No alvorecer de uma manhã de liberdade para quem caminha rumo ao desconhecido não poderia existir gosto mais gratificante que o de uma vitória. Ao fugirem do seu falso paraíso, as crianças da Grace Field House se veem com a página em branco na qual só elas podem escrever, contra o qual precisarão lutar para sobreviver e retornar para cumprir a segunda parte da missão, assim como o próprio anime fará em 2020.

Não é um adeus, mas um até logo e um até logo para a liberdade e o desconhecido. E o último passo até esse desfecho, que é um novo começo, eu irei comentar agora!

Bem lembrado Gilda! Seria sacanagem terminar o anime sem sequer tocar no assunto.

Como bem perguntado pelo Ray, respondido pela Emma e considerado pela “cúpula da fuga” como o flashback mostrara; fugir com as crianças menores de 5 anos – aquelas incapazes de responderem ao menos por si próprias – seria desafiador talvez não tanto para a fuga, mas para a sobrevivência nesse mundo muito provavelmente inóspito e imprevisível, então, qual era a melhor decisão dado o modus operandi da própria Grace House? Deixar as crianças menores e resgatá-las antes de serem colhidas!

Uma decisão lógica difícil de ser tomada, mas necessária e que abriu precedentes para debater outro detalhe que até então havia passado despercebido. E as crianças das outras Plantações? Elas ficariam para sempre presas nessa vida de gado, enquanto só as da Plantação 3 – e só as daquela época – que teriam uma chance para fazer diferente?

Você gostou da missão do Phil? Eu curti e achei adequada para o personagem.

Não, Emma e seus irmãos não têm “obrigação” de preparar a rebelião que abale aquele mundo, ou ao menos o sistema de Fazendas, mas, sejamos honestos, do que se pode esperar de um mangá shounen pegar em armas e preparar revoluções para abolir aquilo que é tido como injustiça pelo ponto de vista dos protagonistas é o mais previsível.

E Neverland é um mangá shounen de origem, então só sobreviver não é o que deve ditar o ritmo da obra a partir daqui. Em todo caso, a chama de um plano de revolução foi acesa, mas como isso será abordado na trama o anime só nos mostrará em sua vindoura, e muito bem-vinda, continuação.

É assim que se começam as revoluções!

Por ora, devo comentar só o finzinho da fuga. Como o Don foi corajoso ao ser o primeiro a fugir daquela forma – mostrando aos irmãos que era possível –, não é mesmo? Mas o que mais me encasquetou é como eles treinaram os movimentos de lançar as cordas e fugir por elas e a Mamãe não percebeu.

Acho difícil de engolir isso, mas não impossível e é um detalhe menor também, afinal, como a Isabella mesmo esclarece, a falha foi dela ao não ter prestado mais atenção no que estava acontecendo bem debaixo de seu belo nariz.

Parece-me até que seu desleixo dos últimos meses tenha sido uma ação inconsciente pela certeza da vitória, mas também para permitir as possibilidades de sucesso, afinal, como se pode ver pelo trecho que narra seu passado, ela já esteve exatamente no lugar da Emma um dia, mas devido as diferentes circunstâncias seu plano não deu certo e só o que restou foi uma Isabella incapaz de lutar contra seu “destino”.

A origem daquela que era sua canção favorita e a morte em si do irmão que ela amava foi um baque forte para ela e também para o público que via o anime, pois era fácil demais julgá-la sem considerar todo o caminho que ela seguiu, e porque ela o seguiu, para chegar até aquele ponto.

E eu não inocento a Isabella de seus crimes, de forma alguma, mas entendo porque ela os cometeu, como ela pode e deve tanto vestir a carapuça de vilã como de vítima, por ser alguém que tanto foi moldada pelo sofrimento que suas crianças passaram, quando tentou moldar a partir dele por ser aquela a sua única “escolha” para sobreviver.

É muito fácil julgar a Isabella quando muitos de nós tendo apenas as circunstâncias dela – ela não tinha um Ray e um Norman para ajudá-la, dar a ela força, né? – fariam o mesmo.

E também é fácil dizer que não faria sem passar pela situação, mas a Isabella ter desistido de fugir, ter treinado para ser Mamãe e tido o filho que a mandaram ter não foram atitudes de monstro, mas sim de uma pessoa desesperada para viver, mesmo tendo que encarar o destino que achava ser imutável.

O sorriso apaixonante que nos deu essa belíssima canção, mas fomos incapazes de proteger…

Diferente do próprio filho que queria fugir desse destino, ainda que após torná-lo mutável, mas fracassou nesse sentido, porque tinha o apoio que a Isabella daquela época não possuía, perdeu com a partida daquele que a deu a canção que ela carregava como lembrete da felicidade inocente e de seus crimes egoístas.

Crimes que até podia debater a fundo, mas esse não é o ponto agora e sim o fato de ela ser mãe do Ray, apesar dos minuciosos paralelos construídos entre ela e a Emma ao longo da trama, como isso faz sentido dada a cor do cabelo deles e é até um pouco desconfortável, porque, diferente dela, a criança tem uma memória dos deuses, o que se ela tivesse poderia ter evitado a ida do Leislie, assim como sua morte; e a de tantas outras crianças.

Mas, óbvio, não é só a cor do cabelo que justifica ela ser mãe dele, mas sim a sua preferência, se assim pudermos considerar, pelo garoto, afinal, ela o dava “presentes” pelo seu silêncio, mas será que ela também não fazia isso para aliviar a culpa que sentia ao menos um pouco? E até por isso, por ter que mandar sangue do seu sangue para a morte, ela relaxou mais nos últimos meses? Não sei, talvez eu só esteja tentando achar explicações convenientes.

O importante é que o detalhe que mudou toda a situação de figura para as crianças de agora na história foi a memória de mil elefantes do Ray e isso acho uma pena, porque é conveniente, sem isso ele poderia ter descoberto a verdade de outra forma – e eu gostaria se tivesse sido o caso –, mas não é como se fosse imprescindível isso acontecer – foi só a falta de uma escrita melhor mesmo.

Enfim, diferente do mangá a Isabella chega a ver a Emma de pertinho e a garota tem a oportunidade de se despedir de sua mãe de criação pela primeira e última vez em uma cena muito bonita que, sim, fechou bem o arco que compreendia aqueles personagens juntos.

Adeus primeira temporada de The Promised Neverland!

Agora Emma e seus 14 irmãos vão viver um outro momento de suas vidas e o que, se sequer mostrarem, acontecerá com a Isabella nós só saberemos depois. O bacana foi que, apesar de não ter acertado sempre, a direção do anime foi a melhor possível, dentro do que havia entregue ao longo de toda a produção, nesses episódios finais.

Outro detalhe que me fez ter certeza disso foi a Isabella ter soltado seus cabelos. Eu sei, isso parece, até é, bobo, mas pode ser encarado como um simbolismo a prisão, uma prisão que ela não foi capaz de quebrar, é verdade, mas que viu as crianças que ela criou sendo capazes de fazer isso e fazer isso depois de terem lhe passado a perna magistralmente.

As crianças a superaram e a mostraram que a esperança ainda é um sentimento que pode ser cultivado pelos humanos que habitam o mundo dos demônios, basta querer e tentar e ter o Ray na equação.

Por fim, a Mamãe Isabella corre para cuidar dos menores e até parece feliz pela derrota sofrida, porque, sendo sincero, não a acho um “monstro” como ela aparentou ser muitas vezes. Parte dela queria a liberdade ainda que a vontade tivesse sido trancada lá no fundo do peito, então não é estranho que deseje o que há de melhor para as crianças.

E as crianças fugiram, deram um baile no caminho previsto no que foi mais outra belíssima jogada do Norman, mais uma vez muito bem executada pela Emma, e até pelo Ray já que ele aceitou o que seu amigo fez e foi capaz de aceitar também o plano concretizado por aqueles de sua família; tomando a coragem necessária para passar pelo penhasco sem se jogar nele, tendo proatividade para apaziguar o coração medroso da Jemima e guiá-la rumo a liberdade.

E nem deve, pois a história de vocês está apenas começando!

Aos quinze meninos e meninas de cinco a onze anos só restava correrem, correrem até serem capazes de enxergar a luz da primeira manhã de suas novas vidas.

A verdadeira Terra do Nunca começa agora e, apesar dos percalços esperados, não deve retroceder em sua promessa de nós mostrar que a esperança não deve ser perdida e liberdade só é possível por meio de esforços constantes.

Afinal, a Emma, o Ray e os outros ainda têm um longo caminho a percorrer e outras coisas a conquistar, fugir da prisão dos sonhos foi apenas o início dessa jornada que volta em 2020 para mais emoções. Eu espero que você, caro(a) leitor(a), me acompanhe de novo.

Despeço-me com a certeza e a alegria de que, apesar de certos problemas e conveniências, Neverland foi um ótimo anime que deixou sua marca e ainda pode ensinar bem mais para todos nós!

Foi legal ver o sol nascendo no anime…

Nada como o amanhecer de um dia inesquecível…

Mas no mangá foi deslumbrante!!!

15 de Janeiro de 2046. Guarde esta data, pois é o #ThePromisedNeverlandDay

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    Eu fiquei arrepiada com o final, principalmente quando mostra o flashback da Mama, que ao meu ver, foi o ponto alto do capítulo em poucos minutos e com uma boa trilha sonora aquela que víamos como vilã se mostrou também mais uma vitima desse mundo distópico de Nerverland. A única coisa que me deixa triste é ter que espera até 2020 para acompanhar essa história. Obrigada pelas análises.

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