O episódio de hoje continua suas observações e projeções em cima do arco dos gatos. Uma verdadeira forma de evolução de personagens foi apresentada. Uma genuína maneira de explorar a natureza doentia e indiferente de alguns seres (humanos?). Bem, tudo isso é Mahou Tsukai no Yome, onde nossa jovem Chise tem de perambular e se descobrir; onde Elias tem que auxiliá-la a desbravar seu verdadeiro potencial na medida em que traça o encontro dela consigo mesma. E como essa busca continua, vamos a ela, agora!

No in

Início desse episódio, o diretor distanciou fotograficamente o casal. A aura mais negra e com tom mais de superioridade no discurso direto de Elias. Do outro lado, a postura mais singela e humilde de Chise, envolta em uma palheta de cores mais alegres e reverberantes, apegada à rainha dos gatos. Essa dicotomia inicial é uma estratégia válida de gerar uma aproximação por comparação. O que fica ainda mais claro (a tentativa de manter uma estreita interação entre os dois) é o diálogo após aquilo: a natureza em descoberta de Chise e seu guia resoluto e sólido de suas próprias ações, guiando-a.

O lado “sombrio”

Diante de todo esse contexto primário (o caso Chise), uma pergunta pode vir a baila facilmente: qual a intenção de alguém que se utiliza do contraste para estabelecer um estreitamento de afetos e intenções? Quanto a isso, a resposta vem alguns frames depois: complementaridade. É o fato da natureza de Elias ser limitada para algumas atividades (mais “iluminadas”, digamos metaforicamente assim) que faz com que Chise ganhe um espaço muito especial não apenas para o contexto micro da relação entre os dois, mas muito mais que isso: no contexto macro da linha principal da narrativa, uma vez que sabemos não apenas que Elias é um mago muito influente e poderoso, como também que algo está começando a se desnudar nos bastidores das tretas entre magos e feiticeiros.

O lado “iluminado”

O encadeamento de consequências nos leva, após um breve salto temporal, para uma nova perspectiva. E com ela, uma nova rainha. Agora sem pelos e miados, e sim magistralidade, digamos assim (além de um imediato bem resmungão). A rainha das fadas se apresenta ao universo de Mahou Tsukai. E com ela, seu rei. Envoltos em um manto onde não se tem certeza da profundidade das palavras ou do poder das intenções (uma estratégia narrativa bem interessante e bem trabalhada – o que é bem raro), ficamos a mercê de meras interpretações e oportunidade que vão se apresentando gradativamente a nós. É dessa forma que as narrativas e seus possíveis caminhos vão se desnudando paulatinamente a nossa frente e tudo o que podemos fazer é tentar descobrir até onde é verdadeiro e o que interessa para o progresso da trama – o que é de fato muito divertido.

A sombra iluminada ou a luz enegrecida?

Em poucos minutos de interação e um banquete de alívios cômicos (e um par gigante de peitos saltitando a cada leve andada), um profundo direcionamento foi dado à obra. Isso é Mahou Tsukai. Nesse pequeno interim de risos e maluquices, Chise e Elias tiveram seu relacionamento estreitado em muitos aspectos, e a união (marcada por muitas sociedades como a partir de um herdeiro (a)) deles teve um grande salto. Além disso, como nem tudo são flores e nesse anime sempre há outro lado (pelo menos até agora) capaz de trazer à reflexão a partir de um ponto de vista novo e interessante, uma nova faceta ou aspecto da natureza inerente a Elias é revelado.

A rainha do fanervice

O modo sutil como a cena foi construída gera uma sensação de inquietação ainda maior em cima desse ponto de vista, o que faz você querer saber mais e mais a cada instante. Afinal de contas, proporcionalmente a diferença entre o que sabemos do passado e das intenções de Chise é infinitamente maior do que conhecemos a respeito de Elias. E esse tipo de dúvida leve, mas vital para o andamento da trama, faz com que Mahou Tsukai no Yome seja inexoravelmente bem construído.

Dessa forma, ainda pode haver quem não goste do estilo de slice of life e fantasia que tem dominado o anime, uma vez que gosto é particular e precisa ser respeitado, mas até agora ninguém pode criticar a qualidade narrativa do autor o qual, a cada episódio (e mais de duas ou três vezes por episódio), consegue mostrar sua inventividade e capacidade a todos os que assistem a essa animação. Então é assim que a obra se direciona, deixando-nos com mais uma pitadinha de curiosidade de como aquele feiticeiro vai interferir no plot nos próximos arcos. Pela sutileza das intenções o episódio de hoje recebe minhas 4,5 estrelas.

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