Confesso que depois do fiasco oferecido por Try Knights, as expectativas para esse anime de rugby não estavam baixas, mas as ignorei para não tomar nenhum susto aqui. Se ele será melhor ou pior, só o tempo dirá, mas acho que number24 começou com o pé correto para se apresentar como um bom representante do gênero e até do próprio esporte, que vem sendo explorado cada vez mais pelas animações.

A história trata sobre a luta de Natsusa Yuzuki – ou apenas Natsu -, um universitário com um futuro promissor no esporte, mas que viu seu sonho ser interrompido por um acidente que o causou uma séria lesão.

Como ama demais o que faz, ele é tenaz o suficiente para insistir como pode e é nessa luta pessoal para encontrar um novo caminho, que o anime pretende embasar a jornada de um time inteiro – que querendo ou não, se viu afetado pelo ocorrido.

Pessoalmente achei a ideia central muito interessante, por se valer de um elenco mais “maduro” e por querer trabalhar o esporte sob a ótica de alguém com sérias limitações e que não necessariamente quer percorrer o caminho dos holofotes, mas sim encontrar um meio de não se afastar daquilo que lhe importa.

O anime já nos introduz as dificuldades do protagonista, apontando para sua troca de cargo e as dificuldades de locomoção que ele eventualmente tem, decorrentes de sua recuperação recente. Se pretendem de algum modo fazê-lo voltar a jogar no futuro, ainda é cedo para dizer, mas torço para que independentemente da rota escolhida, a mesma seja trabalhada de forma decente e coesa.

Ainda dentro desse pano de fundo, vemos as cicatrizes deixadas no time inteiro, e acho que os casos mais graves aqui são três, o do Seiichirou, que é um amigo de longa data, cuja superproteção e altruísmo desmedido, visivelmente incomodam o rapaz – que se sente mais miserável com essa situação.

O capitão que parece impotente por alguma razão que não sei, e por fim o Ibuki, um companheiro de time com um aparente sentimento de culpa, que resultou na sua saída. Penso que ele tenha sido o responsável pelo acidente, vide a chave que aparece ao fim do episódio, mas vamos ver o que o enredo nos prepara.

Não é preciso ser nenhum gênio para entender que a missão maior do anime será resgatar essas vidas quebradas, para que o grupo volte a funcionar, enquanto o Natsu encontra seu lugar no mundo – normal, mas se bem executado pode render.

Falando nele, o achei um personagem bacana, o amor dele ao esporte é admirável e o que ele conquistou em 6 meses, prova o quanto ele se esforça por si mesmo, ainda que isso não seja o suficiente para colocá-lo em campo novamente como jogador.

Também gostei bastante da sua personalidade, porque tem um ar vívido que não ultrapassa os limites. Ele é empático, reativo e bem esperto, mas equilibrado. Não parece uma pessoa “morta” que pratica esportes num anime shounen, nem tampouco se excede como aqueles que são enérgicos demais e cheios de poder protagônico.

Mediante a toda situação, o vejo como uma peça que vai se tornar importante para todos os outros como se fosse um coração, já que passando por tudo o que ele passou e ainda passa, ele compreende melhor as coisas e as pessoas ao seu redor, fora que só nesse início, ele já se mostra um exemplo de superação.

No mais o episódio trabalha bem as apresentações de alguns dos demais colegas, carregando os clichês de sempre, como o gordinho gente boa, o tsundere porta, o estrangeiro japonês, o fortão, o bobão, o “príncipe” educado com seus subordinados, o vice capitão responsável, e por fim temos de brinde o novato de aparência delicada, Mashiro.

Esse último por sinal teve uma atitude que me surpreendeu, pois como essa estreia meio que o induziu como um possível deuteragonista, imaginei que ele iria seguir o padrão, mas não. Quando se viu acuado pela sua própria condição física, ele não escolheu o caminho comum e forçado para vencer, mas decidiu abrir uma outra oportunidade para ver o que descobria, assim como o Natsu – que inclusive teve sua influência na decisão do jovem.

Enfim, não pudemos ver muito do esporte ainda, mas acredito que a introdução fez o seu papel corretamente, ao me deixar interessado em ver o que virá a seguir e simpatizar com o protagonista que carregará esse plot nas costas – o que é importantíssimo.

Quanto aos demais elementos da estreia, tecnicamente a animação em si me pareceu sólida, não notei grandes problemas ou falhas recorrentes, e ouso até dizer que além da arte bonita e colorida, fica claro o empenho da produção em deixar a parte movimentada mais digna e funcional – vide as poucas cenas de jogo e treino, incluso a abertura.

Meu veredito final é que number24 se saiu bem, mostrou potencial e eu vou confiar nele, então acredito que pelo seu esforço, mesmo os mais exigentes devem lhe dar o benefício da dúvida.

Força Natsu!

    • JG

      Será Peruibense?

      Deboches a parte eu acho que não kkkkkkkkk, embora que quando mostrou ele no comecinho de relance, até achei que fosse uma garota mesmo. No mais o que achou? Pensa que esse anime vai prestar?

      Valeu pela visita e volte sempre!

  1. Avatar

    Achei a ideia interessante, embora baseada no velho clichê do protagonista, que parece estar impossibilitado de atingir seu grande objetivo, devido a uma circunstância funesta (no caso, um acidente), e que terá de batalhar muito para chegar lá. Mas fiquei curioso, vamos ver no que vai dar. Agradeço a atenção …. e fica de olho no Mashiro! kkkkkkkkkkkkk

    • JG

      Rapaz, agora o que tá me instigando mesmo é se o Natsu vai continuar como o protagonista dos bastidores, ou se vão tentar fazer ele voltar aos campos em algum ponto da história, porque eu gosto bastante da ideia de ele não ficar no clichezão do esportista miraculoso. Vamos ver para que caminhos a história nos leva.

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