Excellent! Poderia tecer mais elogios sobre esse episódio, mas esse já está bom para começar! Entrando de cabeça em sua reta final, Ballroom e Youkoso nos presenteia com um episódio que ampliou as suas qualidades e disfarçou muito bem os seus defeitos, o que acredito ter conseguido provocar intensas e gratificantes emoções no telespectador. Shall we dance one more Heat?!

Adoro essa cena no mangá e gostei dela no anime

O episódio começa já com os preparativos finais antes do par protagonista entrar no salão, e quando entra o que vemos são dois dançarinos bons e carismáticos que disfarçam muito bem a desarmonia existente entre eles. Nos primeiros minutos após a abertura a trilha sonora me impactou bastante e ajudou a me fazer entrar no clima da dança deles, me ajudou a acreditar que eles dançaram bem, apesar de suas dificuldades. Não houve danças fluidas muito longas, mas não foi necessário para gerar o impacto desejado. Ballroom disfarçou bem seus defeitos logo no começo do episódio e deixou vir à tona toda a emoção e intensidade da qual senti falta em boa arte desse arco.

Intensidade, a gente vê por aqui!

Então, a dupla que, segundo Kiyoharu-sensei, já passou dos limites da briga e agora debate arduamente para conseguir dançar junta, continua sua trajetória com um único objetivo em corpo e mente: a vitória. Um ponto positivo desse episódio foi o aparecimento de Shizuku e companhia, não só para torcer pelo Tatara e pela Chi-chan, mas também para ver o campeão – acreditando que possa ser a dupla deles – e analisar a dança e quem estava dançando. Uma boa forma de situar o telespectador sobre o que está acontecendo e de quebra dar uma compensada pelas danças em si.

Após um ótimo começo de competição, não vemos só a rispidez entre a Chi-chan e a Akira – aliás, o próximo episódio deve ser focado nas duas – como também a família de alguns dos dançarinos, o que vai gerar um dos momentos mais importantes para o desenvolvimento do protagonista, desencadeando nele a força e imposição necessárias para que ele se agigante na dança final.

Nem parece que querem se comer vivos. Não, pera…

Ao mesmo tempo em que a Chi-chan elogia o Tatara ela diz que ele é covarde e que gosta de homens mais fortes e ousados – coisa que ele ainda não é. Isso é importante para fazer o personagem refletir sobre a crítica e aceitá-la, o que não quer dizer que ele não anseia por uma mudança, e é justamente esse seu desejo que o faz se questionar tanto em meio a dança e perceber que ele é a pessoa mais insatisfeita com tudo isso e que para mudar deve dar tudo de si ao dançar com aquela a sua frente.

Dizem que quem briga muito se dá bem, se for assim eles vão acabar se casando kkk…

A conversa do Hyoudou com o pessoal esmiúça bem o que é a relação do par principal e quem é o Tatara como dançarino, o que é a sua liderança e o que ele e a sua parceira vão ter que fazer e estão fazendo para dançar bem e conseguir vencer. O que é feito aqui não é uma narração chata e sem noção estilo battle shounen, mas sim um diálogo bem escrito entre personagens importantes, sendo eficiente no que se refere a definir quem são os dançarinos e o que eles estão fazendo no salão. Não fica chato e não é desnecessário, mas se equilibra e se intercala bem com os momentos de dança.

E o Oscar de melhor personagem coadjuvante vai para…?!

A dança que vemos no final é resultado dos esforços do anime em fazer o seu público crer nos problemas de relacionamento dos personagens e, ainda assim, na capacidade que eles têm de traduzir o que aprenderam – entendendo tudo com palavras ou não – em dança, em movimento, em ritmo e paixão. Mesmo sem esbanjar em fluidez ou se apoiar em peripécias visuais a trilha sonora direciona o telespectador para o clima certo e entrega um momento emocionante que foi muito bem construído desde o começo do anime. Uma verdadeira catarse através da qual o Tatara foi capaz de finalmente mostrar a sua verdadeira dança com harmonia e unidade em meio a um completo caos.

“Um momento de harmonia, duas medidas de unidade.”

Digo isso porque não foi como se em um piscar de olhos todos os problemas deles tivessem se resolvido – eles ainda estão lá e não duvido que piorem –, mas sim que apesar deles o líder mostrou o poder da sua liderança – de uma que envolveu completamente a parceira – e deu um vislumbre do potencial que o par tem. Não é só pelo corpo ideal para a dança da Chinatsu ou pela capacidade de adaptação e improvisação do Tatara, mas sim porque tanto as qualidades quanto os defeitos dos dois conseguiram se complementar e expressar um sentimento de unidade e harmonia inéditos para a dupla. Algo consistente, elegante, imponente e envolvente que se bem usado pode dar a vitória a eles dois. Esse episódio me empolgou o suficiente para achar isso – espero mesmo não estar errado.

Outra coisa que achei positiva nesse episódio foi a retratação do personagem Tatara, porque ao mesmo tempo em que ele foi construído até aqui como uma ótima pessoa, não foi estranho pensar no personagem como um covarde se observarmos algumas de suas ações e até mesmo algumas de suas reações ao que a Chi-chan fazia. Ao longo do episódio podemos ver que ele está mudando de atitude e passando a se “encontrar” mesmo ainda estando meio “perdido”, o que é importante porque significa que esse ainda é um momento de transição, de evolução, de “troca de pele” para o personagem – como também para a dupla. É algo que deve atingir seu ápice no clímax do anime.

Que momento mais FODA!!! Pra mim esse daqui foi tão bom quanto no mangá!

Ademais, só gostaria de dizer que achei muito bom usar exatamente a família para desencadear a crítica da Chi-chan a ele, porque era algo que realmente tinha ficado de lado há muito tempo, mas não ficou de lado porque a autora esqueceu que ele tinha uma família ou porque o anime cortou isso na adaptação por falta de tempo, mas sim porque ele mesmo a colocava de fora, separando o mundo da dança do cotidiano sem graça que ele tinha antes e que podia ser representado justamente pela família e pelo seu medo de sair do vestiário e dizer “Pai, eu sou dançarino”. Quando ele conectar os dois mundos deve ser capaz de se integrar ainda mais a dança e se duvidar transformar esse hobby em seu sustento para o corpo e para a alma – como o Sengoku faz.

Não esconda da família que você nasceu para brilhar, pois eles devem acabar é te apoiando!

Terminei de ver esse episódio com um sorriso no rosto não só porque o achei excelente, mas também porque ele me deu esperanças de que ao menos alguns dos próximos possam ser tão bons quanto. Fico por aqui agora e espero que tenham gostado do “Competidor Número 13” e estejam gostando do “Bem-vindo ao Salão de Dança” que dessa vez nos recebeu da melhor forma possível!

Até o próximo Heat desse arco de torneio que já começou com o pé direito e muita, muita emoção!

Ela arrasou nesse episódio e voltou ao páreo na briga pra ser a waifu oficial de Ballroom! 

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