Bom dia!

Admiro muito quem consegue escrever bem e escrever bastante, qualquer que seja o tipo de texto. Literatura, matérias jornalísticas, crítica de arte, artigos acadêmicos. Qualquer tipo de livro ou mesmo o necessário texto de mídias audiovisuais, como roteiros para cinema e TV, ou até mesmo peças de teatro.

Escrever é difícil. Pelo menos para mim, quero dizer. É um processo mentalmente cansativo, para o qual é difícil encontrar a motivação para começar ou evitar as distrações para não perder a linha de pensamento e terminar em tempo razoável.

Esse editorial é para me expor um pouco, explicar o que me faz e o que não me faz escrever, na esperança de que isso sirva de motivação para mim e quem sabe para você ou alguém que você conheça.

Ao longo do artigo, links para alguns outros artigos que eu escrevi aqui no Anime21 e dos quais gosto bastante.

Foto de capa de Startup Stock Photos, via Pexels.

 

 

Como é que as pessoas conseguem escrever? Eu tenho a impressão que algumas pessoas gostam de escrever. Do ato de escrever em si, quero dizer. Extraem prazer ao deslizar a pena pelo papel ou apertar os botões do teclado de um computador. Algumas pessoas parecem gostar tanto que escrevem até nas desconfortáveis telas sensíveis a toque de aparelhos celulares e tablets, imagine!

Eu não sou uma dessas pessoas. Escrever para mim é uma tarefa tão prazerosa quanto lavar pratos, arrumar a cama ou varrer o quintal. Especulação: na minha impressão, que não constitui amostra científica, evidentemente, parece-me que mais mulheres têm prazer no ato de escrever do que homens. Terá isso algo a ver com o fato de que elas, mas não os garotos, são educadas a realizar essas tarefas domésticas desde crianças?

 

 

Nunca gostei de escrever, desde a escola, e a maioria dos meus colegas garotos também não. Já as meninas sempre foram famosas por seus cadernos completos e suas letras bonitas – isso é assim até hoje? Enfim, isso é só especulação, não leve muito à sério. Acredito, sim, que ser educado a fazer algo desde cedo é importante, e eu não fui. Como disse, eu não gostava de escrever na escola.

Longe de ser um dos alunos burros, porém, eu era inteligente demais para o meu próprio bem. Era (e ainda sou, em alguma medida) do tipo que só precisava ler a matéria para aprender. Por isso eu não escrevia quase nada, mas minhas boas notas (sempre entre as melhores da turma) evitavam que isso tivesse qualquer consequência.

Mas o problema é que eu acho que isso teve consequência: eu não gosto de escrever. Estimule seus filhos a escrever.

 

 

O que eu gosto, isso sim, é do resultado dos meus textos. Gosto que as pessoas leiam, é lógico! Mas ainda antes disso, eu gosto de ler meus textos e me sentir satisfeito com eles. Ler e pensar comigo mesmo: “Isso é um bom texto”. Eu não gosto de escrever, mas me esforço para escrever bons textos. Mesmo sabendo que nem sempre isso é possível.

Nem sempre é possível escrever um bom texto, entre outras coisas, porque nem sempre eu sei o suficiente para isso. Isso é algo que me cobro muito, por isso em alguns artigos meus você encontra várias referências. Se eu não sei algo, alguém sabe, e eu posso tomar emprestado esse conhecimento.

 

 

Há também a questão da pressão, do tempo disponível. Os artigos mais comuns aqui no Anime21 são análise de episódio de anime da temporada, e de longe esse é o tipo de artigo que mais escrevi. Tenho alguns dias entre assistir o episódio e escrever tais artigos. É muito pouco tempo para poder garantir que sempre terei algo relevante para dizer, para garantir que sempre escreverei um bom texto.

Só me resta aceitar que nem todos os meus artigos serão bons. Se eu fosse perfeccionista teria desistido há muito tempo. Eu não gosto da maioria dos meus artigos. Me esforço para que todos sejam minimamente relevantes, e para o que me proponho a fazer acredito que pelo menos isso sejam, mas “gostar” é um verbo forte demais.

 

 

É preciso compromisso para conseguir escrever, e esse é só um exemplo de um tipo de compromisso que eu assumi comigo mesmo para conseguir colocar no ar e manter o Anime21. Há outros mais óbvios, como ter uma hora limite a partir da qual, inspirado ou não, querendo fazer outra coisa ou não, eu vou ter que parar e escrever a droga do texto senão ele atrasa.

Além de compromissos, inventei também técnicas para escrever mais rápido ou mais fácil. Essas eu estou sempre mudando e aprimorando. Se não gosto de escrever, que gaste o menor tempo possível nessa tarefa, não é?

Um exemplo de técnica que eu uso é resumir o texto que pretendo escrever em pontos. São só anotações gerais do caminho que o texto irá fazer. Daí na hora de escrever eu desenvolvo esses pontos e está feito.

 

 

Faço tudo isso para conseguir escrever e na maior parte do tempo funciona como um relógio. Mas há momentos em que sofro perturbações. Por motivos fora do meu controle, artigos atrasam, e voltar a escrever é tão mais difícil quanto maior for o atraso. É um troço psicológico.

Se for uma série de artigos então, como, obviamente, são as análises de episódio, tanto pior. Porque um atraso leva a outro, causando um efeito dominó. A pressão que sinto contra voltar a escrever nesses casos é esmagadora.

Já deixei de terminar de escrever sobre muitos animes por causa disso. Se olhar meu histórico, irá notar que isso acontece com maior frequência no meio e no final do ano. Eu faço faculdade, essas são as épocas de provas. Já estou terminando, só me resta mais uma disciplina que cursarei no próximo semestre e então estarei livre.

Quem me acompanha, sabe que tive uma grande perturbação nessa temporada: o Trabalho de Conclusão de Curso da faculdade. Terminei, entreguei, está aprovado. Mas isso me tomou muito tempo e todos os meus artigos atrasaram por semanas. Daí que mesmo quando voltei, eu não voltei. Já chego lá.

 

 

Como não gosto de escrever e sou facilmente perturbável, quando coloquei o Anime21 no ar tomei a decisão de escrever todos os dias. Enquanto eu não tinha uma equipe e mesmo muito tempo depois já tendo equipe, eu efetivamente publicava pelo menos um artigo novo todos os dias, com poucas falhas. É uma forma de manter o foco. Se consegui ontem, consigo hoje e conseguirei amanhã. Quanto mais o tempo passa, mais difícil fica.

Conforme construí uma equipe para o Anime21, eventualmente deixou de ser necessário que eu escrevesse todos os dias. Na verdade, escrever todos os dias se tornou contraproducente, já que a maioria dos artigos são análises de episódio e há um número limitado de animes por temporada para dividir entre os redatores interessados. Eu não posso pegar todos os melhores só porque “o blog é meu” (e nem penso nele dessa forma, aliás).

 

 

De quebra, ter dias livres (sem artigo) me permite ter tempo para me dedicar a outras tarefas importantes para o próprio blog. E, finalmente, diminui a probabilidade que uma perturbação externa qualquer afete meu trabalho no blog, já que passo a ter mais dias para manobrar.

Quando afeta, porém, o efeito continua sendo o mesmo, e devastador. Felizmente é menos perceptível para o leitor médio do blog porque não sou o único redator, então mesmo sem meus artigos o blog continua publicando normalmente. Mas eu caio no mesmo fundo de poço que já descrevi acima: quanto mais tempo sem escrever, mais difícil é retornar, e pior ainda em artigos em série porque isso provoca um efeito dominó.

Como eu escrevi acima, entrei no fundo de um poço por causa do tempo perdido com o TCC. Todos os artigos foram suspensos, inclusive esse editorial. Depois consegui retornar com o editorial e já escrevi algumas listas também, mas as análises de episódio de Dororo, Sarazanmai e Carole & Tuesday ficaram pelo caminho.

Peço mil desculpas por isso.

 

 

Como infelizmente já encerraram, de Dororo e Sarazanmai escreverei logo as resenhas. Não faz muito sentido sair escrevendo os artigos de episódio perdidos a essa altura. Carole & Tuesday eu já elaborei um cronograma para cobrir os episódios atrasados e retomar a cobertura do anime.

E a temporada de Julho começa hoje. Cobrirei novos animes também. Continua difícil escrever, mas vou continuar perseverando. Porque se não gosto de escrever, gosto do resultado. E vou gostar mais ainda se você também gostar do que ler, por isso preciso me esforçar.

Até o próximo artigo!

  1. Avatar

    Tem pouco tempo que descobri esse blog rs, mas a primeira resenha que li aqui foi uma sua, eu super ameiii, continua escrevendo, pelas que eu li vc está indo muito bem. Boa sorte! 😄

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Olá Ana, tudo certinho?

      Muito obrigado! Espero que continue gostando e lendo não só os meus artigos, como os dos meus colegas de blog 😊

      Valeu pela visita e pelo comentário!

  2. Avatar

    Bastou não ter um texto meu que já vem uma publicação do senhor falando como é difícil escrever.
    Realmente, sem roubar meus temas as coisas dificultam.
    Mas não se preocupe que, semana que vem, o senhor terá uma excelente publicação para poder roubar.

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Olá Muragami, tudo certinho?

      Não sei se notou, mas eu disse que o difícil é o ato de escrever. Com tema, sem tema, não importa: escrever em si é chato, por isso difícil. Se você me ditar o texto palavra por palavra, supondo que eu precisasse disso, continuaria sendo chato e difícil do mesmíssimo jeito.

      Obrigado pela visita e pelo comentário 😊

  3. Avatar

    O próprio título do artigo descreve a minha dificuldade em escrever sobre o quer que seja (longe vão os tempos que era capaz de escrever quatro folhas A4 sobre algum tema que goste).

    O meu grande problema começa logo pela forma como vou escrever, se for à mão ai as coisas correm lindamente, o raciocínio corre louco (o problema é a letra feia, como é o meu caso).
    Quando escrevo no pc, ai a coisa complica a um nível astronómico, começa logo pelas teclas, o som delas incomodam o meu já fraco raciocínio (nas primeiras vezes que comentei aqui, tinha um teclado silencioso, dai os comentários enormes), depois perco-me nas distracções presentes na Internet e por fim, acho irritante quando alguma das palavras que escrevo supostamente não existe no dicionário (em especial termos de cunho popular).

    Deixando de falar de mim, foi graças a ti (Mexicano) e ao teu blog que me interessei por novos temas, explorar outros tipos de animes, pesquisar ainda mais sobre história, até ciências naturais já aprendi aqui com alguns artigos da Tamao-chan.
    Não deixe de escrever, que venham mais artigos épicos e outros menos épicos, o que importa é que venham. Desejo também que o resto da equipa continue com o seu excelente trabalho, é sempre bom ver artigos novos todos os dias.

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Olá Kondou, tudo certinho?

      Não vislumbro um futuro em que pararei de escrever tão cedo, então não se preocupe com isso 🙂 E muito obrigado pela parte que me diz respeito, é bom ler isso porque eu escrevo para fazer a diferença, alguma diferença, de algum jeito. Fico feliz em saber que estou conseguindo.

      Escrever em papel é mais rápido, e isso sem dúvida ajuda – como eu mencionei no texto, quanto antes terminar, melhor! O problema é que, para além da letra feia, corrigir no papel é bem mais difícil. Os meus escritos em papel sempre correm o risco de ficar completamente rabiscados porque é como eu corrijo palavras ou frases erradas. Pior ainda quando decido mudar a estrutura do texto. Nesse sentido, escrever no computador é muito melhor. E eu até gosto do barulho das teclas! Se me concentro neles, sinto que estou avançando. Quando mais rápido, logo termino!

      Em todo caso, se te incomoda, um fone de ouvido não resolveria? Com ou sem música, não sei como prefere.

      E sim, um dos piores problemas é como é fácil nos distrairmos pela internet e não fazer nada.

      Obrigado pela visita e pelo comentário! 😊

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