Bom dia!

Sora to Umi no Aida é um anime baseado em um game mobile no qual garotas fofas pescam peixes monstruosos em tanques espaciais pilotando submarinos e com a ajuda de aplicativos para celular que invocam deuses.

É tão bom quanto parece, e com isso quero dizer que não é bom. Não é ruim nível “devolva o tempo que eu perdi assistindo”, mas certamente não é algo que eu recomendaria a alguém assistir.

Não assista Sora to Umi no Aida.

Ou assista, vai que você goste? Eu já escrevi sobre o cenário do anime (na verdade, detonei ele) em um artigo de primeiras impressões, e naquele mesmo artigo fiz a ressalva: talvez a história compense a bizarrice do cenário e o choque de tédio do primeiro episódio, e, bom, ainda que eu ache que no final não compensou, talvez você pense diferente.

Se já assistiu ou se ainda não assistiu, a seguir esse texto irá tratar justamente dessa tal “história”.

Em primeiro lugar a coisa mais chata do anime: o sexismo absurdo do primeiro episódio se mantém até o final. Coisa de pescador, né? Profissão masculina e tal, o ponto de partida da história é uma tal lei de igualdade de oportunidades ou algo assim que permite a criação de uma equipe de pescaria espacial feminina e essas coisas.

Tem outras mulheres na história além das pescadoras, e algumas delas quando têm oportunidade colocam os machistas em seu lugar, mas esse conflito não tem mais profundidade do que Clube do Bolinha versus Clube da Luluzinha em Sora to Umi.

Em dada altura o anime até tenta explicar porque os machinhos são tão contra as garotas pescadoras: eles tiveram uma experiência trágica no passado que ainda não superaram, pescar em tanques espaciais é perigosos e essa é a forma deles demonstrarem preocupação.

Não é fofo? Eles só ofendem e ridicularizam as garotas a cada oportunidade porque se preocupam com elas.

Felizmente as garotas não precisam cruzar com os pescadores babacas com tanta frequência assim então o anime tem muito mais história do que isso. Ele é também uma história sobre como mulheres são tão capazes quanto os homens, mas isso é reduzido a uma subtrama que fica adormecida a maior parte do tempo e evolui muito devagar.

O que não quer dizer que Sora to Umi no Aida tenha muito a dizer. É uma história de garotas fofas fazendo coisas não tão fofas, afinal. Não há de verdade um fio condutor para a história.

 

Não é nada muito excitante mesmo

 

Primeiro as candidatas a pescadoras espaciais precisam aprender a conviver. Trabalho em equipe é muito importante quando se está pescando no espaço, então elas passam a morar juntas para se entrosarem. Como não se conheciam previamente, os primeiros conflitos surgem daí.

O maior conflito é entre a Haru, a protagonista genki girl, sempre animada e excessivamente otimista, agindo sem pensar e se metendo (e metendo suas colegas) em confusão, e Namino, a herdeira cabeça-quente de uma família de pescadores do tempo em que ainda se pescava nos oceanos e que por isso trata a ideia de tornar-se uma pescadora espacial como questão de honra.

Até o final as duas continuam cutucando uma a outra, mas elas se tornam amigas. Uma das primeiras coisas que a Haru se esforçou para fazer foi tornar-se amiga da Namino, e ela começou isso fazendo doces. Porque elas são todas garotas e garotas amam doces, você sabe como são esses animes.

 

Haru e Namino se provocam o anime inteiro

 

Ao mesmo tempo em que não é um desenvolvimento forçado, tanto que elas mantém uma rivalidade saudável até o final, não é muito notável também, guiado a maior parte do tempo apenas por clichês.

Viver juntas e se darem bem não é o bastante, porém, e é na verdade só um requisito para o objetivo maior: tornarem-se pescadoras espaciais.

Boa parte do anime, pois, é de treinamento. Claro que os homens tentam sabotá-las algumas vezes, negando equipamento decente ou o direito de treinarem no único tanque de treinamento em terra firme que elas poderiam usar.

Mas como elas são garotas fofas e não desistem nunca, superam cada uma das dificuldades, ao mesmo tempo em que ainda estão aprendendo a conviver e cada uma lida com seus próprios demônios.

Essa é a parte mais interessante do anime: cada uma das seis garotas têm um motivo para estar lá e um problema com o qual precisam aprender a lidar.

Não é interessante o bastante para eu me lembrar o de todas, porém. A Makimaki, por exemplo, eu lembro com mais clareza dela dizendo que adora sua bicicleta (o que é inútil para o anime) do que seu conflito. Qual era mesmo? Acho que ela queria ser reconhecida pelo pai ou algo assim.

E Haru, a protagonista, não tem nada de mais interessante: o problema dela é sua personalidade de genki girl e sua motivação é pescar peixes para sua avó poder comer sushi. Isso acaba não sendo um problema porque a Haru se torna, na verdade, um personagem curinga que está lá para fazer os demais se moverem.

Há dois destaques: um é o conflito da Ruby, que inicialmente não tinha problema nenhum mas ela perde um memento de sua mãe falecida, um moedeiro, e isso faz todas as garotas largarem tudo o que estavam fazendo para reencontrar tão precioso porta-moedas para sua colega.

É um episódio auto-contido, sem maior consequência para o resto do anime exceto unir um pouquinho mais as garotas, mas ele conseguiu ser emotivo de verdade, sendo um dos melhores episódios da série.

 

Maiko esconde o segredo mais sinistro

 

O outro é o conflito da Maiko, cujo irmão foi um dos primeiros pescadores espaciais mas desapareceu após sua primeira missão, e nenhuma informação sobre o ocorrido jamais foi revelada pelo governo.

É também uma história sobre pesar, como a da Ruby, mas o caso da Maiko serve para interligar várias histórias separadas, desde os pescadores misóginos até uma de suas colegas pescadoras.

No final, é à partir do conflito da Maiko que Sora to Umi no Aida tece seu arco final, que se não consegue surpreender, pelo menos consegue prender a atenção.

Acho que vale a pena assistir se você gostar muito do gênero garotas fofas fazendo coisas fofas (ou não) e já tiver esgotado todas as demais opções, ou se quiser ver algo especialmente bizarro e não muito bem feito mas que ainda tem alguns pontos altos.

 

Sério, quem achou que ir até o espaço para pescar isso era uma boa ideia?

 

  1. Avatar

    Não foi um dos grandes animes da temporada, mas teve o seu charme. Acompanhei semanalmente, e realmente o último arco foi mais “animado”, digamos assim. O que mata é que muita coisa ficou em aberto, e não acredito que terá uma segunda temporada. Esse é realmente para fãs do estilo, como eu. A maioria vai simplesmente esquecer do anime com o tempo, mas mas as aventuras de Haru, Namino e cia conseguiu um lugarzinho na minha galeria de “guilty pleasures”.

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Olá Jefferson, tá bonzinho?

      Como tentei deixar claro na minha resenha, não é que seja ruim … só não é bom. Não recomendo, mas pode valer a pena para algumas pessoas. Ou sei lá, para muitas pessoas, vai saber?

      Teve coisas irritantes e teve arcos divertidos. Alguns emocionantes até. Teve animação ruim e teve animação decente. É um cenário bizarro mas no final dá para engolir.

      Obrigado pela visita e pelo comentário! 😃

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