe para trás, é literalmente deixar o notebook dela para trás, com a Gin, sua melhor amiga. Agora sim, as garotas partem dessa terra fantástica, mais longe que o universo. A aurora que elas finalmente veem, já na viagem, é como um portal que conecta duas dimensões diferentes da realidade. E é nesse lugar mágico, durante essa última transição, que a Shirase finalmente recebe a última mensagem de sua mãe (que estava em seu notebook mas a garota não viu): era justamente de uma aurora. Passado e presente se conectam, se abraçam e se despedem uma última vez sob as luzes mágicas do céu polar.

Shirase recebe a última mensagem de sua mãe

É muito mais bonito ao vivo, garante Takako. E é mesmo. Mais do que quaisquer objetos e lembrancinhas que as quatro garotas possam ter trazido da Antártica, muito mais do que elas são capazes de expressar, comunicar, o mais belo e mais importante são as experiências que elas viveram. Elas se despedem. Cada uma volta para o seu lugar no mundo. E agora é a hora de nos despedirmos delas também. Essa viagem as mudou para sempre, e as experiências e mudanças delas são inspiradoras – o monólogo de despedida do anime diz literalmente que é importante sair em uma jornada. Sora yori mo Tooi Basho está tentando nos dizer algo, e não está sendo discreto sobre isso. Megu, a amiga de Mari, resolveu partir ela própria em sua jornada – ela foi para longe, bem longe, para poder voltar a ficar perto.

“Estou no Polo Norte agora!”

Adeus! Shirase, Hinata, Yuzuki, Mari. Vou sentir falta de vocês, nosso tempo acabou e isso me deixa triste, mas o mais importante é o tempo que passamos juntos. E você, leitora, leitor, sentirá falta de Sora yori mo Tooi Basho? Será que a jornada de Mari, Shirase, Yuzuki e Hinata te inspirou também?

“Mas estou tão feliz! Mas eles fedem! Mas estou tão feliz!”

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Foi um anime muito bom mesmo, é uma surpresa, eu não esperava tudo isso no começo da temporada!

      Muito obrigado pela visita e pelo comentário! Espero que continue acompanhando animes com a gente =)

  1. E assim termina o melhor anime desta temporada (que foi uma surpresa para mim). Este último episódio, mostrou o quão pouco, eu estava preparado para o fim de Sora Yori. No episódio anterior, não consegui conter a emoção, neste então nem sei o que dizer. Ao longo deste último episódio, só conseguia pensar, este anime não pode terminar agora, eu quero ver mais das vicissitudes do quarteto, quero ver como elas se darão no futuro e se conseguirão continuar com os seus sonhos (Madhouse, pelo menos, um OVA deste anime, nunca te pedi nada).
    Ver a Shirase, com aquele grande sorriso e aparência da sua mãe, foi muito bom, aquele sorriso gigante mostrou que ela, conseguiu superar os seus fantasmas do passado. Na parte da despedida, ver a Gin a chorar, no discurso de despedida da Shirase, foi muito bonito. A cena do quarteto (Shirase, Mari, Hinata e Yuzuki) a verem as auroras boreais é digna de ser eternizada num wallpaper ou mesmo num GIF.
    Fiquei bem feliz, de mesmo no final do episódio a Megu deu as caras e ainda por cima a ver as auroras boreais no Polo Norte.
    Foi muito bom, acompanhar os teus artigos de Sora Yori Fábio (eu meio, que fui pego pelo teu entusiasmo por este anime e não me arrependo de lhe ter dado uma chance). Sora Yori, quiçá, foi o anime que tive mais gosto de dar nota 9 (só não levou nota 10, por causa da animação mediana e algumas conveniências na história).

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      OVA? Quem sabe sai um episódio extra nos DVDs, mas como nada foi revelado a respeito ainda, acho pouco provável, infelizmente. O Madhouse não é um estúdio que costume fazer muitas continuações, e essa história em particular está muito bem fechada. Claro que eu quero continuar com Mari, Shirase, Hinata e Yuzuki, como li alguém dizer nalgum lugar, é como se eu me sentisse ali com elas também, como se eu tivesse ido para a Antártica e vivido tudo aquilo que elas viveram. Adoro todas elas, como não iria querer continuar com elas?

      Mas é como a Mari disse: Ser amigo significa estar juntos mesmo quando estamos separados. Vamos levar essa lição em nosso coração =)

      Fechar com a Megu no Polo Norte foi o último golpe de mestre desse anime. 10/10 sim =P

      Obrigado pela visita e pelo comentário!

  2. Sora Yori foi uma experiência bem interessante! Não foi uma das minhas apostas iniciais da temporada, mas conforme as discussões (e memes) sobre a mesma iam pipocando por aí, não consegui conter minha curiosidade sobre este anime com um cenário tão peculiar. Acredito que a obra já estava chegando em seu décimo episódio, quando finalmente a alcancei. Porém, não precisei de mais do que alguns poucos episódios para entender o impacto que a mesma causou na comunidade. Só um bom tempo depois fui descobrir que era uma produção original da Madhouse (ou algo do tipo). O que me chamara a atenção foi a qualidade da produção num geral. Toda a direção artística, a caracterização das personagens, a abordagem dos temas, a riqueza de cenários, o trabalho com seus conflitos pessoais, que transmitiam bastante verossimilhança, e por aí vão as qualidades.

    A série, ao meu ver, conseguiu manter uma qualidade invejável durante todo seu percurso. Claro que houveram alguns momentos com situações um pouco forçadas, outros que o melodrama esteve um pouco fora do tom que acredito ter sido preciso, mas ainda assim as resoluções mais do que me agradaram. Nenhum episódio parecia arrastado ou um tanto desnecessário.

    Acredito que todo personagem siga um arquétipo e até na vida real não ficamos imune a essas classificações, por infindáveis que sejam nossas emoções. E é justamente saber trabalhar essas características-chave de maneira com que as personagens transmitam mais naturalidade em seus desejos e ações, que fez esta produção me conquistar por completo. Eu realmente conseguia me conectar ao conflito apresentado e sentir a representação de peso que os mesmos carregavam.

    Este final foi mais ou menos o esperado. A grande resolução se deu no anterior, então um episódio focado na despedida e no retorno à normalidade poderia até ter sido mais simples, não fosse o empenho da produção em tornar cada episódio, único. Tudo se fechou bem. A evolução de Shirase estava mais do que estampada em seu rosto (seja o grande sorriso ou a mudança estética e simbólica com o corte de cabelo). Todas alcançaram seus objetivos e agora precisavam retornar. E algo que poderia ser completamente ignorado, como a Aurora Boreal, acabou sendo usada simbolicamente para a conclusão da viagem à Antártica. Simbólica para a Shirase e sua mãe, como bem descrito no texto, só que ainda serviu como conclusão de um simples desejo da Mari, deixando a obra bastante redondinha. Um pequeno milagre conveniente, que quando surge apenas causa uma boa impressão.

    PS: Gostei bastante das reviews! Considero-o o melhor redator do site (não à toa é o criador, haha), mas não apenas pela forma com que usa as palavras. Aprecio muito os paralelos feitos para exemplificar uma ideia, sendo muitos com experiências pessoais, que denotam, ao meu ver, maior envolvimento do autor do texto com o que consumira e está a analisar.

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Eu quase que nem assisto Sora yori mo Tooi Basho, que dirá escrever! Não me pareceu que seria horrível, mas a temporada estava cheia de “garotas fofas fazendo coisas”, então esse anime parecia, pela sinopse, só mais um desses. Mas ele foi um dos primeiros a estrear, então eu assisti, seu primeiro episódio me conquistou, e aqui estamos =) Aliás, também gostei bastante de Slow Start e Yuru Camp, dois outros animes sobre “garotas fofas fazendo coisas” da temporada, mas enquanto aqueles foram contentes em ser apenas slice of life, esse aqui claramente se destacou, conseguiu apesar de tudo nos fazer sentir a aventura.

      Sem dúvida foi um anime produzido com muito cuidado, com muito esmero. Isso faz eu me sentir ainda melhor sobre o resultado final, sobre o que senti assistindo. Sobre as situações pouco críveis, sem dúvida houve, sendo a maior delas, a meu ver, terem conseguido destrocar as passagens de avião que haviam trocado de última hora, recebendo todo o dinheiro de volta. Talvez as companhias aéreas de Singapura sejam muito mais legais do que no resto do mundo? Só pode. Mas nunca achei isso um problema. Parto do princípio que a ideia de garotas adolescentes irem para uma expedição científica para a Antártica é forçada o bastante, então se eu pude comprar isso, claro, por que não todo o resto? E isso contrasta com o que eu li em uma entrevista da diretora, dizendo que pesquisaram muito e se esforçaram para que fosse tudo o mais realista possível. Eu acredito na honestidade de sua intenção, mas quando você parte de uma premissa irreal, você nunca conseguirá criar algo totalmente realista. Em termos de verossimilhança, porém, acho que conseguiram acertar em cheio.

      As quatro garotas são diferentes (diferentes arquétipos, se quiser), e todas elas têm falhas. Falhas grandes até: a Shirase não enxerga além de seu objetivo e, sem querer, acaba sendo mandona e despreza os outros, além de sua obsessão a tornar míope para coisas um pouco mais complexas e normalmente fora do seu campo de visão limitado – aposto que sua mãe era igualzinha! A Mari é uma cabeça de vento sem solução. A Hinata não consegue confiar de verdade em ninguém. E falta algo fundamental na psiquê da Yuzuki, que ela nunca desenvolveu por nunca ter tido amizades verdadeiras. Sozinhas, nenhuma delas teria conseguido nada, mas quando trabalharam juntas elas foram até a Antártica e voltaram para nos contar sua história. E que história =)

      Todo o desenvolvimento do anime, o que importa pelo menos, terminou no episódio passado, culminando no clímax da série – e um dos clímaces mais potentes que já assisti em animes, apesar de previsível. Talvez exatamente porque previsível desde o começo. E aqui, faço um aparte: é incrível a quantidade de pessoas que consideravam possível que a mãe da Shirase estivesse viva. Isso não só seria completamente inverossímil, contrariando o cuidado do anime para com os detalhes, como iria contra a própria temática da série. As quatro garotas, desde o começo, e isso se tornou mais evidente quando elas começaram a viagem para a Antártica, estavam lidando com seus problemas pessoais. Era muito obviamente um coming of age. Como eu disse em artigo anterior, a característica do coming of age é nos tornarmos independentes de nossos pais, e não encontramo-los magicamente vivos depois de três anos sozinhos no interior da Antártica, por favor!

      Por fim, o diabo é diabo porque velho, não porque sábio. Eu tenho 35 anos, os demais redatores nem 30 tem ainda, a maioria está ali perto de 20, claro que eu tenho mais do que falar por experiência – não necessariamente tenho mais experiência, mas passei vários anos a mais ruminando sobre as experiências que tive. Recentemente o blog ganhou dois redatores mais velhos também, talvez já tenha os identificado e lido seus artigos? =)

      Obrigado pela visita e pelo comentário!!

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