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Bom dia!

Além de Animegataris, também Kujira no Kora está sujeito às sessões de bate-papo entre meus amigos Diego do É Só Um Desenho, Vinícius do Finisgeekis, Gato de Ulthar (esse é seu nome de verd… ok, ok, essa piada nem tem graça – mas será que é mesmo piada?) do Dissidência Pop e eu, representando o Anime21.

Confira como foi a nossa conversa sobre o primeiro episódio do anime que se passa em uma baleia que não é baleia navegando em um mar que não é mar!


Anime21 Diário

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Fábio "Mexicano":
Bom dia! Peço desculpa a quem pensar diferente, mas já começo dizendo: para mim, Kujira foi a melhor estreia da temporada.
Talvez seja o meu gosto por aventura falando? Provavelmente é muito disso também. Mas alguém aqui há de negar que o anime apresenta um mundo fascinante, intrigante? Quem não quer descobrir todas as coisas que Chakuro, o protagonista, quer descobrir? E muitas outras! Sem falar que esteticamente é bonito demais.
Diego:
Se foi a melhor estreia eu não sei, mas certamente foi de longe a mais bonita. E olha que a temporada até aqui está visualmente incrível. Achei que Made in Abyss não fosse ter concorrente para anime mais bonito do ano, mas essa temporada está me fazendo morder a língua (ainda bem).
Vinícius Marino:
Não sei se está no nível Made in Abyss, mas esses cenários estáticos em estilo aquarela ficaram maravilhosos.
A trilha sonora também é um primor.
E o Ouni é a versão macho da Korra.
Gato de Ulthar:
Uau! Uma bela estreia! Também não sei dizer se é ou não a melhor da temporada, mas que foi um baita episódio, lá isso foi. Uma ambientação bonita e uma arte fabulosa (aqueles fundos que parecem pintados ficaram lindíssimos). O primeiro episódio foi muito bem dirigido, deu para ter uma ideia dos personagens e trama em geral, com direito de construção de um mistério e um conflito oriundos da origem daquela cidade. Me lembrou obras como Shingeki no Kyojin, onde a sociedade é construída com a ideia de que são os únicos existentes mediante uma forte manipulação da história.
Esse vai ser um anime de fortes emoções e uma animação belíssima:
Fábio "Mexicano":
Os mistérios de Kujira realmente lembram de relance Ataque dos Titãs, com a população geral mantida no escuro, e uma classe de cidadãos especiais que na prática são apenas usados por quem detém o poder, por qualquer razão que seja.
Mas acho que as semelhanças param por aí. Kujira me parece ser claramente uma aventura, no sentido formal do termo. Eu acho o anime adere bastante ao monomito. Estou falando besteira? Segue um gráfico de uma das construções comuns para essa estrutura narrativa, para ilustrar:
Gato de Ulthar:
É cedo ainda para concluir que Kujira seguirá a jornada do herói, mas como praticamente toda obra de literatura moderna com um mínimo de aventura segue esse esquema, é de se esperar que obedecerá pelo menos aos ditames gerais do monomito. Logo de cara vemos alguns elementos disso, como o vislumbre da vida cotidiana e corriqueira do herói e seu posterior chamado à aventura, quando ele descobre que os anciões guardam muitos segredos e o Ouni o arrasta para a aventura.
Fábio "Mexicano":
Exatamente! E se for como Gurren Lagann, o Ouni leva jeito de que já pode ser o mestre/guardião do Chakuro.
Vinícius Marino:
Vou ser bem sincero: não gosto da jornada do herói. É o tipo de modelo vago em que é possível “enfiar” qualquer história. E não porque é “universal”, mas porque é usado ou de forma incoerente, ou infalseável. “Esquece-se” de uma etapa aqui, força-se uma interpretação ali e voilà! Até uma receita de bolo vira uma “aventura”.
Mas enfim: de fato, é muito comum ver esse tipo de história em animes, se nada mais pelo sucesso que o formato tem na TV. E pelo hábito de estúdios e roteiristas de seguir fórmulas de sucesso.
Fábio "Mexicano":
Pensando com cabeça de programador, o que me ocorre é que provavelmente existe um conjunto mínimo de etapas para que o monomito seja reconhecido como tal (é isso o que importa afinal de contas), ou talvez um conjunto de conjuntos de passos. Talvez algumas ordens possam até ser invertidas. Os estudos a seu respeito buscam representá-lo em sua forma mais completa, o que é bastante compreensível. O que importa é que a partir de dado ponto, o modelo foi tão alterado que não é mais reconhecido – e falha, portanto. Antes desse ponto, vale tudo mesmo. Isso me parece fazer muito sentido e não vejo problema algum – mas, como já destaquei, essa foi a minha cabeça de programador pensando.
E sabe que não acho que a Jornada do Herói seja tão comum em animes (ou mangás)? Penso que algo intrínseco ao formato repetitivo que a mídia seriada feita para não ter fim seja incompatível com ela. E bom, pode vir a ser o caso de Kujira, mas até agora vimos apenas o começo, e achei promissor.
Voltando ao anime em si: o que mais os faz querer voltar a assistir? No meu caso, é justamente o mistério sobre esse mundo que o Chakuro partiu para revelar.
Diego:
Eu acho interessante vocês terem citado Shingeki lá em cima, porque vendo o anime eu senti uma “vibe” bem mais próxima de um outro anime: Shin Sekai Yori. População com poderes telecinéticos, um conselho mais velho que governa a todos, entre outras semelhanças. E olha que não vejo problema nenhum nisso, eu gosto bastante de Shin Sekai, e um anime com uma mesma “vibe” seria muito bem recebido por mim rs.
E sobre a sua pergunta, Fábio, só tenho a concordar. Quero saber mais daquele mundo, o que há além daquela “baleia”, o que houve com a humanidade, e por aí vai.
Gato de Ulthar:
Só pra finalizar quanto ao tema da jornada do herói. Pra mim é o modelo de se contar uma história por excelência, o porto seguro para todos os autores. Não quero dizer que seja algo manjado, pois o monomito ultrapassa a esfera da literatura e adentra a própria mitologia de praticamente todos os povos há milênios. O mais arriscado é romper com a estrutura, e quando uma obra consegue fazer isso ela fica muito boa, ou pode ficar muito ruim.
Quanto a pergunta do Fábio sobre o que mais me faria volta a assistir o anime, é justamente o que já foi respondido por todos, ou seja, conhecer mais daquele mundo e desvendar os seus mistérios. Já tem como levantar mil teorias, como um exílio forçado do pessoal da Baleia de Lama com o intuito de se preservar de uma decadência da sociedade, e etc…
Vinícius Marino:
Olha, esse anime é tão bonito e tão bem musicado que eu nem preciso de motivos para correr atrás. Mesmo que fosse um daqueles episódios velhos do Gato Félix quase sem diálogos, eu assistiria do mesmo jeito.
Mas sim, espero grandes coisas da jornada do Chakuro. Especificamente, imagino que enveredará por algum grande tema envolvendo sacrifício.
Gosto bastante da ideia de sacrifício. Acho que é a chave para muito da experiência humana. Não é à toa que algumas das histórias mais poderosas, seja nos animes, seja em outras mídias, digam respeito a isso. É o famoso “twist Rayearth”, que por muito tempo fez a fama da CLAMP.
Também acho que amar é se sacrificar, mas aí entramos num terreno sentimentalóide que acho que não é a proposta 😋
Fábio "Mexicano":
Sem cortar o assunto, agora que você falou em “amar”, acha que o anime vai dar azo a, bem, vamos no popular, acha que o anime vai permitir shippar o Chakuro e a Lycos? Eu sei que alguns fãs farão isso de qualquer jeito, mas enfim, será que será relevante no anime? Vejo a Lycos (potencialmente) como mais um clone da Rei, sem sentimentos, e eles podem ser uma força poderosa no desenvolvimento dela. E resta papel para a Sami nisso, ou será que depois do primeiro episódio ela já é passado?
Vinícius Marino:
Olha, a Lycos pode ser uma kuudere (com cabelo branco e tudo), mas meu palpite é que ela se abrirá um pouco ao longo do anime. Pode ser que tenhamos uma história de amor, mas eu preferiria uma relação mais abstrata, à la Angel Beats. Supondo, é claro, que meu chute sobre o “sacrifício” esteja correto. Maldição de vida curta, poderes especiais e obrigações perante a comunidade são três elementos que apontam nesse sentido, mas nunca se sabe.
Diego:
Vale lembrar que a Lycos é uma “kuudere” aparentemente por conta de algo que aconteceu com a humanidade. Isso já abre a porta para que exista uma “cura” a essa personalidade dela, à qual os protagonistas talvez conscientemente procurem ou que eventualmente encontrem por algum acidente. Em todo caso, vale mencionar que o mangá é um shoujo, então não duvidaria de um ou mais romances surgindo ao longo da história.
Gato de Ulthar:
Pois é, a Lycos não tem sentimentos (aparentemente), como afirmou o conselho dos anciões. Será que este foi o motivo do pessoal se isolar na baleia? Fugir da humanidade que caminhava para um mundo sem sentimentos? Uma coisa que me intrigou foi o fato da Lycos conseguir usar a magia, sendo que foi dito no episódio que a magia dependia da força dos sentimentos. Tem muita coisa para ser explicada. E o fato do pessoal morrer jovem? Parece que isso vai motivar fortes emoções ao longo do anime. Um romance entre Chakuro e Lykos? Talvez, mas muito provavelmente acho que vai ficar só nas insinuações mesmo.
Fábio "Mexicano":
Pergunta para fechar: o que acham que é o grande mistério do anime? Conseguem tecer alguma teoria selvagem com ainda tão poucos elementos? Não sintam-se envergonhados 😃
Gato de Ulthar:
Como eu já havia falado de forma esparsa anteriormente, creio que o maior mistério do anime é entender o que é aquele mundo! Isto com várias perguntas correlacionadas, como: Qual o motivo do pessoal morar num navio de terra que desliza por um mar de areia? Qual o motivo do mar de areia existir? Por que o anciões escondem o passado da população? Quem é Lycos e de onde ela veio? Por que as pessoas que usam magia morrem por volta dos trinta anos?
É sem dúvidas o anime com a maior quantidade de mistérios que estamos analisando.
Vinícius Marino:
De fato, são muitos mistérios. Eu antevejo algum twist “saindo da caverna” em algum momento. Talvez eles descubram que há mais do mundo que o deserto de areia. Ou que já existiu o mundo, mas ele foi fulminado após um grande pecado.
E imagino que o preço para “sair da caverna” dessa forma será pesado. Muito provavelmente, o “poder Jedi” das personagens (desculpe, não decorei o nome) está ligado a alguma grande obrigação.
Diego:
Eu imagino que o poder dos personagens é o que está matando eles, mais especificamente a combinação entre o poder e os sentimentos. Por isso que a garota sem emoções fala que de onde ela vem as pessoas não morriam cedo. Pode ser que no continente tenham descoberto que para evitar a morte rápida é preciso apagar as emoções, mas o pessoal da baleia discordou desse método e resolveu partir para não viveram semi-robôs, ou qualquer coisa do tipo rs
Fábio "Mexicano":
Seria bem mais fácil criar teorias se os gregos antigos tivessem mitos envolvendo telecinese, suponho. Reunindo tudo o que eu sei e tudo o que eu pensei, espero um crescimento rápido da Lycos na história – o material original é um mangá shoujo, afinal. Não seria surpreendente se ela acabasse se revelando a verdadeira protagonista. Quanto ao povo da baleia e à magia/emoção, acredito que em algum momento do passado um grupo de pessoas fugiu do continente (ou talvez só uma ilha bem grande) e decidiu que seus poderes não deveriam ser usados como armas. Talvez imediatamente, talvez em algumas gerações, esconderam toda a história de sua origem para que ninguém tivesse ideias de sair da ilha, para proteger a segurança de seus habitantes. Apenas o conselho de anciões, composto apenas por pessoas sem poderes mágicos, é iniciado na Verdade. A chegada da Lycos, uma forasteira que efetivamente usa seu poder para agressão e pode muito bem ser ou ter sido uma arma humana desequilibrou essa sociedade e, em algum momento, eles precisarão lidar mais uma vez com seu passado. O segredo para não morrer jovem sendo usuário de magia: talvez seja eliminar seus sentimentos. Ou talvez eles estejam morrendo jovens apenas porque estão sendo drenados, ou pior ainda, nalgum momento pode ter se transformado em uma conspirata em que os anciões, com medo do poder deles, passaram a, de alguma forma, simplesmente assassiná-los. Se o anime não tivesse começado com um sepultamento no mar de areia eu cogitaria a possibilidade dos cadáveres serem usados para manter a baleia flutuando (o que ainda não é totalmente impossível, mas…).
E com esse comentário mais longo do que deveria, encerro o bate-papo do primeiro episódio de Kujira no Kora, Os Filhos da Baleia (no inglês baleia é no plural, e eu sem dúvida tenho especulações sobre isso, mas fica para outra hora!) 😃

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