Vocês conhecem o anime Tiger & Bunny? Eu ainda não assisti, mas vi que ele tem uma ótima nota no Myanimelist e lembro de já ter lido críticas positivas sobre a obra. Mas o que isso tem a ver com essa estreia da temporada de outono de 2018? O anime é um spin-off aparentemente situado no mesmo universo da obra de 2011, mas não é necessário ter visto Tiger para entender Double, pois na estreia ele se explicou bem, provando que pode ser encarado como uma história independente. Super-herói é algo que nunca sai de moda, né? É o que podemos ver nesse anime sobre o qual comentarei agora!

A prova de que (co-)protagonistas de anime ganham mal é ele ter esse tijolão aí.

Na trama acompanhamos Kirill, um policial que almeja virar super-herói, mas a princípio parece mais longe do que perto disso. Contudo, antes de sequer vermos seu rosto, introduzem dois personagens que lidam com caras estranhos e fazem um papel bastante similar ao de um super-herói, mesmo que se apresentem como investigadores. Eles trabalham na SEVEN-O, uma divisão especial que soluciona crimes relacionados a usuários da perigosa droga Anthem. É claro que o protagonista seria envolvido em uma situação que o ligasse a esses personagens e após uma introdução inicial é isso o que ocorre.

O episódio todo é bem dividido quanto a forma e o momento em que as coisas ocorrem, seguindo o padrão de apresentar um personagem, deixar claro o seu objetivo, colocá-lo em uma situação que o aproxima dele e, então, inseri-lo dentro do desafio que ele deseja para a sua vida. Kirill quer virar um herói desde a infância, sonhava com isso e com a oportunidade a frente só poderia agarrá-la, não é?

Exatamente! Double Decker! seguiu um script bem previsível em sua estreia, mas isso sequer foi um problema devido a boa qualidade de sua produção – e olha que até usam CG, mas longe de ser ruim –, aos seus personagens que são fáceis de se gostar – apesar de não serem tão interessantes assim – e um plot que flui de maneira leve e descontraída, além da premissa ser uma das mais comuns por aí.

Essa cena foi tão aleatória que só consegui dar risada mesmo.

Um anime que facilmente seria esquecível não fosse a comédia bem dosada, fazendo com que até os momentos mais sérios dessem abertura para piadinhas ou situações engraçadas, e a forte identidade visual que a série apresentou nessa estreia – isso eu acredito vir de Tiger & Bunny. A história deve se passar principalmente no meio urbano; e a cidade, assim como os personagens, tem designs de cores bem vivas e chamativas, o que até remete as HQs americanas de super-heróis – o “tema” dessa obra.

Censura cômica bem utilizada é a única que eu acho boa. Essa então foi bem legal.

Outro detalhe bacana é o estilo do que aparece como apoio visual em tela, seja em plaquinhas com o nome dos personagens ou em legendas em inglês para algo que está sendo dito. Isso contribui para a sensação de imersão em uma HQ ocidental, como se a série tivesse a intenção de tanto se aproveitar dessa identidade visual para si, quanto usar essa ligação para brincar com os clichês vistos nesse tipo de história. Uma paródia? Não acho que completamente, mas com certeza há a intenção de satirizar.

My Hero Academia também usa bem essa identidade visual dos comics americanos.

Quanto a história, depois que o narrador quebra a quarta parede – de maneira bem perspicaz, diga-se de passagem –, o que se sucede são eventos de azar para o protagonista, os quais na verdade se convertem em “sorte” quando ele acorda e se vê no meio de um tiroteio e um sequestro que se ele resolvesse o abriria as portas para a realização de seu almejado sonho. O personagem que aparece no início reaparece e o modo como tudo se resolve apela mais para a comédia que para a ação em si.

Acredito que os dois elementos tendem ser explorados com certo “equilíbrio” no anime, mas nesse primeiro episódio a forma de conectar o protagonista a mudança de vida dele foi através da quebra de expectativa pura e simples, do “choque” de que a realidade não é tão – ou é nada – heroica assim.

Só essa cena já foi melhor que Island e RErideD juntos, hein!

Assim sendo, ele é indicado por seu senpai para o cargo vago na SEVEN-O. Começando a trabalhar de imediato, ele logo é apresentado a equipe e ao sistema de Double Decker – no qual ele fará parceria com Doug, o que explica o nome do anime. Tudo relativamente bem previsível, mas que acabou por ser divertido pela maneira como foi trabalhado. Além de ter potencial para explorar esse “heroísmo”.

Que herói Kirill quer ser? O que exatamente significa ser um herói nessa sociedade? O que existe por trás dessa droga que confere habilidades sobre-humanas em um estágio mais avançado? Como será a convivência na SEVEN-O? Que segredos o co-protagonista Doug pode esconder – sendo essa última apenas uma suposição minha de que ele tem mesmo alguma coisa a esconder – sobre seu passado?

Tudo fica bem quando acaba bem, né? Ou será que não?

Double Decker! tem um bom potencial tanto para ser divertido, quanto para surpreender o público por ele não estar esperando seriedade em um anime com um tom mais cômico. Se ele fará isso ou não só dá para saber assistindo, mas como um entretenimento sem compromisso envolvendo super-heróis um pouco diferentes em uma trama urbana, e que deve ser agitada, já posso indicá-lo! Está nas mãos da equipe de produção entregar um bom anime. Esse episódio demonstrou que é possível.

Masakazu Katsura fez o character design e fará o de Akanesasu Shoujo, ambos dessa temporada.

  1. Este primeiro episódio de Double Decker, foi bem mais interessante e cómico do que eu esperava.
    A parte visual do anime já me conquistou, a todo o momento a arte do episódio me fez lembrar de uma franquia de videojogos chamada de Borderlands.
    Eu ainda não vi Tiger & Bunny, mas já li muitas criticas positivas sobre a sua história e arte (quem sabe se Double Decker for bom, eu veja o famoso Tiger & Bunny).
    Passando ao episódio o Douglas parece ter um passado interessante, ele tem uma aura misteriosa. A forma como o detective Douglas lidou com o junky intoxicado com Anthem no começo do episódio, foi bem feita e a firma de neutralizar os intoxicados com Anthem é bem interessante, aquela bala especial que o Douglas disparou deve ser algum tipo de neutralizante que adormece os efeitos do Anthem. O final da luta do começo do episódio foi bem interessante,a Pinky além de badass é uma excelente franco-atiradora.
    O Kirill neste episódio, como protagonista foi ok, ele ainda precisa de mais tempo para mostrar as suas verdadeiras motivações, ele se for bem trabalhado, será um bom personagem.
    Não consegui não rir dos momentos em que o narrador falava, ele dizia quase todas as frases em relação ao Kirill em tom de deboche. A parte em que o Kirill teve que ir procurar um gato desaparecido no seu dia de folga, deu origem a uma cena bem aleatória com o gato numa posse bem estranha.
    Ainda nesse segmento, o que fazer quando se está preso num armazém abandonado, com um tipo armado com uma metralhadora e um refém, a resposta certa é aparecer em frente ao tipo armado nu como veio ao mundo, o Kirill é um negociador nato.
    Eu ainda não sei o que pensar da SEVEN-O, mas aquele chefe parece um mafioso italiano, só lhe faltava um charuto e um copo de vinho.
    Citaste o nome de Island na imagem onde o Kirill aparece em pelota, só essa parte foi melhor que Island inteiro. Eu ainda não vi RerideD, e nem sei se verei, ele já teve criticas pesadas sobre ele.
    Excelente artigo de primeiras impressões de Double Decker Kakeru17.

  2. Que bom que você gostou, Kondou-san. Eu acharia a estreia bem normal se o timming cômico da obra não tivesse batido com o meu e se ela não se valesse de bons recursos visuais, além de uma animação chamativa em si. Também gostei da Pink, e acho que se souberem explorar bem todas as duplas não deve ficar repetitivo. Pelo pouco que conheço de Tiger & Bunny o visual é parecido, e também tem suas doses de comédia. Acho que esse anime tem tudo para ser bem divertido e, se duvidar, também pode render reflexões interessantes.

  3. E aí peopleeess!!!
    Esse vai ser o anime “comic relief” do ano!!! Ah…E com os comentários do K-San!! É lógico que vai ser bom…
    Bem vendo esse aí já tem um perfume de hit….O anime tá cheio de referências dos anos 80…
    – A ambientação do QG da Seven-O (alguém se lembra de Hawaii 5-O?) parece de “21 Jump Street”
    – O carro usado pela dupla Kirill e Doug é baseado em um DE LOREAN!!!
    – Ah…As velhas piadas e chavões de “smart cop rookie cop” shows dos anos 80

    Fora que a mix de cultura pop com slides de quadrinhos ocidentais americanos (bem Marvel e DC) com lamen dá um caldo para lá de bom. Espero que não desande….

    Agora o Boss da Seven-O não seria o tal “Boss” do café, não sei mas tá cheirando a uma ação de marketing (até que bem feita) e só ver uma lata de “Boss” o café (alias para um brasileiro aquilo lá é horrivel!)

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