Então… Kino no Tabi, na verdade, é sobre uma garota sociopata que atira nas coisas e viaja por aí em uma moto falante? Não, não é bem assim! Entretanto, de alguma forma, o episódio anterior passou esse tipo de sensação — pelo menos para mim. O episódio 1 demonstrou que a Kino evita recorrer a violência, mas no episódio 2 vimos o inverso disso e — para minha surpresa — a personagem voltou a ser uma pacifista neste 3º episódio. Não sei se isso é coisa da minha cabeça, mas essa construção da personagem está um tanto quanto estranha, faz parecer que ela é extremamente inconsistente. Adaptando uma história que não estava na animação antiga, o episódio desta semana nos mostrou uma cidade bastante problemática, que de certa forma, é a representação sutil do individualismo.

O episódio iniciou-se com Kino encontrando um país nômade que viaja pelo mundo — sem rumo — através de uma base móvel — semelhante a um balde gigante. Kino acaba se interessando por aquele país e logo procurou acessar o interior do local; ao entrar, ela encontrou pessoas hospitaleiras e carismáticas e, além disso, encontrou um país altamente tecnológico — provavelmente um dos países mais tecnológicos do mundo. Os cidadãos daquele país vivem como se estivessem em um trailer — sempre em movimento — passando por todo tipo de terreno e vendo todo tipo de paisagem. Contudo, o maior problema disso tudo é que o país ao andar por aí destrói tudo o que estiver em seu caminho: desde florestas a outros países. Assim, com o decorrer do episódio, um país aparece diante desta cidade nômade. Mesmo com os militares daquele país se opondo a passagem do país nômade, eles não se importaram e prosseguiram com força total: destruindo casas e plantações. Apesar de terem evitado matar qualquer tipo de pessoa, é óbvio que ao destruir casas e plantações, provavelmente, uma ou outra pessoa morrerá por falta de um lugar para morar ou por falta de comida. A simples destruição daquela plantação, por exemplo, pode gerar uma crise alimentícia descontrolada, fazendo com que muitas pessoas morram de fome. Após esse acontecimento, a protagonista decide que já viu o que tinha que ver e resolve ir embora.

Aliás, é interessante destacar que pela primeira vez Kino decidiu ficar mais de 3 dias em um país; ela sempre fica 3 dias porque acha que é o tempo mínimo para se absorver um pouco da cultura local, mas dessa vez ela ultrapassou esse limite estipulado por ela mesma e resolveu ficar no país nômade por 5 ~10 dias. Porém, isso provavelmente tem uma explicação. No caso, ela resolveu ficar esse tempo todo para justamente ver como aquele país nômade agiria ao se deparar com algum país, não é à toa que justamente após o encontro com aquele país militar, Kino resolveu ir embora com Hermes.

Vendo esse episódio de forma geral, consigo pensar em algumas coisas um tanto quanto aleatórias. A primeira coisa que veio a minha mente é o quão moral o país nômade não consegue ser. Como assim? Mesmo que não mate pessoas, aquele país continua — e continuará — destruindo tudo que aparecer diante de si. Mesmo que o episódio, de certa forma, tenha tentado favorecer o país nômade com relação ao país militar, não teria como defendê-los por completo. Sendo sincero, apesar de ser o “mocinho” desta história, creio que o país nômade tenha sido o verdadeiro vilão, já que mesmo com o episódio tentando justificar o ato deles de destruírem tudo a sua frente, existem outras maneiras deles continuarem se movendo sem destruir qualquer coisa. Caso o país móvel pare de se mover, em algum momento, o reator do país ficará sobrecarregado e provavelmente tudo irá pelos ares, quando se movimentam, toda energia acumulada vai se esvaindo, impendido que qualquer acidente aconteça; portanto, caso realmente se preocupassem com o mundo ao seu redor — e não somente com o desejo incontrolável de apenas saciarem seus desejos por novas paisagens — aquele país móvel poderia ficar apenas andando em círculos ou até quem sabe fazendo um percurso planejado em algum campo extenso.

Antes de prosseguir, você sabe o que é dicotomia? Tenho certeza que em algum momento da sua vida você já viu esse termo. Na verdade, eu aprendi o significado dessa palavra quando costumava assistir reviews de mangás e animes no youtube. Por algum motivo, “críticos embasados” adoram usar esse termo. Eu não sou um crítico embasado, mas irei utilizá-lo agora, então, caso não o conheça, apenas leia a nota abaixo: 

Dicotomia é basicamente a divisão de um certo elemento em duas partes, que na maioria das vezes são contrários, como o bem e o mal, por exemplo. Um mangá que apresenta muitas dicotomias, por exemplo, é Tokyo Ghoul.

Então onde que se encaixa essa tal de dicotomia em Kino no Tabi? O embate entre os dois países foi uma dicotomia em si. De um lado temos um país móvel e livre, do outro temos um país fechado e imóvel. Nesta simples comparação, tenho certeza que o país preferido de todos seria o primeiro, já que é um que pode ir pra qualquer lugar, sem qualquer opressão, diferente do país imóvel. Entretanto, será que é assim mesmo que funciona? Como já disse antes, mesmo sendo o “mocinho” do episódio, o país nômade não deixa de ser o vilão. Já o país imóvel, apesar dos pesares, serviu para refletirmos justamente sobre isso.

Por algum motivo, as histórias estão meio que “fora de ordem”, faz parecer que a Kino é diferente a cada história. Isso é culpa, principalmente, do diretor. Além, claro, do roteirista. Isso pode ser coisa da minha cabeça, mas eu realmente me sinto incomodado com isso. Enfim, o episódio, no geral, foi bom. Eu gostei bastante, não vi muitos problemas na história em si, apesar dos pesares.

  1. E aqui vou eu pra falar deste anime. Fazendo o clássico teste dos três episódios, achei a proposta bem curiosa, apesar de que sair por aí explorando outras terras ou mundos seja comum, o fato de ver países fechados por muralhas ou como numa base enorme como foi este caso, dá a entender que o mundo de “Kino no Tabi” seja desta forma. Sobre a mudança de personalidade da protagonista, enxergo mais como se adaptasse a cada situação, podendo mudar ou não as regras que segue como viajante. Pra quem se acostuma que os personagens ajam da mesma forma, pode soar estranho,mas, nada que atrapalhe a interação e proposta da série.
    Vou continuar vendo e até mais!!!

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