Gaikotsu Shotenin Honda-san é uma comédia curta de 11 minutos aproximadamente. Dividida em dois esquetes, a série, com direção de Owl Todoroki e roteiro de Shin Okashima, possui um humor referencial e explora as mais diversas situações que podem ser encontradas em uma livraria especializada em mangás.

Os 11 minutos contribuem para que o anime não estique demais as anedotas e preserve o timing (pelo menos nesse episódio inaugural). Por mais que a premissa seja inusitada, com Honda-san, o protagonista, sendo um esqueleto e os outros funcionários escondendo o rosto sob máscaras, algumas das ocorrências são críveis, apresentando clientes, seus gostos e o confronto entre pavor e conhecimento que toma conta dos empregados, haja visto que não é fácil corresponder a expectativa de compradores e compradoras, tendo domínio sobre tudo que envolve determinada arte.

O que tem na livraria? Avó comprando o mangá de Gakkou Gurashi! para o netinho fã do anime.

Algo que estimula a curiosidade é o porquê de Honda-san ser um esqueleto e os demais funcionários usarem fantasias. Obviamente, é um diferencial para a série e uma das razões para que a comédia seja eficiente no episódio. Com o tempo, tal excentricidade pode vir acompanhada de alguma explicação (desde que não estrague a diversão será bem-vinda).

Porém o absurdo é melhor quando faz parte de determinado universo, de sua lógica interna. E a extravagância faz parte do mundo de Gaikotsu Shotenin Honda-san. Os clientes são pessoas normais – leia-se, não são esqueletos e não usam máscaras -, contudo possuem suas peculiaridades, já que são otakus.

Venda proibida para menores de 18 anos. Mas um pai sem noção não entendeu. E tentáculos, não, senhor!

O que chama a atenção é que a maioria dos compradores desse episódio é de estrangeiros. Honda-san se envolve em casos nos quais precisa mostrar o quanto está familiarizado com a arte dos mangás, precisando passar informações constrangedoras – sem saber como fazê-lo – ou responder questões sobre qual é o melhor mangá BL de todos os tempos. A dificuldade na comunicação com os clientes é engraçada, principalmente por Honda entender inglês, não ser capaz de manter uma conversação no idioma.

O primeiro esquete traz um comprador – considerado bonito, algo que talvez fuja da clientela assídua da livraria -, que procura uma obra para a filha adolescente. Só que é um doujinshi, que inclui tentáculos e é +18. O pai da menina parece ignorar essa informação e Honda-san está acanhado e não consegue esclarecer do que se trata o conteúdo da produção e nem que a livraria não vende obras feitas por fãs. O esquete se sustenta nesse impasse, com o curto-circuito natural na comunicação, pela barreira linguística, e o crescente constrangimento de Honda por conta do doujinshi.

No segundo esquete, há um desfile de mulheres fãs de yaoi, em busca dos melhores mangás Boys Love. Todas são estrangeiras, e uma sueca se identifica como fujoshi para Honda– um termo que anteriormente carregava conotação pejorativa, pois seu significado “garota podre” não é nada lisonjeiro, mas hoje já é assumida pelas apreciadoras de Boys Love. O excelente Wotaku ni Koi wa Muzukashii nos mostra as dificuldades e prazeres existente no mundo das fãs de yaoi. Apostando na paixão das consumidoras desse gênero de mangá, a série realiza um bom trabalho, ainda que resvale no exagero. E Honda precisa se desdobrar para atender os desejos das clientes.

Um coletivo de leitoras de BL e a pergunta fatal: qual yaoi é o melhor de todos?

E por mais que a representação dos estrangeiros possa parecer estereotipada, o episódio revela como o mercado de mangás (e animes) é algo global, e as mais variadas facetas dos compradores da cultura pop japonesa.

Gaikotsu Shotenin Honda-san, com seu humor referencial e esquisitices, consegue ser enxuto e divertido em seus 11 minutos. O seu protagonista exala certa simpatia e os casos, com alguns excessos, mostram o que há de incomum e gratificante em trabalhar em uma livraria frequentada por otakus. Mais clientes e mais gêneros de mangás ainda irão movimentar a livraria.

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    Eu recomendo…É uma como eu chamo uma “speed comedy” dialogos rapidos muita informação (e tambem muito uso do pause para entender a piada)…
    Mas não tem como não simpatizar com esse esqueletinho….

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