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Um início bem tranquilo e dentro do esperado para momentos de reação, estabilização e aprofundamento ativo das histórias, dos discursos e dos diálogos. Afinal, estamos falando de uma obra com um elevado grau de maturidade e que sabe brilhantemente distinguir as subjetivações dos momentos de construção direta e simples. Como sempre: funciona muito bem. Então, venha descobrir como gatos podem materializar os conflitos de Chise e muito mais nessa análise de Mahou Tsukai no Yome comigo.

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Aos poucos, esse universo sobrenatural, cheio de entranhas e personagens com aparências bizarras vem sendo desnudo para nós. Sempre pelos olhos da nossa pequena Chise (ou nem sempre por seus olhos, mas algumas vezes por suas lembranças, visões?). Essa mistura de intenções e subtramas que circulam ao redor do casal em busca de uma lua de mel só direcionam nossas atenções para mais uma possível (e boa) quebra de expectativa.

Novamente é trabalhada a ideia de vida, que tem se mostrado o ponto alto das intenções do autor. A simbologia presente no episódio passado foi extraordinária e muito tocante, sobretudo se você analisar como foi rápida a construção daquele ambiente e como o desfecho conseguiu me desvencilhar do planeta terra (mesmo que por alguns segundos). No caso do episódio dessa semana, essa temática é personificada na figura de um gato. Mas não apenas um gato qualquer. Um gato (uma cidade; um reino deles, na verdade) que traz consigo nada mais nada menos do que 9 vidas.

Um olhar breve sobre isso, e partindo de alguma experiência sobre o universo da obra, rapidamente infere sobre como isso é trabalhado sutilmente a cada episódio. A qualidade do vivente; os desafios que nos levam constantemente a pensar o suicídio como uma alternativa válida; os motivos que nos fazem não “puxarmos o gatilho” (a despeito da época do anime…). Aqui, a ideia reside em algo mais que a mera quantidade de vidas que esses seres falantes e (melhor) conscientes de suas ações e de suas existências têm. Reside no progresso individual e subjetivo que eles têm na medida em que vão morrendo.

Missão e reflexão; muito pouco em Mahou Tsukai é gratuito

Dessa forma, o próprio fato de, teoricamente, deixarem de existir (em uma de suas nove vidas – e com sorte, essa não seria a nona) torna-os mais capazes de encarar o regressivo tempo que lhes resta. Diante de tudo isso, a pergunta que fica é: como Chise vai ser impactada por essas perspectivas; por essa (de certa forma) fugacidade funcional da vida que segue? O final do episódio anterior deixou evidente o grau de instabilidade que ainda reside nela, a despeito de todos os progressos recentes que ela tem conquistado (ao lado de seu “noivo”). Mas tem que se ter sempre uma coisa em mente: apesar de não ter a precisão cronológica, o tempo entre ela deixar de ser leiloada como escrava ao ser comprada por Elias e o período atual no anime não pode ser sequer cogitado para comparação com os incansáveis anos em que o desconhecimento do mundo oculto e de suas criaturas escavou em sua alma (leia-se: psique) cicatrizes de formas e profundidades inimagináveis. Assim, encarar a protagonista, e toda sua bagagem psicológica, são o mínimo que devemos fazer para ter um bom episódio.

Medo de crianças. Dicotomia bem simbólica.

A trama perpassa por alguns aspectos trabalhados já em alguns episódios, focando agora, então, a nível de suplantar eventos ou explorar ainda mais o aprofundamento da jovem. Maternidade é um tema, elencado muito curiosamente, mas de um jeito fofo (digamos assim). O passado conturbado de Chise torna-se pior na medida exata da ausência de qualquer amparo familiar. Resultado: culpa. Uma quantidade absurda de culpa (na forma de uma energia – sim, tudo é muito simbólico por aqui) que, incapaz de ser canalizada e redirecionada, só tende se enterrar na própria menina. A partir dessa analogia, “a sujeira” das almas incapazes de terem seu fim adequado começa a fazer parte do cenário caótico de construção da personagem.

O ataque

E, de repente, Chise se vê em baixo d’água de novo… Novas visões sobre as condições daquela cidade (ou vila; ou reino) em momentos prévios à posse do primeiro rei gato. A missão é dada e igualmente de repente o foco do episódio é ajustado para o âmbito da purificação e para as capacidades mágicas de Chise. Os preparatórios são feitos e a semente é novamente plantada na mente da jovem:

A verdadeira missão (de Elias)

Contudo, como uma espécie de pano de fundo que por mais que você tente se desvencilhar você simplesmente não consegue (seja pelo fato dele estar realmente ali ou pelo fato de você interpretar a coisa toda como ele ali): a morte. Acompanhando-a, uma pitada de receio da falha – afinal, é sua primeira incursão solo no mundo da magia de verdade (digo, como uma aprendiz de um grande mago em uma missão). E o que vem de todo esse contexto? Bem, quanto a isso… basicamente: saberemos semana que vem. Um rival se desenha rapidamente; e o aparente (e inexorável) destino de uma Sleigh Beggie atinge fortemente Chise:

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