Quando eu achava que a Mana não podia ser ainda mais azarada, mais maldições aparecem. Não é possível isso! Mas no episódio 25 ela não pediu por aquilo. Aliás, em MOMENTO ALGUM! Vamos combinar que aquela amiga dela que resolveu se vingar da Karin utilizando o celular da própria Mana que merecia o sermão dos youkais. O que aconteceu a ela foi totalmente descabido e injusto na minha opinião.

Já no episódio 26, o que pude extrair de maldições foi a prisão interna e externa que sofremos quando se tem algum relacionamento abusivo, seja de namorado(a), seja de parente, e até mesmo de pai, mãe e irmãos. Ou seja, qualquer pessoa que te sufoque, mas oferece apenas a si mesma como porto seguro, e isso faz mal mentalmente e fisicamente.

Nanashi… Para mim era apenas um nome criado para esconder a verdadeira forma do youkai que amaldiçoou Mana antes. Mas agora acho que faz sentido, porque “Nana”(なな) é sete em japonês. E ele acabou falando sobre 7 maldições. A primeira foi depois dela ter se livrado daquela pedra angular e ainda ter ajudado na força do Kitarou no episódio 11. Agora é depois daquele aplicativo de celular ter desaparecido. Mas isso me faz pensar: será que Mana só está adquirindo partes dessas maldições quando tem maldições envolvidas no meio dos casos (como foi o dos tanukis e do aplicativo do celular), ou é porque está mais próxima do Kitarou quanto se imagina?

Acredito que tenha a ver com a segunda parte da pergunta mesmo, porque apesar de muitos casos terem maldições envolvidas, nem todos Mana está envolvida. O que me assustou mesmo no episódio 25 não foi a maldição que lhe foi entregue enquanto dormia, mas a quantidade de pessoas que viraram escravas da vingança e quantas podiam ter morrido por suicídio. E quanto mais via o tempo se aproximando do fim, mais gente ficava desesperada. Até então, a única coisa que eu via tomando tempo mesmo eram jogos de celulares que nos obrigam a ficar mais tempo que o necessário olhando para ver se pode realizar mais algumas atividades.

E ninguém suspeitou que ia acontecer algo de ruim, não?

Não apenas jogos de celular, mas também outros aplicativos, como os de conversa, os de mídia social, e etc. Esperar notícias de alguém ou jogar conversa fora parece ainda mais interessante que conversar cara a cara com as pessoas. Além disso, o episódio 25 ensinou outra lição importante. Como diz o Seu Madruga: “A vingança não é plena, mata a alma e envenena”, que é praticamente o que o Medama Oyaji disse: “A vingança cava dois túmulos”. Quem deveria ter recebido sermão era outra pessoa, mas a Mana que acabou pagando o pato, recebendo mais uma maldição.

O que me revoltou um pouco é ela ter recebido sermão ao invés da outra. Mas o fato de não ter arrancado o celular da mão da amiga também me revolta um pouco, porém foi necessário para que o episódio andasse, infelizmente.

Já o episódio 26 foi ainda mais difícil de assistir, na minha opinião. Eu nunca passei por um relacionamento abusivo, mas quem já passou sabe dizer o quão sufocante é alguém dizendo que quer o seu bem, mas que na verdade não quer que você tenha outros amigos, por exemplo. Outro caso desses veio à tona em “Gegege no Kitarou”, bem no começo do anime. Alguém se lembra do episódio 10, em que Yosuke aparecia perseguindo a Hanako por conta de um gesto de gentileza? Isso também é um caso de relacionamento abusivo.

Desde pequena, ela sofria com o amor excessivo da mãe.

Este episódio também mostrou o quão importante é conversar, e não se deixar levar apenas pelos sentimentos. Tanto a menina, quanto a mãe mudaram quando entraram em um relacionamento. Após o homem ter traído a esposa e ter “saído da vida delas” (porque acho que ele não saiu de casa, e sim foi morto pela mulher), ela acabou sufocando a filha de tal maneira que esta não conseguia fazer nada, muito menos namorar. E quando sua mãe encontrou uma pessoa carinhosa, a menina quis matá-la por conta do estresse sofrido aqueles anos todos.

Acredito que todos temos formas diferentes de como se portar em diversos tipos de situação. Ao fim, a mãe acabou aceitando que a filha precisa de um pouco mais de espaço. Mas e naqueles casos extremos, que a família prende ainda mais? Logicamente que o anime não mostraria algo tão complicado quanto isso, mas se formos contar como uma família não-ficcional agiria, não seria mais ou menos esse o caso?

 

Os youkais que apareceram nos dois episódios:

 

Kubire-Oni: no conto em que este youkai aparece, está descrito que um homem morre afogado em um rio diante de circunstâncias bem suspeitas. E é claro que o espírito dele estaria em busca de vingança, então ele vai possuindo as pessoas até ficarem tão deprimidas que cheguem a cometer suicídio. Não é à toa que no anime mostrou alguns indivíduos literalmente “com a corda no pescoço”, e achei incrível a maneira com que foi utilizada a maldição dele. Acabou evoluindo junto com o nosso tempo e se formou um aplicativo de celular. Se souberem de algo assim, gente, não instale no celular, viu? Para quem quiser saber mais detalhes, aqui está o link (em inglês).

Primeira cabeça enorme.

Gahi: infelizmente não encontrei nada sobre este youkai, então acredito que venha da mente criativa dos produtores. Ele também aparece em Gegege no Kitarou, na versão de 2007, porém como uma mulher. Mas nas duas versões, há duas similaridades: ambos usam roupas chinesas e também a forma verdadeira é a mesma. É importante manter isso em mente, pois quer dizer que, mesmo em épocas diferentes, eles sejam iguais na maneira de se apresentar.

Segunda cabeça enorme (e que língua!).

 

Muito obrigada por ler este combo! Nos vemos no próximo artigo!

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    Como tava esperando por estas análises, mais ainda pra pensar sobre o que raios está havendo com a Mana: uma coisa é certa, vai dar algo de muito ruim com a garota, a grande questão é no quê? Penso nas seguintes possibilidades: uma, ela vai virar algum youkai cruel que vai causar o caos e destruição tanto a humanos quanto a youkais; segundo, ser passagem de uma maldição de proporções nipônicas e mundiais ou morrer nisto tudo, se for pra manter a paz. Bem, as cartas pra isso já foram lançadas e são bem pessimistas, se for para de pensar, são suposições minhas após ver o 25° episódio e céus, a print inicial é bem direta, vai dar ruim em algum momento com nossa Mana.

    Quanto ao 26° episódio, esta questão de superproteção e abuso são temas a ser discutidos e entender o que leva pais a querer limitar demais os próprios filhos; meio que já passei por essa quando mais nova, pois o meu pai, já falecido, era bem super-protetor comigo, não por motivos ruins e sim por vê-lo como alguém a ser amado, ele não foi muito bem em seu primeiro casamento e minha mãe e eu o amávamos.

    Tanto a garota quanto a mãe foram muito extremistas, cada uma ao seu modo e dá pra dizer que entre elas terminou bem, o que mostra que diálogo e respeito podem fazer a diferença na complexa relação entre pais e filhos. E assim, encabeçar mais um episódio pra fazer refletir e olha que estamos num anime infantil de terror e sobrenatural, o que impressiona demais; aí falam que desenhos não podem trazer reflexões complexas, bom que há exceções. Até mais!!!

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