De um lado um político ético e genuinamente empático, de outro um militar pragmático, mas honesto. Sim, a Federação de Giad parece um tanto utópica, mas talvez mandar crianças para a morte certa os torne os desgraçados que, no fundo, realmente são? Talvez. É hora de 86 no Anime21!

Sabe de uma coisa que eu gostei nesse episódio como um todo? A tentativa de contextualização da missão, que não foi passar pano para o povo de Giad, mas esclarecer que nem todos concordaram com a ordem, ainda que, convenhamos, ela em si tenha uma justificativa lógica.

O que me espanta é os melhores combatentes do país serem adolescentes estrangeiros, ao mesmo tempo que engulo como desculpa para isso as perdas de guerra. A própria Tenente Wenzel não diz em uma cena que ela é uma das poucas pilotos da força área que restaram?

No fim, em um padrão que se repete com frequência, a cena da Tenente conversando com seu superior evocou de novo a construção narrativa da projeção, motivada pelas perdas na guerra. Um caminho fácil, mas nada inadequado, do qual só reclamo um pouco pela recorrência na obra.

Felizmente, isso acaba trabalhando a favor dessa tentativa de contextualizar, de humanizar (não perdoar ou condenar) o povo de Giad, afinal, o mesmo acontece com outras figuras da trama, e com elas também se apresenta o dilema: mandar os protagonistas para a morte em benefício próprio ou não.

E isso acontece com a Frederica, com o Shin, com suas histórias cruzadas que se parecem muito mesmo quando um se torna ator do ato que não é mais do outro, mas em algum momento já foi. É um emaranhado de rotas tão grande que em nada me espanta o apego da garota ao soldado.

Ao mesmo tempo em que ela ainda projeta o Kiri no Shin, acho que esses sentimentos estão mudando, não à toa antes ela demonstrou com muita clareza que não desejava o acerto de contas se o preço fosse a vida dele, e dessa vez ela demonstrou querer seguir ao seu lado mesmo…

Mesmo com Shin e seus companheiros tendo tudo para bater na porta do céu. Mas claro, a gente sabe que eles não vão morrer nessa missão, pelo menos não ainda, e que mesmo essa missão não deve ser a última, ainda que se mantenha sendo a mais importante da humanidade.

A questão é que, obedecendo a algum bom-senso restante, a Frederica foi impedida de ir com eles, deve ser bem impactante o reencontro e quem sabe a resolução da questão com o Kiri, mesmo com ela estando distante. Se duvidar ela ativa o Para-RAID na hora. Aposta quanto?

Essa foi a melhor saída? Foi. Quando o Shin voltar vitorioso ela estará pronta, eles estarão prontos, para aceitar o outro tal qual uma família? Não sei. Mas sério, é de se elogiar a composição da cena em que conversam, o roteiro, a atuação de voz; esse desenrolar como um todo, mesmo se cair no clichê dela ir escondida…

Por fim, houveram dois movimentos muito interessantes, um da Tenente Wenzel e o outro do Presidente Ernst. A primeira assumiu uma certa responsabilidade pela ordem de seus superiores e também proveu esse outro lado de Giad; longe da utopia, mas de San Magnólia também.

Já o Ernst fez o papel clichê de pedir que os heróis voltem em segurança de uma missão suicida. Até aí não vejo muito o que reclamar ou elogiar, até porque, pensando bem, ele não poderia passar por cima da decisão mesmo com sua autoridade. Mas e o que ele fala depois?

Como ele vai destruir o mundo se os Eighty-Six morrerem? Por quê? Por vingança a um mundo que manda adolescentes para a morte certa? Me desculpa, mas isso não faz sentido. Até porque, convenhamos, eles podem perecer, mas conseguir realizar a tarefa e salvar os traseiros de todos.

Porque, sério, objetivamente falando a gente não pode esquecer da importância da missão para a guerra, então será que a fala dela é sua questão pessoal interferindo? Seria mais um caso de projeção de pessoas que se foram em pessoas ainda vidas (nesse caso os Eighty-Six)?

Ainda assim, achei o episódio excelente, a cena com a Frederica pagou metade do rolê, o medo de avião do Theo a outra. E se pensarmos bem, talvez não tenha muito para onde correr mesmo no que se refere as construções narrativas recorrentes. O mundo de 86 é uma merda, afinal.

Até a próxima!

P.S.: Não vou explicar o que é nachzehrer, a Frederica já deu conta. Só acrescento que é um termo alemão, como vários do anime, e que esses seres são uma espécie de ghoul, e ghouls são meio que vampiros, né, só que com características diferentes. No fim das contas, tá tudo em casa.

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