Uma história sobre evolução tecnológica em pleno Japão da Era Meiji. Se os smartphones foram uma revolução gigantesca em uma sociedade que já tinha tecnologia, imagina como não foi impactante a chegada das lâmpadas e, posteriormente, o advento da eletricidade. Realização de tarefas noturnas, o comércio podendo funcionar por mais tempo, todo um período do dia que fica em aberto para se viver.

Ojiisan no Lamp é fruto do Young Animator Training Project (que depois o nome mudou para Anime Mirai e, após, para Anime Tamago), projeto anual que foi lançado em 2010, financiado pelo governo japonês, com o objetivo de incentivar novos animadores. Um grupo que representa os profissionais recebeu essa verba e distribuiu a maior parte para os estúdios, para que eles investissem no treinamento de jovens animadores.

Um dos motivos do investimento feito pelo setor cultural do governo é a preocupação com a grande terceirização que vem ocorrendo na indústria, o que leva a redução de oportunidades para jovens profissionais dentro do Japão.

 

 

Esse anime conta a história de Minosuke, um órfão, que mora numa vila do interior e sobrevive graças ao chefe dela que permite que ele more no celeiro de sua casa. Em contrapartida, o garoto é o faz tudo da vila: ajuda na plantação de arroz, carrega bebês, fabrica sapatos, dá suporte às atividades do Chefe e faz tudo o mais que aparecer.

Graças ao acaso, ele agarra uma oportunidade e vai parar numa cidade litorânea, mais desenvolvida do que a dele, onde tem um choque ao ver as lâmpadas (à óleo!). Depois de demonstrar muita vontade, o vendedor de lâmpadas aceita deixá-lo levar uma. E aí começa o amor de Minosuke por esse objeto de tecnologia de ponta.

 

 

Antes de tudo, Minosuke é um sobrevivente. Ser órfão numa sociedade sem nenhum apoio à criança requer muita força. Não existia nenhum conselho tutelar ou ONG que pudesse ajudá-lo. Ele só podia contar consigo mesmo. E, em nenhum momento, demonstrou tristeza, revolta ou fraqueza por sua condição. O que o garoto fez foi correr atrás, agarrar as oportunidades, aceitar o que não pode ser mudado e seguir em frente.

 

 

O menino cresce, se torna comerciante de lâmpadas, casa, tem filhos. Até que, um dia, ele vai na cidade litorânea a trabalho e tem um choque maior que na primeira vez: a eletricidade chegou.

Postes imponentes estão por toda a cidade e fios cortam os céus. Ele não precisa de fogo para acender, o que dá mais segurança e liga facilmente. É o avanço tecnológico que superou a tecnologia, antes de ponta, das lâmpadas à óleo. Por mais que ele tente garantir a sobrevivência das lâmpadas, sua vila também define por aderir à eletricidade. Seu objeto de trabalho e de amor irá perder a utilidade.

Entre atitudes desesperadas e uma busca sedenta por salvação, ele dá um desfecho extremamente japonês para a situação.

 

 

Ojiisan no Lamp transporta um grande e recorrente problema atual para um Japão que mal está começando a se industrializar. O avanço tecnológico também tem seu lado negativo: pessoas perdem emprego e relações estabelecidas são quebradas.

Atualmente, diversas profissões estão à beira da extinção, graças ao avanço da internet, dos robôs, da computação. Pelo lado profissional, temos a constante exigência da atualização, nunca é o suficiente, sempre é preciso mais um curso, mais uma língua, mais um certificado.

 

 

Da parte emocional, usando o caso do movie, temos o laço afetivo entre Minosuke e a lâmpada à óleo. Ela não iluminou apenas a vila, ela deu luz à vida do garoto órfão que não tinha nada. Ela proporcionou uma profissão e, mais do que isso, ela proporcionou reconhecimento.

Graças à ela, pela primeira vez, ele teve um lugar na sociedade, uma função importante. Ele foi a pessoa que levou luz à vila. Tanto dos outros para com ele, como dele para si mesmo: Minosuke era alguém.

 

 

A técnica do anime é muito boa, nem parece um projeto da noobada. Ele me lembra muito os animes do Ghibli, talvez seja por conta do estilo do traço, do cuidado com os cenários, da direção detalhista. Não sei precisar o motivo, mas esse movie tem uma pegada Ghibli.

 

 

Um ponto interessante é que Ojiisan no Lamp é uma história fechada em si, bem diferente de alguns outros do Anime Mirai, que são como episódios pilotos, deixando gancho para que se dê continuidade em uma série, como é o caso de Little Witch Academia.

 

Sayonara. Bye, bye o/

 

(〜 ̄▽ ̄)〜 Faça um curso de eletrotécnica.

 

 

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    Excelente artigo Muragami, Ojiisan no Lamp até hoje é o projecto que mais gostei do Project A e até depois dos projectos que se seguiram no Anime Mirai e no Anime Tamago.
    A parte histórica do filme é sublime, a animação é bastante boa, em especial os cenários (cenários que emanam vibes do estilo do estúdio Ghibli) e a dublagem e trilha sonora foram boas também.
    Uma coisa que me fascinou no filme fora as próprias lâmpadas a óleo, o uso de iluminação a óleo já existia há centenas de anos no Japão, por norma as velas e candeeiros levavam gordura de baleia, esse óleo era muito caro. Quando a Era Meiji começa, tudo muda, com a importação de querosene dos EUA e a importação do método de fabrico das lâmpadas. Ainda no mesmo segmento, a parte em que o Minosuke vê os postes de electricidade e a iluminação eléctrica foi linda e ao mesmo tempo triste (com esse avanço tecnológico, profissões como acendedor de candeeiros públicos, vendedor de querosene e técnicos de manutenção dos postes de iluminação a óleo e gás desapareceram.
    O gif no final do artigo me fez relembrar mentalmente o filme todo e isso é muito bom.

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      Grande Kondou-san!
      Vou permitir me envaidecer com o seu elogio. Muito obrigado!

      Como você falou, o que mais me chamou a atenção nesse animê foi essa perda que vem com o avanço tecnológico. A perda material, representada pela profissão, e a perda emocional, que vem na figura da relação que existe entre a pessoa e o trabalho.
      Já li várias reportagens falando que profissões operacionais irão morrer em pouquíssimo tempo por conta do avanço da robótica.
      E isso gera uma inquietação muito grande nas pessoas porque nunca é o suficiente. Estamos sempre fazendo algo “para o futuro” (curso, trabalho, faculdade, especialização, concurso), mas esse “futuro” nunca chega. Vivemos sempre preocupados e em busca de algo a mais.

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    O choque da mudança foi muito forte no Japão quando o imperador Meiji subiu ao poder. Em pleno século 19 o Japão ainda vivia no feudalismo, não tinha caminhos de ferro, não tinha indústria e muito menos electricidade. Quando o Imperador Meiji sobe ao poder tudo muda, começam a construção de caminhos de ferro, nasce a indústria moderna japonesa, adopta-se o estilo ocidental e por fim a introdução do telégrafo e conseqüentemente a electricidade para iluminar as ruas das grandes cidades. Com esses avanços todos, muitas profissões respeitadas durante o Xogunato Tokugawa sumiram, em especial a profissão de acendedor de postes de iluminação a gás ou óleo, e dos fabricantes de artesanato mais tradicional). Daqui a umas décadas já não haverá necessidade de mão de obra nos setores primários e secundários, haverão robôs para esse tipo se trabalho. Os humanos ficarão pelo sector terciário, isto se não surgir uma super IA pelo caminho.

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      O Japão passou por 2 transformações gigantescas: na era Meiji e no pós-guerra.
      A história do Japão é uma loucura. É incrível ver como a nação conseguiu atravessar tudo isso e ainda ser uma potencia mundial. Isso tudo sem falar nos terremotos.

      Seria ótimo se eu não precisasse mais trabalhar, mas aí como teria grana? Seria bom se adotassem aquela renda básica universal. Kkkkkkk.

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    Não precisar ir trabalhar seria um sonho, mas como diz o ditado popular “quem não trabalha, não come”, os humanos ficariam na miséria. Mesmo que se adoptasse uma espécie de renda Universal, a distribuição da renda gerada pelas máquinas não seria distribuída de forma igual, logo os problemas sociais ficariam ainda piores do que já estão.

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