Bom dia!

Algo que raramente me verá falando a respeito é animes sobre idols. Não desprezo o gênero nem nada, apenas não me atrai mesmo. O formato padrão costuma ser emprestado dos esportivos, com muito treino, sonhos, luta – às vezes até algo semelhante a torneios. Tampouco desprezo o gênero esportivo, ok? Mas é raro gostar de esportivos. Mais raro ainda animes de idols, tanto por ser um gênero mais recente e portanto com menor variedade quanto por ser um vespeiro do qual eu no mais das vezes prefiro ficar longe, se puder.

Mas Wake Up, Girls! me chamou a atenção desde o seu primeiro anime! Não era apenas um grupo de garotas que queriam ser idols por um motivo qualquer. Não era uma história de superação e de conquistar seus sonhos, mas sim de redenção, de recuperação.

Percebi isso logo de cara pela sinopse, que dizia que as WUG! eram um grupo de Sendai. Bom, eu destacar isso hoje talvez não signifique muita coisa, mas Sendai, com seus 1,3 milhão de habitantes, é a capital e de longe a maior cidade da Província de Miyagi, em Tohoku, a região mais danificada pelo terremoto e tsunami de 2011. O anime original foi ao ar no começo de 2014, e quando foi divulgado, em meados de 2013, ainda estavam frescos na memória o desastre e suas consequências. E nada disso foi coincidência, o anime não apenas mostrou esse cenário, como se construiu a partir dele. Vizinhanças apagadas pelo mar eram visíveis. As garotas do grupo se lembravam ainda do ocorrido, e uma delas era voluntária assídua de um asilo para idosos que perderam suas casas. Isso não foi apenas backstory, o asilo existiu no anime, eu pude ver a garota frequentando-o e conheci seus moradores.

É, então, quase três anos após um terremoto poderoso o suficiente para deslocar o eixo da terra em dez centímetros e a ilha de Honshu, a principal do Japão, em 2,3 centímetros (para comparação, a área de Honshu é pouca coisa menor que o Estado de São Paulo, e a América do Sul se move 7,7 centímetros por ano). Sendai ainda estava se recuperando. Ao mesmo tempo, a protagonista do anime, Mayu, era uma ex-idol que passou por problemas em sua curta carreira e a abandonou, mudando-se para Sendai. Se você assistiu o primeiro anime (e não sei o que alguém que não o assistiu faria aqui, mas continue lendo, por favor), lembra-se muito bem disso.

A história da criação das Wake Up, Girls! com um bando de amadoras e apenas uma profissional, hesitante, a guiá-las, foi uma inspiração para muita gente que ainda estava se recuperando de perdas materiais ou terríveis tragédias pessoais, bem como para qualquer outra pessoa assistindo o anime e que tivesse um coração. De verdade, se ainda não assistiu o primeiro filme e o primeiro anime (nessa ordem), faça isso agora, eu recomendo. Principalmente o filme. Se não qualquer outra coisa, veja o filme.

Agora, depois de outros dois filmes, tenho Shin Shou.

Hoje, as garotas do Wake Up, Girls! são apenas sombras diante de seu passado brilhante – essa cena foi uma montagem muito boa!

Sendai já está, por onde quer que se olhe (pelo menos no anime, não procurei fotos reais), plenamente recuperada. Claro que algumas cicatrizes sempre ficam, mas o pior definitivamente já passou. E o que restou para as WUG!? Bom, tantos anos depois e elas ainda estão derrapando na carreira, o que não é nada surpreendente para idols, principalmente para grupos que se formam longe de Tóquio. Mas … agora é só uma história de idols, não é? Admito que a nostalgia e o carinho que adquiri pelas suas personagens me trouxeram a essa segunda temporada, que eu cheguei a desejar ansiosamente entre 2014 e 2015. As garotas estão de volta, com as mesmas personalidades de sempre, e foi bom revê-las.

Se não dá para dizer que a mudança de foco da história (em termos) seja necessariamente um problema, a animação, por outro lado, é sim um problemão! O character design das personagens mudou completamente, e não é que eu seja contra mudanças, mas elas ficaram todas muito parecidas, só com o cabelo diferente na prática. Sinto que elas tinham mais personalidade antes. Está tudo mais simples, mais limpo, limpo demais. A mistura de 2D com 3D não está muito boa (e pelo menos isso eu creio que seja um mal do gênero idol como um todo). E a câmera e os enquadramentos … estão hediondos. Todos aqueles ângulos incômodos durante a dança, a tendência a cortar os rostos das personagens – muito especialmente das que estão em primeiro plano. Eu não sou especialista em animação, não sou sequer amador em animação, mas nada disso que acabei de listar (e posso acrescentar ainda mais) pode estar certo.

Não foi erro meu ao capturar o quadro no momento errado não: o rosto da garota em primeiro plano NUNCA apareceu nessa sequência

Discussão