Jujutsu Kaisen é originalmente um mangá escrito e ilustrado por Gege Akutami e está sendo lançado no Brasil pela editora Panini. Atualmente ele é o battle shounen mais promissor da Shounen Jump e conta a história de Itadori Yuuji, um colegial sem família que acaba se envolvendo com um mundo de maldições e feiticeiros de Jujutsu ao ouvir o conselho de seu avó.

Leio o mangá desde que começou a sair e se há uma coisa que garanto é que o anime promete, ainda mais por ser animado pelo proeminente estúdio MAPPA. É praticamente certo que veremos grandes sequências de ação e uma história sendo contada no ponto certo para mostrar uma identidade em meio a um mercado cada vez mais saturado da animação nipônica. Não é como se Jujutsu fosse a oitava maravilha do mundo, mas vou convencê-lo do quanto a obra é promissora!

Acho que o primeiro aspecto digno de nota do piloto (que teve sua pré-exibição no youtube ou algo assim) é a construção do clima que ditará o ritmo da série. O sobrenatural é o assunto aqui, mas a forma como tal elemento se difunde nessa trama acaba achando um equilíbrio que indica a possibilidade de trabalhar bem tanto momentos mais leves e descontraídos, quanto partes mais dramáticas e sombrias. O começo mais bobo e a transição gradativa para a tensão do clímax me levou a virar meus olhos para essa característica.

Outra coisa ótima é que só houve uma explicação do mundo e em uma cena na qual isso fazia sentido. Se faltou expositividade, sobraram minúcias que diziam a toda hora ao telespectador que ele deveria prestar atenção aos detalhes. Por exemplo, o vó do Yuuji ter morrido sem revelar o que queria sobre os pais dele pode ser uma ponta solta para explicar a capacidade física acima da média do garoto. Será que eles eram feiticeiros? Será que por isso ele sobrevive ao dedo?

Isso é tudo especulação minha, mas duvido que esse detalhe seja esquecido ao longo dessa história. Além disso, a presença de maldições cercando a escola, a tentativa prévia de desembrulhar o dedo maldito e as breves, mas interessantes, cenas do moleque com o avó são detalhes que dão solidez a cenas futuras. Os espíritos atacam quando o selo do dedo é quebrado, os outros integrantes do clube o quebram sozinhos e a rispidez do avó, entrecortada por preocupação, é o prato cheio para justificar a escolha heroíca do neto.

E isso me leva a pergunta. Quem é Itadori Yuuji? Ele é um garoto talentoso apegado ao avó, a única família que ele já conheceu, e que usa o tempo livre que tem para dar a ele algum conforto. Dá para notar que não tem uma personalidade tão complexa, mas também não dá para negar o peso do pedido no leito de morte do avó e como ele se conecta a própria situação do Yuuji, porque após a morte do velho ele fica sozinho. Se quer viver uma vida plena, sem arrependimentos, e ter alguém para chorar sua morte, ouvir o conselho do avó não parece bacana? É clichê, mas faz sentido.

E é aí que Jujutsu acaba se sobressaindo um pouco em sua estreia frente a outros battle shounens, pois a trama do anime mostrou capacidade de oferecer esses clichês ao público, mas tornando-os críveis. Eu super compro a ideia de que arriscar o pescoço por outras pessoas, ainda mais colegas de clube, é bem mais coerente que se isolar do mundo e correr risco de acabar pior que o avó, que ao menos tinha o neto para lamentar sua morte. Yuuji é um protagonista de battle shounen padrão, mas a construção do herói é tão consistente que o torna até um pouco simpático.

Eu nem vou falar nada do Gojou Satoru para não dar spoilers, mas ele também representa uma figura das mais batidas em battle shounen, só que é bem legal quando você o conhece melhor, pode anotar aí e me cobrar depois. O Fushiguro Megumi (nem lembro se falam o nome dele) é o parceiro e rival do prota e se é nerfado no clímax (ele é bem mais forte do que dá a entender nessa estreia) para levar o protagonista a engolir o dedo e adentrar no universo das maldições, pelo menos mostra uma personalidade diligente e a variação necessária para dar cores vivas ao mundo.

Ele e um usuário de shikigami, tem mais experiência que o Yuuji (óbvio) e escondeu o que representava o dedo até por não ter motivos para explicar qual era o perigo em detalhes. Lembra que ele falou ser de uma escola de feiticeiros de Jujutsu ou algo assim? Então, é por aí que a trama vai caminhar, mas pode relaxar, não é nada tão bobo capaz de espantar o público. A impressão que tenho é que mesmo ele acaba sendo um personagem bem menos quadrado, bem menos previsível, que o geral nos battle shounens e é uma peça valiosa na trama, mas não mais que Sukuna e a relação tóxica que nós já vimos que terá com o Yuuji.

Sukuna é uma maldição que pode possuir um corpo humano se a pessoa engolir um de seus dedos, por ora basta revelar isso, mais detalhes serão contados nos próximos episódios e você deve entender porque o Fushiguro fica tão impressionado quando o prota não só sobrevive a possessão, mas resiste a ela. Não tem mesmo como o Yuuji ser um humano normal e nem digo isso pelos movimentos “soltos” que fez nas cenas de ação dessa estreia. Aliás, confesso que não curti tanto as ditas cujas (que poderiam ter sido mais espetaculosas), mas curti bastante a trilha sonora.

A sequência em que o Fushiguro peita a maldição e o Yuuji intervêm tem uma música de fundo que agrega bastante ao momento e me deixa esperançoso pelo que vou ouvir no anime. Trilha sonora é importante, né, ainda mais em um anime que tem o sobrenatural como base para sua história e carece de criar uma atmosfera a fim de convencer os telespectadores. Se não pelo terror, não acho que é para tanto, que seja pelo bizarro, pelo desagradável, pelo visual piradão.

Enfm, você entendeu como funcionam as maldições e como os feiticeiros de Jujutsu (a energia dessas entidades sobrenaturais) usam o próprio poder delas para exterminá-las? Nos próximos episódios isso vai ser melhor contextualizado, então nem tenho muito o que comentar aqui. Até mesmo falar do vilão Sukuna, ele já se apresenta como tal, não é uma boa, entào vi que já passou a hora de me despedir. Dê uma chance a Jujutsu Kaisen, essencialmente não é tão diferente de um battle shounen clichezão que a gente encontra aos momentos por aí, mas nos detalhes ele se salva.

Digo, a apresentação é toda bastante consistente e apesar de mexer com uma situação um tanto clichê, a divisão de um mesmo corpo entre figuras opostas, consegue fazer o telespectador levantar o olho com alguns pontos que indicam potencial para algo bom.

Até a próxima!

  1. Kakeru17

    Obrigado pelo comentário e o toque, às vezes me embaralho na acentuação mesmo, é o meu maior defeito em português. Devo cobrir Jujutsu Kaisen aqui no blog, se quiser ler sobre o anime é só ficar ligado! 🙂

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