Bom dia!

Mais uma semana, mais um episódio de Girls’ Last Tour, mais uma vez cinco cinco estrelas, mais uma vez acho que esse episódio foi melhor do que o anterior e portanto cinco estrelas estão começando a parecer realmente poucas, e essa já é a terceira semana consecutiva de nota máxima!

Eu não tenho do que reclamar. Poder escrever sobre meu anime preferido, e não apenas porque gosto dele mas porque acho-o objetivamente melhor que todos os demais que estou assistindo (quase 30), é uma dádiva.

Esse foi o episódio que abandonou de vez o realismo e embarcou no surrealismo como nunca antes em Girls’ Last Tour. Se no primeiro episódio o movimento e o som do veículo andando através de plataformas e escadas em uma instalação industrial abandonada foi a primeira cena, e incrivelmente detalhada, se a fome das garotas pareceu estar vindo do meu próprio estômago, dessa vez o que o anime nos apresenta é totalmente diferente. Os pensamentos e desejos de Chito e Yuuri assumem forma física no mundo, temos um vislumbre das preocupações da Chito quanto à Yuuri através de um sonho seu, e o episódio termina com o ritmo da natureza capturado de modo harmônico pelas garotas para compôr uma melodia que pode muito bem resumir o que é esse anime, afinal de contas.

Sim, o mundo acabou. O mundo como o conhecemos não existe mais, e o mundo do futuro também já desvaneceu. Para mim, para você, isso só pode soar depressivo, sombrio. Mas esse é o mesmo mundo em que Chito e Yuuri nasceram, elas não conhecem um outro mundo. As garotas não vivem no fim do mundo. O que para nós é o fim do mundo, para elas é apenas mundo. E nele, apesar da solidão, da fome, do frio, da falta de um teto, elas vivem com a alegria própria de crianças curiosas descobrindo seu mundo, felizes com as menores coisas, encontrando diversão onde menos se espera e colocando sorrisos em nossos rostos. Enquanto andarmos, enquanto continuarmos em frente, nem o fim do mundo será realmente o fim, é o que elas estão nos dizendo, sem saber que estão dizendo alguma coisa a alguém.

Essa semana eu tive uma conversa online sobre qual teria sido a primeira forma de arte. Obviamente pré-histórica, antes da invenção da escrita. Terá sido a contação de histórias? Isso só pode ter ocorrido após o surgimento da linguagem, por rudimentar que fosse. As pinturas rupestres? Não faço ideia. Esculturas? Essas são boas candidatas, já que assim que começamos a criar ferramentas, começamos a dominar a arte da incisão e entalhe em pedra e madeira – ou de que outra forma haveriam lanças? Arte performática pré-linguagem? Algo como danças e movimentos que tentam contar algo, mas sem o auxílio do idioma falado. É possível. E que tal a música? O mundo está cheio de sons, e como Chito e Yuuri mostraram, ordená-los não é tão difícil assim. A música pode ter sido “descoberta”, como o fogo foi. Não sei se antropólogos ou historiadores da arte têm a resposta para isso, mas gosto de pensar que tenha sido a música.

O momento mágico em que Yuuri descobriu a música

Yuuri e Chito sabem tão pouco sobre o mundo. É provável que Chito já tenha lido algo sobre “música”, sem no entanto saber do que se trata. Yuuri, que no entanto não leu nada, teve o insight enquanto entediada esperando a chuva passar. E o resultado foi tão belo que eu quase não queria que a chuva parasse nunca mais – será que elas pensaram assim também? O fato é que, embora a maioria das coisas que a Yuuri faz por impulso apenas perturbem ou preocupem a Chito (e o quanto a Yuuri a preocupa ficou claro em seu sonho), dessa vez Chito embarcou de corpo e alma na empreitada da amiga. E elas produziram música.

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