Finalmente Mei chegou a sua decisão final, após recuperar todas as suas memórias e ponderar bem o que viveu com aquilo que acabara de lembrar sobre o seu mundo. A jornada estava ótima, mas um ponto final precisava ser posto, afinal coisas poderiam ser modificadas tanto de um lado quanto de outro, então o que pesaria mais para a nossa protagonista?

Mei vinha de uma época a qual não se adaptou, o seu eu diferente não era bem aceito e a sua fragilidade interna a impedia de dar passos adiante e se impor em meio ao que sofria. É interessante ver a própria Mei reconhecer que, ao passo que não era culpada pelo que achavam dela, ela também tinha a sua parcela a partir do momento em que não fazia nada para que essa situação mudasse – mostrando mais uma vez a maturidade que alcançou com sua experiência no passado.

Apesar de gostar do lugar onde está, a garota tinha uma ciência clara de que a sua estadia ali não “fazia sentido”, ao passo que fazia apenas parte de uma fuga pessoal e acidental. Na sua linha temporal ela tinha assuntos pendentes, coisas que ela precisava vencer pra seguir, além de uma série de outros fatores que certamente vagaram pela mente dela enquanto analisava tudo isso.

A evolução de Mei fica mais evidente ainda, com a serenidade que ela exibe mesmo em meio a uma decisão tão difícil e que precisava ser tomada em algumas horas – que ficaram ainda mais curtas por causa da festa no Rokumeikan.

Um ponto bacana do episódio é que não houveram dramas desnecessários, dúvidas nos protagonistas, inclusive os próprios Mori e Shunsou já pareciam cientes do que ela faria e não a coagiram, deram sinais ou afligiram a sua mente com induções.

Mesmo com a coisa do noivado e o amor que o casal nutria, Mori deu espaço para que sua amada fizesse sua escolha e se sentisse bem com ela, partindo ou não. Colocando todos os itens na balança, a esquilinha opta por retornar – e acho muito legal o simbolismo que o autor trouxe na conclusão dela através da roupa.

Mei tinha sido agraciada com um belo vestido sob medida, mas usá-lo na festa certamente só machucaria aos dois pombinhos e daria falsas ilusões a aquele que aguardava sua permanência naquele tempo – a escolha do uniforme mostra a consideração, determinação e resolução que ela atingiu no final.

Outro fato bem importante do episódio fica a cargo do Charlie. Ele realmente estava ligado ao amuleto de raposa que a Mei carregava, era como um guardião que acompanhava a menina desde muito tempo e que depois de ver a necessidade, optou por usar sua magia em favor dela – e agora ele estava realizado, vendo que sua ação foi positiva e sua protegida já podia caminhar com as próprias pernas.

Depois da hora tão esperada já no Rokumeikan, onde passa pela mão de cada um dos seus amigos e companheiros do harém que lhe são gratos pela compreensão e amizade, Mei tem seu diálogo final com Mori e explica a sua decisão. Ela o agradece por tudo o que fez e por ter auxiliado na construção do seu novo eu, que era alguém forte graças ao espaço que lhe deram ali, estando agora em condições de enfrentar o viria quando voltasse – ainda teve um beijo para salvar a tensão do momento e fechar com chave de prata, ouro seria se ela ficasse.

Acho que a primeira coisa que eu gostaria de enfatizar, é que esse episódio me deixou extremamente dividido. Embora eu tenha entendido todas as questões envolvidas e o que se pretendia alcançar com a volta no tempo realizada por Charlie, eu realmente esperava que ela ficasse no tempo passado e cumprisse o “good ending” da rota – até pelo clima leve e brincalhão que o anime sempre teve -, mas não aconteceu.

É engraçado que costumamos apontar nesses romances que o clichê é o casal conseguir ser feliz pra sempre, mas nesse caso era o inverso. Desde o começo o anime nos dava pequenas pistas de que ela acabaria retornando mesmo, principalmente quando ela decidiu que ficaria – aquela cena me pareceu boa demais pra ser verdade, para mim foi mais um mau presságio.

No final das contas o anime foi e me supreendeu seguindo o caminho previsível – irônico, mas é assim mesmo. Em termos analíticos, o final amarrou bem as pontas necessárias e se encerrou de uma forma bem satisfatória – inclusive a continuação da conversa de Mei com as meninas da escola, prova que tudo o que tinha acontecido ali gerou bons resultados.

Ainda assim, o meu eu interno e romântico não deixa de ficar triste pela separação do meu casal favorito na temporada e de lamentar que provavelmente não farão uma segunda temporada e nem um OVA ou especial pra consertar esse erro gravíssimo – mas ok, já me resignei e aceitei, até porque se Mori acredita num reencontro futuro, então eu ainda posso sonhar.

Bom, mesmo que eu esteja com minhas lamúrias pessoais, Meiji Tokyo Renka se encerra aqui com uma história boa, concisa, divertida e que traz pequenas lições de vida que são muito bacanas de assistir – as estrelas que eu dei lá no topo do artigo são a prova.

Os personagens deram um show do começo ao fim, e Mei prova que nem toda adaptação de otome game sofre do mal da heroína que é um pedaço de pau, sendo ativa, voluntariosa e carismática até o último segundo – uma verdadeira protagonista.

Agradeço a todos que curtiram acompanhar essa série comigo e nos vemos na próxima aventura!

Um sorriso que merece proteção eterna

    • JG

      Olá Lúcia, realmente foi um anime cativante em vários pontos e eu gostaria de vê-lo sendo mais apreciado (o que não deve acontecer facilmente), mas fico feliz que outro alguém além de mim gostou dele kkkkkkk.

      Muito obrigado pela visita e pelo comentário!

    • JG

      Oi Delena, olha para ser bem sincero acho que as chances são quase nulas, já que história conseguiu se fechar direitinho e ela não é bem do tipo que costuma gerar interesse para mais temporadas. Acho uma pena isso porque apesar de suas limitações, Meiji Tokyo Renka foi uma obra bem divertida de acompanhar.

      Agradeço sua visita e volte sempre!

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    Pois é, até a Mei já tinha se decidido, e eu não, eu via que era errado a permanência dela lá mas eu torci até o último momento, só enganei a mim mesma, foi muitoooo amazing esse anime, pena que eles não ficaram juntos isso me abalou. 😢

    • JG

      Oi Ana! Menina acho que errado é um termo incorreto kkkkkkk (piadinha besta). Eu compreendo que a permanência dela no passado ia gerar uns problemas espaço temporais bem complicados, mas sinceramente a preservação integral da linha histórica numa obra de ficção não me sooa tão grave.

      Acho que ela devia ficar e ligar o dane-se para as possíveis alterações de evento que ela faria, só que racionalmente falando, eu entendo o sentimento dela e o que o anime quis trazer como lição a quem estava vendo.

      Esse final me doeu na alma, tanto que eu descontei pontos dele por revolta e indignação kkkkk, mas sou obrigado a concordar que ele foi coerente e igualmente bom ao que seria o feliz, dentro do que se propôs a fazer.

      Muito obrigado pelo seu comentário!

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