Olá!

Hoje irei falar de um grande divisor de opiniões, o polêmico Gantz. Essa obra se divide em dois períodos, ambos têm seus problemas tanto de roteiro como de coerência lógica em cenas de ação, mas também têm suas qualidades, suas virtudes, bizarrices, enfim vamos começar logo esse artigo.

Para o leitor que entrou aqui sem conhecer nada sobre a obra, é basicamente o seguinte:Tudo começa com a morte de Kei Kurono, um estudante comum, mas que por uma má sorte do destino se vê “obrigado” a ajudar seu amigo de infância, Masaru Kato, a salvar um bêbado que caiu nos trilhos do metrô. Até conseguem salvar o bêbado, mas não a tempo de poderem sair dos trilhos, sendo atropelados e indo parar em um quarto com uma grande bola preta. Logo é revelado pela bola que eles devem caçar um ser denominado “alienígena”. Sem respostas, porém cheios de perguntas eles se vêem obrigados a seguir aquelas ordens.

Bom, se mesmo com isso você ainda não pegou o espírito da obra, imagina você morrer e ganhar uma segunda chance. Olha que legal! Só que para essa segunda chance ser efetiva, você deve matar uns seres estranhos, caso não consiga, já era!

A cena dos trilhos, onde Kei e Kato morrem

Dada à premissa, vamos à análise da obra.

A primeira metade de Gantz faz adaptação do mangá. Sinceramente, é algo bom e ruim ao mesmo tempo, o bom é o quanto sua história nos prende, o quão sua premissa é curiosa e muitas outras coisas chamativas. Não custa ressaltar que é uma obra voltada para o público mais velho. Já sua parte ruim, eu definiria como erros de roteiro, que acabam encaixando alguns discursos em horas erradas, tornando algumas lutas chatas.

Esses discursos são acerca de discussões humanistas, que são necessárias, porém Gantz exagera. Passam horas dizendo que irão atirar, que irão agir, e nada fazem enquanto o inimigo os persegue, triturando boa parte da “equipe” mandada com eles. Parar no meio de uma luta pela sobrevivência para discursar na frente do inimigo é algo bem sem sentido e que, principalmente nas fases iniciais de Gantz, se repete.

Sou um dos adeptos de obras que passam mensagens relacionadas à sociedade, ao seu funcionamento e que deixem dúvidas nas pessoas, mas, por favor! Não prejudique a fluidez das cenas com isso.

É possível entrar em uma boa discussão com esse tema de discurso de batalhas. Em animes como Dragon Ball Z e outros, há esse tempo de ficar na frente do inimigo fazendo discurso, só que existe um respeito entre eles, a ponto de não se atacarem enquanto dizem o que pensam um do outro. Isso não ocorre em Gantz. Enquanto eles estão discursando, pessoas estão morrendo… Por conta disso, fica um apelo constante de buscar a reflexão do público.

Já vi algumas pessoas dizendo que um ponto complicado, é como é difícil levar a obra a sério ao ponto que o autor quer, afinal,esta é uma obra sobre um homem nu dentro de uma cápsula (nunca explicado) que ordena que pessoas mortas recentemente, peguem ternos que amplificam sua força e lutem contra monstros aleatórios. Sim, tudo isso é verdade,mas é inegável que é algo necessário de se discutir, por que não enxergar isso em uma obra dessa?

A sala onde as missões são passadas

Supondo que você queira levar a sério, realmente ir mais a fundo na situação-problema, querendo discutir razões éticas sobre matar e não matar, com certeza estaria em uma situação bem amarga.  Se matar um monstro desconhecido, que pelo enredo dão a entender que são inimigos da sociedade é algo ruim, não seria pior deixar um semelhante seu morrer por conta disso? Ou então, matar um outro ser não é a mesma coisa que matar um igual?Onde está a linha do correto e do errado? Matar alguém para sobreviver, será isso certo? São perguntas tão recorrentes na sociedade do anime e nos dias de hoje, que nem se faz necessário ver a obra para discutir algumas delas. Então tente responder estas perguntas, antes mesmo de assistir a obra ou caso já tenha visto, tente também! E veja o paradoxo em que você irá cair.

Antes de retomar para segunda metade de Gantz, vou dar uma leve introdução aos personagens principais, algo que acho necessário para apresentar melhor a obra.

Kei Kurono: Ele começa a obra demonstrando o quão chato um jovem consegue ser. Um tremendo egoísta, que odeia tudo e todos. Até que um dia foi parar em uma linha de metrô com seu ex- melhor amigo e acabam sendo atropelados. Em suas missões iniciais é possível ver que esse seu jeito permanece, porém vai se moldulando vendo os sermões de Kato. O que gosto nesse persongem é seu senso de ação, pois ele passa a usar toda sua arrogância para ser alguém destemido, entende que é necessário lutar para sobreviver.O contraste entre Kurono e Katou é absurdo, fazendo até com que você escolha um “lado”. Todas as facetas do ser humano podem ser localizadas nesses dois personagens. Juro que você não tem noção de como gosto desse personagem. Kurono começa sendo uma pessoa e termina sendo outra totalmente oposta, sem perder o seu senso de luta, mas passando a se importar mais com as pessoas.

 

Masaru Kato: Se Kei começa mostrando como um jovem pode ser chato, Kato mostra o quão exemplar também um jovem pode ser. Cuida do irmão mais novo sozinho, se destaca em seus estudos, tem até certo senso de liderança. Mas em suas missões iniciais em Gantz, ele me estressou, e muito! “Eu tenho que atirar”, “ Eu vou atirar”, passa um bom tempo e ele não faz nada. Fica em sua conta as discussões humanistas nas quais ele se cerca de perguntas, demora a entender que é preciso encarar aquilo. Porém, com o tempo ele usa seu senso humano e de liderança juntos – isso o torna interessante – virando realmente um líder que passa a tentar salvar a todos, custe o que custar. O que é algo muito nobre.

Vamos a segunda parte de Gantz, a que julgo ser boa só que com uma finalização horrível. Esse é um arco conhecido como:arco de preenchimento. É realmente bom, com a melhora do desenvolvimento dos personagens, a ação passando a acontecer de forma mais fluida,entretanto parou com um final estranho que a maioria das pessoas odeia, o que deixa o espectador confuso, com muitas perguntas sem resposta.

Uma das melhores missões ocorre durante essa segunda metade

Não pense que a partir de agora não terá mais discursos,porém aqui é algo mais controlado, melhor coordenado, parece que passam a entender que é preciso encarar o inimigo para sobreviver. Há uma súbita melhora nas cenas de ação, lutas realmente boas. Acontece algo que prezo muito, que é terminar com ganchos te chamando para o próximo episódio, e segue essa linha até próximo do final.

Antes de partir para o final, irei introduzir um pouco sobre alguns acontecimentos externos. O romance acontece, na verdade vai para além de apenas um romance, tem sexo, tem um dormindo na casa do outro, mulher querendo se fazer de bicho de estimação para homem…Enfim, o romance aqui é uma grande loucura. Se obras com essa pegada te chamam atenção, Gantz é bem recomendado, tem um tempo de humor bom e coisas bizarras que são engraçadas.

essa mulher irá protagonizar uma das cenas mais bizarras de Gantz

Outros pontos a serem abordados, são os aspectos técnicos. Primeiramente a animação: Os traços em geral são bons, o design de personagem segue a linha do mangá, os problemas nas lutas inciais são do roteiro e não da animação. As partes de mortes, braços decepados e sangue também não ficam ruins, em geral é bom.

Prepare seu estômago

A trilha sonora: Não há muito que destacar aqui, simplesmente cumpre com o necessário. As músicas de fundo não são espetaculares e nem ruins. A opening eu achei engraçada, bem legal. A questão da dublagem, assisti e acho que ficou bom, já vi obras com dublagem bem pior e a de Gantz se sobressai de forma positiva nisso, enfim, não há problema em ver dublado ou na língua original, não há grandes perdas de uma para outra.

Chegamos à parte mais contraditória e que mais me deixou desapontado com essa obra, seu final. Muitas coisas não são explicadas, alguns problemas de roteiro, tudo isso eu havia superado para chegar até o fim, e não me arrependo (porque esse anime tem momentos bons), mas o final é chocante. Você acaba de ver e corre para pesquisar sobre, pois não acredita no que viu. Queria eu poder criar um artigo explicando o final de Gantz e saciar as dúvidas de toda a nação, mas infelizmente não consigo e ainda não encontrei alguém que consiga, de uma forma plausível,explicar aquilo.

Eu recomendo Gantz! Tem falhas, então não vá esperando uma obra-prima de roteiro, batalhas incessantes ou resposta para todas as perguntas, porém a obra se faz valer de seus pontos bons, fazendo valer a pena vê-la.

Ao decorrer de meu artigo dei muita ênfase ao sentimento humanitário, que é buscado passar na obra. Sinto-me na obrigação de ressaltara importância disto ser abordado em séries desse porte, apesar de ter sido algo prejudicial em algumas cenas de ação, é algo que te faz enxergar em uma perspectiva muito interessante, alguns pontos são exagerados, porém a discussão em si é necessária.

Querendo ou não, Gantz marca aqueles que o assistem. Algumas vezes de forma negativa ou positiva ou as duas como foi comigo, já que eu esperava mais do final. Então se você, caro leitor, não se incomoda com violência, um pouco de pornografia excessiva em alguns pontos, curte discussões a respeito do ser humano e sua racionalidade, assista a esta obra. Crie suas visões sobre. Se já assistiu, deixe como se sente em relação a ela.

Antes de terminar o artigo, lhes darei uma dica, se quiserem evitar traumas com o final da animação, façam o seguinte: assistam até o episódio 21 da série de anime e vão direto para o capítulo 90 no mangá. A obra original não lhe responde tudo, ainda ficam algumas pontas soltas, mas posso garantir que é bem mais completo em relação ao anime.

Bom, é isso. Obrigado pela atenção e até o próximo artigo, valeu!!!

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