O sexto episódio de Asobi Asobase é uma aula de como uma série deve respeitar seus atributos e ainda conseguir acrescentar novos elementos para torná-la mais sólida, de quebra, apresentar um pouco mais da personalidade de suas personagens. O que faz do anime um programa tão atraente e inteligente é a forma como as tolices de suas protagonistas e o absurdo, que são seus fundamentos, chegam a um ponto em que parece não haver limite e a sensação é que em algum momento a piada irá afundar, aí de repente ocorre um desdobramento inesperado e já estamos rindo da curva tomada pelo seu humor. Cada esquete do episódio 6 é sensacional, com drama, Hanako aprendendo uma lição e decapitando um robô, problemas com os cabelos e traição no passatempo.

É elogiável o modo como a série não desperdiça personagens, nem situações. Oka-san é um exemplo, e com ela, além de comicidade (o trabalho de voz de sua seiyuu, Mai Kanazawa, é excelente), tem-se comoção, já que, junto com as integrantes do clube dos passatempeiros, ela descobre que Mato Aguri, de apelido Agrippa, o membro do clube de ocultismo que pensa ter sido teletransportada, está, na verdade, doente. É tocante a tristeza que advém da notícia. Então, descobrimos o quanto Olivia tem empatia ao dar a ideia de que Oka realize uma magia pela saúde de Agrippa.

Oka-san e o sentido da amizade: a busca por Agrippa.

O segmento é emotivo, mas seu humor impagável, com a boneca de vodu em que Oka espeta centenas de agulha (e as passatempeiras considerando brutal a imagem) pelo fato de as garotas não saberem qual ser exatamente a doença da jovem ocultista. A intervenção de Chisato-sensei fecha com chave de ouro o esquete. O único lugar em que Oka não coloca agulha é nas nádegas da boneca, no entanto, é o lugar que necessita da hastezinha de aço para cura. Chisato-sensei não revela que Agrippa tem hemorroida para preservar a privacidade da estudante. Afinal, pode ser embaraçoso, já que a menina não revelou nada a sua melhor amiga na escola e de clube. É a melhor decisão, mas a imaginação das garotas é incontrolável.

No segundo segmento temos Hanako se esforçando para ser a melhor aluna da turma. Ela se dedica totalmente aos estudos, abrindo mão de se divertir. Perder para uma colega que estudou com o namorado torna-se um drama, algo inaceitável. Nesse ponto, a série insere uma explicação do narrador, que pode soar didática, mas é essencial para compreender os limites do humor de Asobi Asobase. O narrador deixa claro que Hanako não entende que há diferenças em relação à inteligência e ao processo de aquisição de conhecimento que varia de pessoa a pessoa. O que ela sente é inveja e o fato de uma menina namorar ou se divertir – e até ser dessas que se gabam por estar em um relacionamento – não significa que é menos capaz de se concentrar nos estudos e de levá-lo a sério (como a deusa do prazer do episódio 4, que é uma aluna exemplar). É interessante que o programa aponta que o problema é justamente a imaturidade e a insegurança de Hanako. São eles que fomentam a comédia e não o julgamento sobre a sexualidade de jovens mulheres.

Hanako em crise com a meritocracia. Não tem nada de errado em ser o segundo, garota. É medalha de prata!

Para piorar o estado emocional de Hanako, Kasumi e Olivia estão de recuperação. E é aí que entra em cena Maeda e a sua invenção, em conjunto com o avô da garota, de um androide para interpretar o papel de namorado dela. Apenas em um breve instante, Hanako se empolga com a criação, de resto, é um desastre, por ser assustadora, ineficiente e bizarra, tendo as vozes de Maeda e do avô na programação, o que só aumenta o medo dela a respeito da máquina, que termina sendo decapitada em um momento de fúria.

Hanako está desconfortável com a situação, e seu constrangimento é de ordem sexual. E a reprovação a uma conversa entre Maeda e o avô sobre os seus pelos pubianos é evidente nesse sentido, com a menina desaprovando o teor do assunto ao dizer que se trata de assédio. Por mais que haja um exagero, o sentimento da personagem é levado em consideração, e mesmo que seja inocente, a conversa é estranha e invasiva. Asobi Asobase realiza com precisão sua irreverência ao mesmo tempo em que critica a sua própria piada (mas é compreensível que haja pessoas que se incomodem com o humor e considerem que o programa não realiza um autoexame avaliativo).

O poder destrutivo de Hanako: o fim de uma ideia descabida de dois lunáticos.

O calor e o desejo de Olivia de um corte de cabelo curto geram a comédia da terceira historieta. No começo, Hanako ao ver Olivia com uma tesoura, pronta para cortar as suas mechas douradas, impede-a gritando que isso não a fará parar de feder. É difícil saber se Olivia tem um odor característico ou se Hanako assim julga por ela ser europeia. A afirmação da amiga causa uma tensão, que termina com a sem noção arrebentando a cabeça no quadro negro.

Depois disso, tudo desanda com Olivia cortando a sua franja e a arruinando. Todas as sugestões para concertá-la não funcionam, deixando o penteado dela cada vez mais desastroso. Chisato-sensei entra em cena para tornar a situação menos constrangedora e pesada para a sua aluna já que a garota está com vergonha de sair com o cabelo retalhado (bom, o fato de Olivia não seguir o conselho de Kasumi para procurar uma profissional tem muito a ver com o rumo que a ideia inicial toma). O problema é que a professora faz em Olivia o mesmo corte de franja que o dela, o que não satisfaz completamente a estudante.

O destino cruel de uma franja. Se está ruim, tenha certeza que vai piorar.

O quarto esquete começa com Hanako e Kasumi confundindo Olivia com a sensei, para o desespero da amiga, completando a anedota do segmento anterior. Em seguida, Kasumi propõe jogarem Daikon, que consiste em retirar o adversário de um círculo o puxando pelas pernas. As duas começam o jogo para Olivia conhecer. O que Hanako sabe do Daikon foi ensinado por Maeda, o que significa que haverá algo de excêntrico, no caso uma musiquinha engraçada e embaraçosa (a vergonha de Kasumi ao cantá-la é adorável). Como sempre, Olivia fica perplexa com os jogos, ou melhor, com o modo como as amigas se transformam durante as competições.

Quando Kasumi ativa o modo competitiva não há quem resista, para o desespero de Hanako e Olivia.

Um dos momentos impagáveis do episódio é a sequência em que Kasumi tem que retirar do círculo Hanako e Olivia, na qual rola traição, com Olivia intencionalmente soltando os braços da amiga (elas haviam combinado trabalhar em parceria) e a deixando ser puxada pela oponente, e a voz de Hanako fazendo parecer que está sendo tragada para as profundezas do inferno. Asobi Asobase em seu exagero exige muito de suas seiyuus, que estão fantásticas seguindo o histrionismo das protagonistas.

O sexto episódio da série mantém em alta o implacável absurdo com que contempla o comportamento humano. Porém, sem perder de vista a ternura com as suas personagens, por mais que elas sejam campeãs em travessuras idiotas. Com Asobi Asobasi, o riso é redentor.

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    Nesse ep eu fiquei bem condoido pela Oka uma tadinha só quer fazer amigos que compartilhem seu gosto pelo oculto. Agora as cenas de…reprodução do ato…cof ahhem…com o sexo oposto foi o maximo na conta de gargalhadas (já tinha gasto bem em Grand Blue…Na sequencia) . E um recadinho pro Maeda a hora que quiser vamos tomar umas breja!!!
    Mas essa temporada tá bem servida de comédias!!!

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