The Detective Is Already Dead (Tantei wa Mou, Shindeiru. ou La detective está muerta.) é um anime do estúdio ENGI (Uzaki-chan wa Asobitai!, Hataage! Kemono Michi, Full Dive) que adapta a light novel escrita por Nigojuu e ilustrada por Umibouzu. A produção é da temporada de verão de 2021 e possui a seguinte sinopse:

 

“Kimihiko é um imã para problemas que acaba se envolvendo com Siesta, uma detetive para lá de excêntrica que combate uma organização secreta do mal. Kimihiko acaba se tornando seu assistente, mas a promessa que os dois fizeram não pode ser cumprida porque a detetive está morta. E agora, como nosso herói poderá viver a vida tranquila que tanto almejava?”

 

O que significa a detetive estar morta? Que ela está morta, é revelado no final do episódio e na prévia do seguinte ela sequer aparece. Isso significa que ela nunca mais vai voltar a trama? Sei lá, essa não é uma história de detetive exatamente comum. A questão é que se a ideia que norteia a trama é essa, de que a heroína está morta, eu espero que o anime a explore adequadamente com ela fora de cena para valer.

Como esse episódio foi uma apresentação para entendemos quem é o herói e quem é (ou era) a heroína, é de se compreender que ela apareça bastante e saibamos como os dois se conheceram. Foi mesmo a melhor forma de mensurarmos o impacto da personagem no protagonista. Infelizmente, não posso dizer que gostei tanto assim da estreia, tirando a animação, que foi consistente e excelente na cena chave do episódio.

E por que não gostei tanto? Porque a ideia que a heroína vende, de que uma detetive de primeira sempre tem uma noção do que é o caso, é até bonitinha, mas será que sempre se aplica mesmo na prática? Além disso, não curti a escrita nas partes em que ela tenta convencer os outros com seus argumentos e os casos apresentados, o do “sequestro” do avião e da Hanako-san no festival escolar, não pareceram tê-la desafiado tanto.

Isso não significa que ela não pudesse entregar mais como detetive, mas eu nem quero ver ela agindo como detetive, eu quero ver o parceiro dela lidando com sua morte e ele sim agindo como uma espécie de detetive/imã de problemas. E ainda teve o caso do festival escolar misturado a lenda urbana da Hanako-san no qual os dois ficaram mais paquerando que qualquer outra coisa. Se quisesse um romcom veria outro anime.

Enfim, a coreografia de ação da cena dela dando conta do terrorista no avião praticamente carregou a primeira parte do anime para mim, que sequer foi metade da duração do longo episódio de 46 minutos, o que achei melhor que um de 24 para apresentar os personagens e o conceito da história, mas vou questionar um bocadinho se alguns dos elementos não forem mais apresentados como não duvido que não serão.

Exceto se o Kimihiko aprendeu alguns truques com a Siesta antes dela morrer. Aliás, como ela morreu? Não teria sido interessante tratar um pouco mais disso e não só falar que ela morreu? A gente passa o episódio inteiro se apegando a personagem para ela morrer assim, em off? A gente esperar pela morte dela não anula a possibilidade de envolvimento emocional com a personagem, ao menos não completamente.

No meu caso, até gostei dela, mas, repito, não acho que a escrita de seus diálogos com o protagonista foi assim tão boa e nem os casos que os dois resolveram tão interessantes. Além disso, que qualidades ele tem e chamaram a atenção dela? Talvez a disponibilidade para carregar uma maleta sem saber o que tem dentro? Ou a vocação para cair na conversa de gente suspeita e excêntrica que cola nele (nesse caso ela)?

Outra coisa que me irritou foi a necessidade do roteiro de reforçar que o Kimihiko não tem amigos, que tudo que é de ruim acontece com ele, que a vida dele é patética; enquanto sua aparência, modos, personalidade e condição de vida não parecem nada mal. Cai quase em uma ideia sobrenatural que não é explorada nem mesmo quando saem tentáculos bizarros da bochecha do terrorista no avião.

Por um momento cheguei a pensar que era a bondade do protagonista que o metia em confusão, mas sério, tem limites até para ser bonzinho nessa vida. Essa característica dele é de fato uma construção de roteiro determinante para o envolvimento dele com a heroína, mas que depende muito da nossa capacidade de suspensão de descrença, mais do que acho que um anime detetivesco devia pedir mesmo tendo suas bugigangas.

Por fim, apesar de não ter curtido a pegada dessa estreia, a dinâmica deve mudar pelo menos um pouco no segundo episódio em diante, então indico que você faça pelo menos a regra dos três episódios mesmo se também não tiver curtido tanto. Eu adorei a cena de ação super bem animada, assim como não desgostei exatamente dos protagonistas, só acho que eles não foram apresentados da melhor maneira possível.

Até a próxima!

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