Bom dia!

Você entendeu esse episódio? Eu, sinceramente, não sei responder. Acho que sim. Mas você sabe o que é um Jaguadarte? Eu também não! E não se preocupe: nem quem inventou a palavra sabe. Lewis Carrol, o autor de Alice no País das Maravilhas, criou o Jaguadarte. Na verdade, Jabberwocky, que igualmente não significa nada, e é só uma das palavras sem sentido que ele enfiou em um poema que faz parte de Alice no País dos Espelhos.

Mesmo significando nada, você consegue imaginar um “Jaguadarte”, não consegue? Vamos lá, se esforce. Nosso cérebro odeia coisas sem sentido, ele dá um jeito para tudo. Mesmo assim, você certamente não diria que o que quer que tenha imaginado seja o que o autor imaginou (no caso, o tradutor: Augusto de Campos) – isso na hipótese de que houvesse uma imagem na mente do autor!

Esse arco, em especial nesse episódio, sob forte e óbvia inspiração das obras de Carroll, eu acredito ter entendido – mas não sou louco de dizer que com certeza é aquilo que eu penso ser!

Fui alertado em comentário no episódio anterior que a cena inicial era flashback, e não a cena final, adiantada. Por tudo o que conhecemos de Fate/Extra e sobre o Hakuno em particular, faz muito sentido. As duas interpretações seriam possíveis – com o detalhe notável de que a cena entre o Hakuno e a Alice no meio do episódio teve um tom diferente do resto do episódio. Fazia sentido e era o mais provável. Vim para esse episódio assumindo então que fosse flashback. De todo modo, se alguém ainda tinha dúvida, o anime confirmou isso antes do combate final, quando deu um close-up na mão do Hakuno, revelando que os selos de comando que ele tinha eram diferentes dos que ele tem agora. Uma questão respondida.

Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

Resposta que suscitou várias outras perguntas. Bom, então estamos lidando com duas linhas do tempo, o que não é tão estranho assim porque Fate/Extra já mais do que sugeriu que o Hakuno viveu e morreu diversas vezes. E, parece, isso é possível para ele porque é um Dead Face, conforme discutido no episódio anterior. A novidade desse arco é que uma das linhas do tempo anterior dele é determinante para a história, não servindo só de background do personagem – assim, entender o passado é importante para entender o presente. Tudo, no final, se desdobra em uma única linha do tempo.

Hakuno encontrou Alice no passado, quando a garota já era um fantasma (provavelmente ela se tornou mestra quando já era fantasma), mas parecia estar em estado bem melhor do que agora. E o que aconteceu para ela se deteriorar? Não tenho certeza, mas suponho que tenha a ver com o próprio fato dela ter perdido – ou melhor, ter fugido da luta em favor do Hakuno do passado. Fica implícito que um mestre que fizesse isso em qualquer outra condição morreria, mas como ela já era um fantasma, estava imune. Ela pode então ter enfraquecido porque perdeu. Ou pode apenas ter sido a passagem do tempo – lembra dos tais mil anos? Suponho que se apliquem aqui também. No instante em que a Alice, a mestra, deixou de existir de uma vez por todas, seu servo – o livro, o Nursery Rhyme – continuou vivendo em seu lugar e assumiu sua personalidade e sua promessa de esperar pelo retorno de Hakuno.

Sem uma mestra (ou com ela enfraquecendo ao longo do tempo, ou só porque ela perdeu, enfim, qualquer que seja a hipótese), Nursery Rhyme ficou sem fonte de energia – os servos dependem dos mestres, afinal. E aí ela começou a absorver tudo no terceiro andar, ao ponto de enlouquecer e matar (e devorar!) até mesmo os outros mestres que passaram por ali. Com seu poder de voltar no tempo caso fosse derrotada, tornou-se temível e virtualmente imbatível. A Amari parece ter passado por lá nessa fase, mas, de alguma forma, sobreviveu. Se não apareceu morrendo, deve ter sobrevivido, não é? E como a visão que o Hakuno teve dela se revelou apenas parte da memória de Alice-Nursery Rhyme, provavelmente ela não está mais lá. Não deve ter descido, então só pode estar acima.

Quando, agora no presente, Hakuno se lembrou de tudo isso e no combate final contra Nursery Rhyme a serva que continuou lá para cumprir o desejo da mestra o viu, e viu que ele carregava o livro, finalmente considerou a promessa cumprida: ele não se esqueceu e voltou. O ataque da Rin foi poderoso e a garota certamente esperava que fosse fatal (e deve ser fatal na maioria dos casos mesmo, ela derrotou três berserkers no primeiro andar!), mas o susto que ela tomou revela que Nursery Rhyme não havia morrido e poderia continuar lutando – provavelmente vencê-los! Foi nesse momento que a serva viu Hakuno e o livro, Saber atacou, como já havia atacado antes, mas dessa vez o tempo não foi resetado. Alice não queria mais resetar, não precisava mais resetar.

Entendeu mais ou menos isso? Foi o que eu entendi, e espero não estar muito longe da realidade, hehe. Outras coisas interessantes nesse episódio permitem especular sobre o que aconteceu com Seraph e a Guerra do Santo Graal. A Saber parece já ter chegado até o sétimo andar, afinal ela sabe sobre ele, e acho que podemos assumir que a descrição que ela deu refira-se a luta que teve contra Buda no primeiro episódio. Segundo ela, seu mestre de então não era o Hakuno. Mas quem é o Hakuno? O Hakuno é um Dead Face, ele não é ninguém. Ele não tem memórias. Ele tem raros flashbacks curtos e ininteligíveis, com a notável exceção dos vistos nesse arco – que podem ter sido de todo modo estimulados pela Nursery Rhyme. Não seria forçar a barra supor que os flashbacks que ele teve nesse andar na verdade foram memórias que Alice tinha e mostrou para ele.

Se o Hakuno é alguém tão fragmentado, tão sem identidade, o mestre (ou mestra, havia uma garota morta ou fatalmente ferida por lá enquanto Saber caía até o mais baixo dos andares) da Saber na luta contra Buda poderia muito bem ser e não ser Hakuno. Ser Hakuno sem ser Hakuno. Entende? Uma piração mesmo, talvez esteja cedo para especular sobre isso. Também dá pra especular sobre o que aconteceu depois que o Hakuno do passado subiu para o quarto andar. Bom, não exatamente, mas dá para pelo menos ter uma ideia bem geral, bem por cima. O Hakuno subiu pelo menos até o quarto andar antes, talvez mais – talvez, de fato, até o sétimo, se assumirmos que ele era o mestre da Saber. Conforme outros mestres vistos no andar disseram, algo aconteceu no quarto ou quinto andar, e por isso eles estavam descendo. Esse “algo” terá sido a luta entre Saber e Buda? Terá sido antes ou depois da passagem da Amari por ali? Em todo caso, parece ter sido algo grande e esse arco deve marcar um “antes e depois” em Fate/Extra, consideradas todas as revelações e o fato de que até o elevador mudou – e está com um “alerta de limpeza”.

Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

As descrições das imagens nesse artigo compõe a versão em português, traduzida por Augusto de Campos, do poema Jaguadarte (Jabberwocky) de Lewis Carrol, parte de Alice no País dos Espelhos (Through the Looking-Glass and What Alice Found There). Divirta-se encontrando significado! 🙂

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