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Bom dia!

Esse vai ser um daqueles artigos aparentemente estranhos em que eu, um ateu, defendo a religiosidade. Esse tema foi bastante forte nesse episódio, afinal de contas, primeiro como uma tensão latente, algo que estava no ar mas todo mundo fingia não ver, até que de repente estourou. E ninguém soube responder.

O resto do episódio, talvez, tenha dado a resposta.

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Eu escrevi no artigo do episódio anterior sobre como a morte da Gin foi tão obviamente anunciada com antecedência que, quando aconteceu, não me atingiu como acredito que um evento desse calibre deveria. Em contraste, quando vi a Gin dentro do caixão nesse episódio foi duro. E se eu, um mero expectador, tive dificuldade para manter a compostura, imagine para aquelas pessoas todas que estavam ali, principalmente as próximas. A família devastada, é claro, mas também Washio e Sonoko. Elas ainda são crianças! Crianças como era a Gin. Pobre Gin. Morreu de pé, com o corpo todo ferido e com pelo menos um braço arrancado. Mas tão pacífica deitada em sua cama de flores, bela como se realmente só estivesse dormindo.

Descanse em paz, Gin Minowa

Todas aquelas pessoas ali só estão vivas graças ao sacrifício de Gin. Ela própria só conseguiu reunir forças para continuar lutando porque continuava pensando em seus irmãos e suas amigas. E depois dela morta, ainda há quem diga que foi uma “honra”. Que a família agora terá muitos “benefícios”. Que a Gin vai entrar para a “história”. Que ela está com Shinju-sama, a deusa que todos veneram e em nome de quem as garotas lutam. Diante disso não é descabido o questionamento do irmão da Gin: que deusa é essa? Se ela é mesmo uma deusa, se ela está mesmo nos protegendo, por que a Gin teve que morrer? Parece lógico. O garoto é retirado do auditório.

“Se Shinju-sama é poderosa e bondosa, por que Gin teve que morrer?”

Um menino tão novo provavelmente não teria como entender mesmo. À rigor, até mesmo Gin e suas amigas são novas demais para entender isso, mas elas estão na linha de frente e isso dá a elas uma pequena vantagem. Crianças ainda estão sob total cuidado e responsabilidade de seus pais. E não é que os pais deixem de se importar com os filhos assim que eles se tornam adultos, mas alguém só pode se tornar adulto sendo capaz de viver por seus próprios meios. Objetivamente, no caso de Shinju-sama, é fácil apontar como ela protege o mundo criando o espaço paralelo que impede que os vórtices destruam o mundo real e como ela dá poderes para que as heroínas lutem.

Mas isso realmente significa que ela se importa com a humanidade? Se ela é uma deusa, ela não poderia derrotar sozinha os vórtices? Não poderia fazer mais do que já faz? Talvez possa, talvez não possa, mas essa é a pergunta errada. Assim como alguém só se torna adulto quando sai do ninho, a humanidade só pode viver, em primeiro lugar, porque luta pela própria vida. Com grande auxílio de Shinju-sama, claro, mas ainda assim a humanidade é a protagonista de sua própria luta. As heroínas lutam diretamente, colocando suas vidas em risco, enquanto o resto da humanidade oferece o suporte que pode para elas. E Shinju-sama lhes dá o poder para lutar em condição de igualdade contra os vórtices.

Apesar de tão próximas, elas tiveram poucas oportunidades para chorar

O anime não demora a responder isso: ainda durante o funeral de Gin, outro vórtice atacou. Os inimigos não param só porque estamos pranteando nossos mortos. Ao invés de questionar a sorte, o destino, ou a própria Shinju-sama, Washio e Sonoko se enchem da fúria dos justos e atacam freneticamente o vilão da vez, que até parecia algo poderoso, mas não teve a menor chance contra duas heroínas enlutadas buscando mostrar para sua amiga que também são capazes de lutar como ela foi. Não, não foi só isso: Washio e Sonoko queriam alertar o inimigo incompreensível que a cada vez que ele lhes infligir dor, elas se agarrarão ainda mais a Shinju-sama e se tornarão ainda mais fortes. As duas que lutaram contra aquele vórtice eram mais fortes do que jamais foram antes.

Em Yuuki Yuuna, a deusa Shinju-sama existe de verdade, ela é visível para as heroínas que podem confirmar isso para o resto das pessoas, ainda que não possam revelar tudo o que acontece do outro lado. Em nosso mundo, deuses podem ou não existir. Eu particularmente acredito que não, mas não vejo fraqueza nenhuma em quem pensa o contrário e não acho que essa pergunta infantil do título do artigo seja suficiente para colocar em cheque a fé verdadeira. Porque existindo ou não um deus, todo mundo precisa querer viver para ser digno da vida em primeiro lugar.

Apesar de toda a dor, elas ainda querem continuar vivendo e sorrindo

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Isso é uma sessão de comentários, não um chat. Mas qual o problema atual? O que tem de tão ruim? É digitar e clicar para enviar, igual no Disqus. Só o Facebook seria mais fácil, porque é só apertar enter (mas isso vem ao custo de dificultar para quem envia comentários longos, que precisam ser quebrados em várias linhas). Diga o que te incomoda, que eu posso trabalhar para resolver.

      Qualquer sistema de comentários externos iria pesar no carregamento da página, e aí talvez você achasse um pouco melhor para comentar, mas seria pior para todo mundo ler.

      Obrigado pela visita e pelo comentário =)

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