Bom dia!

O Café com Anime é um bate-papo descontraído sobre animes da temporada entre mim e meus colegas Vinícius, do FinisgeekisDiego, do É Só Um Desenho, e Gato de Ulthar, do Dissidência Pop.

Continue lendo para ver como foi a conversa da semana sobre o Animegataris, episódio 3!

Fábio "Mexicano":
Quem mais ficou emocionado com o discurso do Kaikai defendendo o Clube de Animes? Eu confesso que fiquei muito mais do que deveria, até me senti meio idiota por me emocionar com um discurso adolescente em um anime tão leve e meio bobo, hehe. E será que o conflito com o Conselho Estudantil acabou? Segundo o professor, esse parece ter história, embora ninguém saiba sua causa.
Diego:
Eu vou ser bem direto: enquanto o discurso do Kaikai foi legal e, em última instância, é um bom momento de desenvolvimento do personagem, eu não gosto da premissa dele. Muitas vezes eu vejo personagens em anime tentando justificar o seu interesse em uma dada mídia por argumentos emocionais. “É divertido”, “é emocionante”, são argumentos válidos, mas não quando você quer justificar a importância de algo. Seria legal ao menos uma vez ver uma justificativa mais racional.
Vinícius Marino:
Na verdade, eu quase bati a cara na mesa de tanto cringe. Sério, eu entendo que Animegataris precisava de um discurso inspirador para nos fazer ter orgulho do hobby e blá blá blá, mas é como o Diego falou. Estamos falando de uma atividade escolar! Há toda sorte de argumentos “acadêmicos” que ele poderia ter usado para justificar a empreitada. Digo, vivemos numa época em que existem antropólogos especializados em tribos urbanas! “Estudar” animes não é mais coisa de outro mundo, sobretudo no Japão, onde isso é indústria que move milhões.
Talvez eu esteja projetando: faço parte de um grupo de pesquisas do CNPq dedicado a pesquisar videogames. Se a gente conseguiu convencer uma agência de fomento federal a apoiar nossa jogatina, o Kaikai & Cia conseguem convencer a direção 😜
Diego:
Pior que parando pra analisar, ninguém naquele grupo realmente pensaria em argumentos mais calmos e razoáveis, ou ao menos não me parece assim. Talvez a Erika, mas os demais não me parecem o tipo de pessoa que se importaria com o valor social, econômico ou cultural da mídia, só assistem porque acham divertido mesmo. Absolutamente nada de errado nisso, mas também não lhes dá muita base pra argumentar num discurso escolar rs.
Vinícius Marino:
Eles deveriam ter seguido o conselho da Erika e feito um grupinho extra-curricular, à la “Sociedade dos Poetas Mortos”. Algo como “A Irmandade dos Mangakás Vivos”.
Gato de Ulthar:
Esse episódio foi dividido em duas partes principais. Uma primeira parte extremamente expositiva, culminando em uma didática visita a Akiba. Parecia um vídeo promocional de alguma agência de turismo divulgando pontos de interesse otaku.
A segunda parte possui história propriamente dita, desenvolvendo a trama em torno do fechamento do clube de anime, culminando no fatídico discurso do Kaikai e reabertura do Clube. Percebemos que Erika e a presidente do Conselho Estudantil tem um passado, provavelmente em torno de um clube que não deu certo. Também não gostei do discurso do Kaikai. A existência do clube de anime deveria ser pautada pelos mesmos interesses que permitem que exista um clube de cinema ou de literatura. Mas convenhamos, nada com um discurso clichê em um anime do gênero.
Também houve muitas referências neste episódio, como é de praxe. Destaque para a referência a Madoka.
A parte mais engraçada foi a do momento Boys Love.
Fábio "Mexicano":
Gente. Bom, eu disse logo de cara que o discurso do Kaikai era adolescente. E que me senti idiota. Mas esse é o ponto também, não é? Eles são adolescentes. E idiotas. Os clubes lá não são laboratórios de pesquisa acadêmica. Me digam aí um único anime que tenha um clube cultural que efetivamente faça pesquisas. Isso não existe. Mesmo se existisse, pelos próprios termos do Conselho Estudantil eles não deveriam ser proibidos: enriquecer a vida escolar e aumentar os laços de amizade entre os estudantes. Me digam por que o Clube de Anime se sai pior nisso do que qualquer outro clube cultural? Eles estavam sendo claramente injustiçados. A resposta veio à altura, e da forma como se espera de um adolescente E otaku.
Gato de Ulthar:
Acho que minha reclamação se deu no sentido de eu querer que eles tivessem feito o ideal, satisfazendo minhas expectativas, mas é como o Fábio mesmo falou, um bando de Otaku idiota.
E pareceu que eu critiquei a primeira parte do anime no meu comentário anterior, mas muito pelo contrário, eu gostei bastante da primeira parte instrutiva sobre o paraíso Otaku de Akiba.
Vinícius Marino:
Existe uma matéria no currículo japonês chamada shakai 社会, ou “estudos sociais”, que organiza atividades e passeios de cunho cultural. Vários episódios de Cardcaptor Sakura se passam em excursões dessa matéria. Eu esperava que o Kaikai justificasse o anime nesse nível. Para citar o exemplo de CCS, se visitar um aquário é “culturalmente importante”, por que Akiba não o seria?
Sobre o fato de clube não fazer nada, acho um argumento fraco. Executivos também quase nunca aparecem trabalhando na ficção, e nem por isso não têm de justificar seu trabalho.
Fábio "Mexicano":
Você sabe que esse argumento seria rechaçado. E duvido que ele próprio ou qualquer um ali no clube tenha pensado tão longe. Talvez a Arisu tenha escrito algo nesse sentido em seu discurso, que de todo modo não era sincero.
Vinícius Marino:
De uma forma ou de outra, não atrapalhou minha apreciação do episódio. É um discurso ridículo em anime. Segue vida. Para uma série tão metanarrativa quanto Animegataris, se eles fugissem muito do cliché eu estranharia.
Fábio "Mexicano":
É um argumento sobre verossimilhança. Sim, espera-se que uma atividade acadêmica, mesmo no colegial, seja um pouco mais… acadêmica. Mas eu acho que ver o Kaikai defendendo o clube a partir dessa premissa, ou qualquer outro dos membros na verdade, soaria ainda mais artificial. De todo modo, reitero que o Conselho Estudantil, eu seu próprio argumento, não fez esse tipo de exigência. Apenas “enriquecer a vida escolar” (que é bastante vago e cabe qualquer coisa praticamente) e “aumentar os laços de amizade entre os estudantes” (o que muito claramente está acontecendo no Clube de Anime).
Diego:
Francamente, nem acho que o discurso em si quebre a verossimilhança, o que quebra é ele ter funcionado, isso sim 😛 Digo, o conselho escolar bem poderia ter levantado e dito pra escola “pera, vocês vão MESMO engolir essa? Sério?”, mas ao invés disso eles meio que apenas passivamente aceitam a derrota. Acho que esse foi o último prego no caixão dessa cena, pra mim. Mas tudo bem, o restante do episódio mais que compensa por esse pequeno momento, e espero agora ver mais das conversas desse nosso grupo formado.
Fábio "Mexicano":
Eles já haviam perdido. A garota do Conselho tentou protestar enquanto o Kaikai discursava para a mediadora, e foi negada. Bater o pé seria puro despeito, e embora despeito descreva bem as motivações do Conselho, até onde me pareceu, as garotas tentaram manter seus argumentos no plano racional – o que na minha opinião expôs o quão ridículas e arbitrárias elas estavam sendo.
Alguém ainda quer falar sobre o discurso? Se não, bom, aconteceu bastante coisa, quais foram suas impressões e destaques do passeio em Akihabara? =)
Diego:
Me deixou com vontade de visitar Akihabara 😛
Vinícius Marino:
Bom, minha opinião nesse sentido é um pouco enviesada, pois eu já fui a Akihabara. Achei que o anime capturou bem o espírito da coisa. O bairro é cheio de lojas GIGANTESCAS de merchan de anime, algumas com 7 ou 8 andares. Para quem estava acostumado a barraquinhas de bootleg em convenções, foi um grande choque.
Se tenho alguma “crítica”, é que Akiba é um bairro tão doido que a versão do anime me pareceu até comportada. Na minha visita, por exemplo, cheguei a ver malucos fazendo “cosplay” de Mario Kart, dirigindo no meio da rua com veículos de verdade.

Claro, esse é só o terceiro episódio. Mas espero que a série volte a abordar o lado mais “exótico” do mundo otaku: cafés temáticos, convenções, modas de rua, etc.

Gato de Ulthar:
Eu gostei desta primeira parte expositiva sobre Akiba. Confesso que conheço pouco do lugar além do que vemos em alguns animes e mangás. É incrível como o mercado relacionado ao meio otaku é grandioso no Japão. Espero ver mais deste material “didático” por assim dizer, com a galera visitando outros lugares de referência. Aguardo ansioso.
Diego:
Aguardo o dia que o nosso grupinho principal visitará a ComiKet 😛
Fábio "Mexicano":
Não consegui identificar o período do ano em que estão ainda, então não consigo fazer previsões. Mas bom, tem uma Comiket nas férias de verão e outra nas férias de inverno
Não fosse o elemento fantástico da história, até apostaria que o arco final seria algo assim.
Fábio "Mexicano":
Enfim, vamos ao que interessa:
Nos dois bate-papos anteriores, todo mundo aqui disse que queria fazer parte de um clube anime, e especificamente desse clube anime. Dado o que se viu no episódio e a discussão que tivemos, que formato prefeririam para o clube?
– A: Totalmente informal, como sugeriu a Erika. Haveria atividades extra-escolares, passeariam, sei lá, na Liberdade, comprariam DVDs piratas, figures super-caras e toquinhas de gatinhos, de vez em quando passariam em revistarias, etc
– B: Formalmente estabelecido, mas descompromissado (aparentemente, a escolha do anime): Teria uma sala e alguma infra-estrutura na escola, que seria usada apenas para ficar conversando como otakus que são e talvez arranjando uma TV ou PC para assistir animes lá mesmo
– C: Formal e acadêmico: Nada contra conversar e assistir animes, mas se dedicariam também com afinco a atividades de pesquisa sobre a história do mangá e anime, estudos sobre a mídia, produzindo conhecimento para ser compartilhado com o resto da escola e com quem mais tiver interesse
Vinícius Marino:
Bom, o formato B é o melhor dos dois mundos: usamos recursos da escola para vadiar e assistir anime. Acho o menos verossímil, mas estando na mesa, minha escolha é óbvia!
Gato de Ulthar:
A opção C seria a mais correta para um clube em uma instituição acadêmica. Contudo, a opção B é a mais tentadora, como apontou o Vinicius.
Diego:
Eu sou certinho o bastante pra preferir a C se fosse pra ser um clube escolar 😛 Sei lá, se fosse pra só ficar vendo anime com amigos acho bem mais proveitoso reunir um povo na casa de alguém… ao menos teria sofás, ao invés de cadeiras estudantis, fora uma TV provavelmente melhor do que a verba de uma escola poderia entregar rs.
Fábio "Mexicano":
Que isso, são escolas japonesas! Ok, as nossas não são 😃 Mas se sua escola fosse boa, talvez você tivesse projetor, e aí começaria a ficar interessante…
Bom, eu pessoalmente prefiro vadiar com a verba oficial dos outros! Mas sou de me empolgar com tudo fácil, e era mais ainda no colégio, então se alguém sussurrasse a opção mais complicada, eu teria ido com ela até o fim! E o bate-papo está bom mas já deu o que tinha que dar, até semana que vem ☺️

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