Bom dia!

Infeliz hora que eu decidi cobrir esse anime. Toji no Miko não é exatamente chato ou ruim, mas é tão medíocre, tão contente em fazer apenas o mínimo quando poderia fazer muito mais, tão, enfim, representativo do que chamo de “animes esquecíveis”, que dá até uma tristeza na hora de escrever o artigo. (Hakata Tonkotsu Ramens não é melhor; eu simplesmente não dei sorte essa temporada).

Felizmente já está acabando. Não o anime, que terá dois cour, e eu vou continuar assistindo porque pelo menos como passatempo ele serve, mas esse é o último arco de Toji no Miko que cubro no Anime21. Depois dele virá a temporada de abril, com vários animes novos, e eu com certeza pegarei algo melhor em seu lugar. Com certeza! É importante pensar positivo!

Esse episódio, que tão importante foi para o anime, ou deveria ter sido, acabou servindo de passarela para tudo de ruim que ele tem. Alguns combates até tiveram bons momentos, e as lutas com espadas foram interessantes, mas a maior parte do tempo a animação foi ruim, rápida e confusa demais, em alguns momentos com sequências horrorosas em 3DCG. À rigor, a história não avançou um centímetro. Claro, Hiyori e Kanami chegaram até a Yukari, mas e daí? Não é como se esperássemos uma vitória definitiva a essa altura, né. Digo, você não espera uma derrota definitiva da Yukari Origami e do aradama colossal (“princesa qualquer coisa”), espera? Qual será o inimigo do segundo cour daí? As garotas podem ser derrotadas, empatar ou ter uma vitória parcial, mas por tudo o que o anime fez até agora ou ele muda completamente para ter história para o segundo cour ou a vilã vai continuar sendo a Yukari ou alguma outra hospedeira do aradama colossal.

Mas nada disso foi tão ruim quanto os personagens. Muito especialmente as vilãs. O episódio visitou todas elas, as quatro guardas, a maluca da Yukina, e sobrou até tempo pra mostrar a cara feia da Yukari. Tivemos o privilégio, ou, mais precisamente, o desgosto, de descobrir as motivações de cada uma delas. Vamos por ordem?

Maki: “A justiça sem poder é inútil”

Maki Shidou: A motivação dela foi expressa por uma frase que proferiu, qual seja, “Justiça sem poder é inútil”. Há duas interpretações possíveis para ela: a ruim e a pior. A interpretação ruim é que ela deseja poder a qualquer custo para poder forçar a sua noção de justiça, qualquer que seja ela. É ruim porque não a conhecemos, não sabemos o que a levou a tomar posição tão radical e equivocada. Qual é a justiça dela? Talvez seja apenas executar a justiça da Yukari, mas em qualquer caso, por quê? O que a fez acreditar na justiça que acredita? E tão importante quanto, pelo que ela passou que a fez acreditar que precisa de mais e mais poder, a ponto de perverter seu senso de justiça e transformá-lo em uma forma fanática de imposição pela força?

E existe a interpretação pior: talvez ela não esteja falando de justiça desde o começo, talvez ela não dê a mínima para justiça. Ela apenas falou em justiça porque a despreza, porque acredita que efetivamente não existe justiça, apenas a lei do mais forte, então não importa o que pensem as garotas que vieram lutar contra Yukari, elas necessariamente são injustas, mesmo que se achem justas, porque não têm poder para impor a sua justiça. Também carece de justificativas, mas é mais fácil de aceitar algo mais simples assim. Ao mesmo tempo, é tão simples que não tem graça nenhuma.

Yume: “Mamããe……..”

Yume Tsubakuro: Essa era a mais interessante de todas. Era. Ela ganhou um passado triste nesse episódio e foi revelado que ela usa noro sim, como todas as outras, apenas evita à todo custo usá-lo para se tornar mais poderosa. Ao invés, o usa apenas para manter-se viva. Parece que ela era uma espécie de prodígio no manejo da okatana, daquelas que só nascem uma vez a cada cem anos, mas subitamente contraiu a Síndrome Indefinida de Personagens de Anime, a famosa SIPA. E isso não é um problema em si, ainda que seja um clichê bastante batido, principalmente quando sacado assim de última hora. O problema real é que, por alguma razão completamente inexplicável, sua família a abandonou definhando no hospital. É sério isso? Enfim, Yukari então a abordou e a recrutou. E parece que ela morreu, tadinha. Tanto por tão pouco.

Yomi: “Hurr durr…”

Yomi Satsuki: A Yomi é a mais justificável. Pelo que o anime dá a entender, ela simplesmente perdeu todo o ego por conta das experiências com noro a que foi sujeita, ou talvez tenha apenas se viciado por conta das quantidades enormes da substância que usa, ou ambos. Ela é só uma máquina de lutar. Não uma especialmente eficiente, mas só isso. E a Yukina aparentemente tem nojinho dela. Bom, a forma como ela usa seu poder é meio esquisita mesmo, né.

Suzune: “(eu não sei o que estou fazendo aqui…)”

Suzuka Konohana: A motivação dessa é… sei lá. Ela tem alguma motivação? Ela precisa de motivação? Parece que não. Ela só está lá e é a sidekick da Maki. Talvez ela goste da Maki. Aposto que em algum lugar tem alguém desenhando um doujinshi das duas.

Yukina: “BWAHAHA!!!”

Yukina, diretora da Renpu: Essa aqui totalmente está apaixonada pela Yukari e é só isso. Ela é doente, nada mais a explica. Vá lá que as guardas possam ter passado por experiências, lavagens cerebrais, que não conheçam a história verdadeira do noro e das tojis. Mas qual a desculpa da Yukina? Eu sei, as demais diretoras também não desconfiavam de nada até as mães das protagonistas morrerem, então talvez a Yukina tenha simplesmente escolhido mentir para si mesma? Em todo caso, isso não explica a personalidade horrível que ela tem e a forma como trata as pessoas. Ela é maligna mesmo, e nem precisa estar possuída por um aradama para isso.

Yukari: “Parece que chegou aquela hora em que as heroínas enfrentam a vilã principal, né?”

Yukari Origami: Suponho que no episódio que vem talvez tentem explicar suas ações, mas não sei não. Parece apenas que é má porque sim, mas vá lá, ela supostamente é um monstro em forma humana. Me pergunto se a verdadeira Yukari ainda vive ou se já foi completamente eliminada.

Se todas as vilãs são uma porcaria, e se as melhores são apenas “vá lá, isso é aceitável”, fica difícil para o anime se sustentar. Não ajuda o fato de não haver nenhum senso de urgência apesar de tudo o que as garotas falam, porque ninguém morre nem se machuca – inventaram uma técnica de luta, o utsushi, especialmente para garantir isso. Em todo caso, não é como se o resto do anime fosse todo muito bom e apenas as vilãs estragassem.

O exemplo mais acabado nesse episódio de como a dinâmica das heroínas é muito ruim, artificial, é a Mai como líder. O que ela está liderando, afinal de contas? A única atitude de liderança dela nesse episódio ocorreu fora da tela, que foi quando ela mandou a Kaoru e a Eren segurarem a Yume para as demais conseguirem continuar em frente. Depois teve aquele momento que ela mandou a Hiyori e a Kanami seguirem em frente enquanto ela e a Sayaka seguravam a Yomi, mas esse não conta, o “siga em frente que eu seguro as pontas por aqui” é clichê e não depende de alguém ser líder de coisa nenhuma. Ela é uma líder que não vemos liderar. E uma pessoa com pressa que para todo mundo para explicar que tomou seu único ato de liderança fora da tela porque está com pressa. Sério, o que foi aquilo? Por que elas precisaram parar naquela sala pra Mai explicar, muito especialmente se estavam com pressa, e a própria Mai afirmou isso naquela mesma conversa? Vem logo, temporada de abril!

  1. Fábio, como tu consegues ainda arranjar ânimo, para escrever sobre esta coisa. Este episódio 11 de Toji no Miko, foi o episódio mais mal feito (em termos de roteiro, direcção e até mesmo de animação) que já nos últimos dois anos. Ao longo do episódio, não entendi o porquê de certas transições de cenas serem, efectuadas sem ganchos, o mini drama da Mai, isso soou tão cliché, já nem falho da artimanha do flashback emocional da vilã irritante (Yume).
    Já não falo da animação, a parte das lutas neste episódio, foi especialmente sofrível de assistir.
    Como sempre mais um excelente artigo Fábio (se soubesse, que o episódio iria ser tão mau, teria visto apenas o teu artigo sobre ele, que é bem melhor).

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Toji no Miko dá uma tristeza porque se deram ao trabalho de criar um mundo tão interessante, e as personagens mesmo, ainda que sejam bastante estereotipadas, têm mais potencial do que está sendo extraído delas – e o exemplo máximo disso agora é a Yume, que era a “diferente” das guardas mas no final só ganhou um passado triste e morreu. As coreografias das lutas com espada são boas também! Dá para perceber em vários momentos, principalmente quando são bem animadas, que não é só um troca-troca de golpes sem objetivo. Mas aí é que está a pegadinha: quando são bem animadas. Na maior parte do tempo é uma porcaria.

      Devo escrever pelo menos mais um artigo disso ainda, talvez dois, quem sabe. Daí a gente fica na torcida pra ter coisa bem melhor temporada que vem.

      Obrigado pela visita e pelo comentário =)

      • Temporada que vem, vai ter alguns animes interessantes, sendo que tenho a esperança, que sejas tu a comentar a segunda temporada de Amanchu (se fores tu a escrever sobre ele, comentarei com certeza).
        Espero também que gostes do anime do Golden Kamui ao ponto de escreveres sobre ele, pois eu gosto dos teus artigos sobre animes históricos (fiquei mal habituado, com os teus artigos de Youjo Senki e Shouwa).

      • Amanchu pelo menos, tem que ser comentado por ti (afinal fizeste artigos muito bons, sobre a primeira temporada dele). Só uma curiosidade, quando sair aquele anime de Angolmois em Junho, quem o vai comentar (este anime vai ser interessante, não é todos os anos, que sai um anime com uma temática histórica tão complexa).

      • Fábio "Mexicano" Godoy

        Parece que esqueci de responder isso =D

        Enfim, Algolmois foi anunciado no mesmo dia que você fez esse comentário – lembro claramente de pensar “é lógico que o Kondou se interessou por esse anime”. E eu me interessei também =) Mas nada mais foi revelado desde então, tem meses antes de ser lançado ainda, até lá a gente descobre!

      • Pelo que vi no trailer de Angolmois, a parte histórica parece estar bem feita (pelo menos, nas armas e armaduras dos soldados mongóis está bem realista). Só espero que o anime, não vá muito pelo caminho das conveniências e mostrar que os samurais daquela época, eram a última bolacha no pacote, já que há bastantes registos, de samurais a fugirem de medo das tropas mongóis em 1274. Só espero que quem pegar o anime para comentar, goste de história.

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