Confesso que esperava por um episódio como esse, só que imaginava que ele fosse ser bastante diferente, que quem brigou não brigasse, que quem não brigou brigasse. Mas a verdade é que o anime continua excelente e é sobre mais um ótimo episódio que eu vou falar com prazer agora!

Como havia comentado anteriormente, acho importante essa reaproximação da Tachibana e da Haruka afim de proporcionar à primeira uma visão diferente sobre a situação na qual ela se encontra. Contudo, esperava que essa reaproximação delas acontecesse amigavelmente, enquanto a do Kondou não. Fui surpreendido, mas acho que o caminho que a história seguiu fez mais sentido.

Essas duas são uma fofura só! 

Pensem comigo, as duas eram companheiras de clube, uma saiu dele e a outra continuou, o distanciamento era, de certa forma, natural, assim como a dificuldade de se reaproximarem de novo. Quando você é jovem muitas vezes as amizades são bem frágeis, sujeitas a acabarem fácil ou mudarem muito devido a uma mudança de ares, de objetivos, de caminhos; e foi exatamente isso o que aconteceu. A Tachibana estava com a cabeça em outro lugar, desejando outra coisa, dando outros passos, e nesse cenário incluir a Haruka em sua vida conscientemente seria complicado, pois poderia fazer a amiga se sentir deslocada e através dela o mundinho fechado o qual as duas compartilhavam ainda se faria presente, um mundinho do qual a Tachibana já não faz mais parte.

Mesmo que haja tristeza na amizade das duas e que não possam mais ser como antes…

Nesse ponto eu entendo os sentimentos da Tachibana, mas também entendo pelo que a Haruka estava passando. Como se aproximar de alguém que se afastou e evitava esse contato? Como fazer parte da vida de alguém que a cada dia só se tornava uma estranha para você? Elas terem ido ao festival foi uma ótima forma de incentivar essa reaproximação, mas se tudo corresse assim tão bem que profundidade haveria nessa amizade? O quanto uma se importaria com a outra para que tudo fosse resolvido sem uma conversa franca, sem um bate-boca, sem contar da mágoa que sentiam?

Acredito que uma hora as duas vão se reconciliar e a Tachibana deve conversar mais com a Haruka e até receber conselhos dela, entretanto, para que isso seja possível, para que essa amizade não seja só “da boca para fora”, o conflito como forma de externar o que inquietava uma com relação a outra era necessário, até como forma de fazê-las perceberem que mesmo em caminhos diferentes podem manter contato, podem ser amigas pra valer uma da outra. A primeira parte do episódio é curtinha e se resume a isso. A segunda já é um pouco mais longa, mais interessante e bem mais gratificante.

…não será possível que consigam manter-se amigas ao estarem próximas mesmo que distantes?

Finalmente conhecemos Kujou Chihiro, alguém que era mesmo próximo do Kondou, só que isso no passado, o que justifica a reação do Kondou ao ver seu livro e o encontro dos dois nesse episódio – bem o que se poderia esperar de dois homens de meia-idade. Diferente das garotas, eles não brigaram por causa do distanciamento, pelo contrário, eles são maduros o suficiente para entender que às vezes é normal as pessoas descruzarem caminhos, que isso não quer dizer necessariamente que há um problema entre elas e dado ao que ocorreu na vida deles é de se entender a situação.

Dez anos antes o Kondou abdicou de uma viagem com seu amigo Chihiro para se casar com a Midori, a mãe do Yuuto, e desde então se distanciou do amigo, que viria a se tornar um escritor profissional, enquanto ele viveu uma vida normal com a esposa até se divorciar e se tornar o que é agora – um senhor de meia-idade sem esperanças para o futuro. Como alguns suporam, o Kondou não é apenas um leitor ávido, mas também um escritor amador que já chegou a escrever livros só que nunca a mostrá-los para ninguém, enquanto o amigo cria algo com a literatura. Será esse o sonho do Kondou que ele nunca conseguiu tornar realidade e hoje o faz se remoer em melancolia e conformismo?

Só eu achei ele um hipster de meia-idade bastante simpático?

Ao que tudo indica sim, ao que tudo indica o Kondou é um senhor que se encontra no limiar entre a maturidade e a velhice sem coragem para tentar algo diferente, para tentar correr atrás de um sonho por já ter aceitado que não pode dar mais nada ao mundo, que não pode dar mais nada a si mesmo.

Se observarmos que ele se casou só depois dos 30 e teve um filho mais ou menos na mesma época, a cautela como aspecto de sua personalidade se faz ainda mais evidente, nos mostrando que é de sua natureza evitar correr riscos, que ele teme macular as memórias preciosas que ele tem de sua juventude com seus amigos – sendo o Chihiro, seus outros amigos, inclusive sua ex-esposa, ou os livros – caso tente algo de diferente em sua vida – como tentar se lançar como escritor – e fracasse.

Como deve ser bom rever algo que você fez com seus amigos depois de tanto tempo…

O Kondou é muito nostálgico por causa disso, por causa do passado sonhador que ele teve e foi engolfado pela realidade frustrante. Com certeza ele já deve ter pensando que se tivesse ido naquela viagem com o amigo talvez fosse ele que tivesse escrito um livro que seria publicado e o lançaria como um escritor. Quando você tem ao lado um exemplo da vida que você poderia e gostaria de ter tido não é doloroso pensar no que poderia ter sido e nunca foi? Inclusive, talvez tenha sido esse um dos motivos que o levou a se afastar do Chihiro. Eu imagino que seja doloroso e agora entendo bem porque ele teme se machucar ao ter contato com a Tachibana, alguém mais jovem que ele, mais sonhadora, alguém que o lembra daquela época em que sua vida não era apenas aceitar a realidade.

Todo esse momento do Gerente com o seu amigo foi divertido e disse muito sobre o personagem, o trabalhou sem sacar mão de flashbacks ou situações ostensivamente dramáticas, o que não seria exatamente um problema, mas não era necessário, pois não há urgência ou ansiedade em sua vida nesse momento, ele apenas vive os dias um de cada vez. Por outro lado, a Tachibana é uma jovem que agora tem muita coisa na cabeça e no coração, então ela receber um conselho de alguém com mais experiência de vida e que acabou de passar por uma situação similar a dela é bastante razoável.

Vendo que a garota não estava bem, ele se preocupou em tentar animá-la ao mostrar-lhe a lua, e não só isso, ao saber de seu problema ele foi capaz de usar a sua própria experiência como base para dizer a ela que nem tudo estaria perdido como ela imaginava. É aí que vemos a diferença de como enxergar uma situação e lidar com ela entre um adulto e um adolescente, vemos como os jovens são afoitos e logo acham que é o fim, enquanto os adultos sabem que o tempo não tem qualquer pressa.

A Tachibana fazer o desejo perante a super lua cheia e ele não ter a ver com o Gerente e sim com a sua amizade é algo que mostra que Koi wa não é apenas uma história de romance, mas também de amadurecimento, de construção de um personagem para a vida como um todo. Muitas vezes nesse anime o foco sequer é o romance, mas como através do contato entre essa garota e esse homem mais velho um vai tocando o coração do outro, um vai ajudando o outro de uma forma diferente em uma relação saudável e agradável de se acompanhar. Há algo voltado ao romance no anime sim, contudo, o mais importante me parece ser o quanto cada um vai se molhar na chuva do outro, o quanto cada um vai ganhar com a companhia do outro, sendo aquilo que perdeu ou que nunca teve.

Não poderia deixar de fora o olhar penetrante da Tachibana!

Mais um episódio lindo de uma linda história de vida em que cada vez menos sou capaz de apostar se esse romance vai dar certo ou não, mas sinto cada vez mais que com ele se concretizando ou não no final vou achar extremamente gratificante ter acompanhado essa história tão doce e reconfortante.

Segundo um leitor me avisou na sessão de comentários, o anime ainda está adaptando por volta da metade do mangá, então talvez ele não tenha um final fechado, o que se for o caso torço para que seja compensando com uma segunda temporada no futuro. Contudo, sei que segundas temporadas de anime são um caso delicado e prefiro não nutrir as minhas esperanças ou a de vocês, mas indico que com final fechado ou não deem uma chance ao mangá, pois acho que vale muito a pena se molhar nessa chuva mais uma vez – algo que eu com certeza irei fazer. Até o próximo artigo pessoal!

A amizade deles será a mesma sob a mesma lua

  1. Eu estou amando cada episódio desse anime, e mais uma vez o incrível desenvolvimento dos personagens principais e secundários, as trilhas sonoras, fotografias bem animadas, sem falar dos opening e ending que tenho no meu celular. Akira Tachibana está linda a cada episódio, e o Sr. Masami Kondo nos surpreendendo com a sua história, principalmente nesse ep. com seu amigo Chihiro, uma amizade de anos entre os dois, e foi bom ver o Sr. kondo sorrir, ele estava bem solto e relaxado. E eles precisam um do outro para mudarem as suas vidas, pois ambos estão e foram presos no tempo, não conseguindo avançar. O Sr. Masami Kondo precisa perceber que sua vida não acabou como ele imaginava, mas também consigo entender o receio que ele senti ao querer tentar mudar, pois não quer se machucar novamente, mas ele ainda pode sentir aquela paixão que tinha na sua juventude, só depende dele querer mudar, que nesse caso é escrever livros e ser um profissional escritor. E quanto à Akira Tachibana ela precisa aprender que, só porque um sonho se foi, não significa que todas as portas estão fechadas, ela ainda pode sentir aquela sensação que tinha antes nas pistas de atletismo, ela tem uma amiga que se preocupa muito com ela mesmo não estando no clube de atletismo, e nesse caso reconciliar a sua amizade com a Hakura. E os conselhos do Sr. Kondo para Tachibana são maravilhosos, pois ela sendo jovem ainda de ajuda de adulto, e com aquela imagem no final da Tachibina junto com Sr. Kondo vendo a SuperLua Cheia, nos mostra a amizade que eles estão criando, que é uma mistura de juventude com maturidade, com uma boa e equilibrada dosagem dá certo sim em um relacionamento. Mas eles ficando juntos ou não, esse anime está lindo.

    Estou maravilhado e amando à cada episódio desse anime Koi wa Ameagari, é lindo e encantador, um dos melhores da temporada, e com certeza estará entre os meus 10 melhores do ano 2018.

    Eu estou bem adiantado no mangá, já terminei o vol. 7, mas no anime está incrível, e que coloca o brilho nos olhos das pessoas quando assiste.

    Obs.: Esse episódio fechou no Vol. 4 do mangá.

  2. E lendo esse artigo ouvindo Supertramp (Take the long way home)…Oh Melancolia!!! Ehem…E aí peoples!!!
    Já começando a ficar triste pelo “começo do fim”, mas vem na seleção de mp.3 o salvador Randy Meisner “Deep inside my heart” para dar um upbeat…

    Bem sobre esse episodio, segurou a onda e continuo amigação do Masami (já tô intimo desse cara) ele é fantástico é um daqueles casos de uma mente fantástica, mas tem de ser gerente de restaurantizinho familiar no Japan assim tipo o “homem aranha” com todos os poderes, mas é um entregador de pizza na vida mundana…

    E adorei quando mostraram ele na sua vida universitária, ele deve ter cursado letras na universidade e estrangeiras (será russo? Lembram da cena no rio…) ele é SOFISTICADISSIMO no seu entender do mundo…Pelo relacionamento com o Chihiro, o mesmo tem uma admiração pelo Masami pelo denodo o amor as palavras e a literatura. Bem, eu tenho também amigos do meu tempo de universidade que admiro (estamos um pouquinho acima da idade do Chihiro e do Masami mas o conceito é o mesmo) é a palhaçada que fazemos quando estamos juntos parece coisa de moleques. As mulheres mais jovens que estão por perto gostam de nossas gags…Só que hoje temos mais uma pauta de assunto: trocamos os nomes de nossos cardiologistas ou outra especialidade que nos apeteça ou precisamos…

    Pois, acho que vai se distanciando a consumação do ‘romance’ entre Masami e Akira . Ele pelo visto quer ser mais um mentor para a Akira, ela para ele é mais um catalizador de lembranças da sua juventude misero-dourada e o que puder ajudá-la o fará, não, queridos, ele não é um predador sexual seria uma afronta a seu passado de admirador do bel-letrismo japônes e russo. Ele é um cavalheiro no mais verdadeiro conceito que um cavalheiro pode ser…Mulheres procurem um Masami Kondou não irão se arrepender!

  3. Mas falando da excelente resenha ressalto um ponto brilhantemente colocado: “É aí que vemos a diferença de como enxergar uma situação e lidar com ela entre um adulto e um adolescente, vemos como os jovens são afoitos e logo acham que é o fim, enquanto os adultos sabem que o tempo não tem qualquer pressa.”

    E nada e ninguém deve ter tido dito melhor…
    Quem esteve e está em um desses mundos sabe disso…

  4. Cara o que eu daria para que o Masami tivesse os seus insights ouvindo um ELO “When I was a boy”….Alias, uma sugestão para a autora mais momentos “deep” com a musica de epoca do cara….

    • Mas é dificil um estúdio pagar os direitos de musica alheia…Imagina quanto do orçamento de Koe no Katachi foi comido só para ter abertura com “won’t get fooled again” do The Who…É isso…

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