Bom dia!

Parece haver um consenso de que Megalo Box seja, sem exageros, “um clássico instantâneo”. Calma, gente! O anime é realmente ótimo, e quando eu for publicar a resenha farei um apanhado mais completo sobre ele do que nesse artigo apenas sobre seu final, mas Megalo Box não é sequer o melhor anime desse ano. Já passamos da metade e quantos outros animes foram categorizados como “clássicos”? Pois é.

Calma! São só dois caras se esmurrando. E com um final feliz que faz os títulos de todos os episódios e as várias vezes em que foi dito e mostrado o Joe urinando sangue parecerem apenas uma isca. Quase um golpe.

Eu não queria que ninguém morresse, longe de mim! Depois de toda essa jornada eu gostava demais dos protagonistas para desejar algo assim a qualquer um deles. Joe, Nanbu e Sachio viveram, como deveria ter sido. Apesar do pouco desenvolvimento, o anime revelou o suficiente sobre os antagonistas para eu também não querer que qualquer um deles morresse. Não que fosse possível a Yukiko morrer, mas o episódio 12 flertou abertamente com a mortalidade do Yuri. Os dois estão vivos e estou feliz com isso. Mas eles não estão apenas vivos, é mais complicado do que isso.

Bom, foi a maior luta da vida do Joe e, para espanto de todo mundo exceto de poucos personagens e de nós expectadores, também da vida do Yuri. Foram 13 rounds se esmurrando. Sem gears. O Joe disse já no primeiro episódio que o torneio da Shirato era apenas “dois homens se esmurrando”, o que irritou a Yukiko (e mais ainda o Yuri), mas no episódio anterior a própria Yukiko parecia convencida de que o megalobox no fim das contas é só isso mesmo. Quando Joe disse isso pela primeira vez ele parecia sugerir ser dotado de uma moral superior e, consequentemente, uma resposta superior para o que o megalobox deveria ser. E no entanto, o que ele e o Yuri fizeram não foi apenas se esmurrarem?

Trocando carícias é que eles não estavam (mas aposto que não faltam fujoshis mundo afora que ficariam felizes com isso)

Os dois abriram mão de tudo. Joe arriscou a vida para chegar até ali. Nanbu se cegou para sobreviver e dar ao Joe a chance de ter essa luta final. Sachi desistiu de sua vingança (em grande parte porque percebeu que as pessoas que odiava não eram más, mas ainda assim, ele sequer se preocupou em querer saber mais ou conseguir qualquer forma de compensação). Do outro lado, Yuri abandonou a Shirato, abandonou a Yukiko, arriscou a vida para abandonar o gear que fazia parte do corpo dele e que ele havia trabalhado duro para ajudar a desenvolver. Tudo isso porque Joe e Yuri queriam se esmurrar.

Esportivamente, é claro! Eles não se odiavam, muito pelo contrário, um admirava o outro. E essa é a essência do esporte: a competição. Melhorar constantemente e enfrentar adversários cada vez mais fortes. Mas se falamos de esportes atléticos, temos que reconhecer que o corpo humano tem limites, e não importa o quão talentoso e esforçado alguém seja, existe um ponto que ele nunca irá conseguir ultrapassar. Assim, nasce também o conceito de adversário ideal: alguém que se enfrente de igual para igual quando ambos estão em seus respectivos auges. Era isso que Joe era para Yuri, e era isso que Yuri era para Joe. E se as coisas tivessem seguido seus rumos normais, eles jamais teriam se enfrentado.

Joe e Yuri são atletas de elite, capazes de vencer quaisquer outros lutadores. Isso significa que não poderia haver muitas pessoas por aí capazes de enfrentar um deles, se é que havia alguma. O Yuri lutou por anos e nunca encontrou esse lutador elusivo. O Joe não era ninguém, e ele querer ou não querer lutar era irrelevante, já que ele estava preso no submundo das lutas ilegais, sem dinheiro, sem identidade, sem liberdade. Quantos acontecimentos fortuitos não foram necessários para que essa luta ocorresse?

E ela ocorreu. Sendo justo, o Yuri estava em severa desvantagem por causa da operação recente para retirada do gear. E, no entanto, ele dominou a maioria dos rounds, especialmente os últimos, quando o Joe estava mais cansado. É seguro dizer, portanto, que o Yuri é mais forte do que o Joe. Mas isso não significa que ele fosse capaz de vencer se não estivesse com essa desvantagem. O Joe é um especialista em tomar na cara, cair no chão e se levantar. Ele fez isso o torneio inteiro. Talvez ele seja naturalmente resiliente. Talvez todas as lutas que entregou no submundo calejaram sua cara. Vai saber? Em qualquer caso, o resultado da luta não era previsível caso o Yuri estivesse 100%, e isso é importante, porque sem isso eles não seriam, afinal, adversários ideais. E eles são.

Joe passou boa parte dos últimos rounds nas cordas

E no final o Joe venceu exatamente por causa disso. Ele foi mais resistente enquanto o Yuri provavelmente não teria conseguido se levantar da lona mesmo se tivesse sido derrubado muitos rounds antes. Ele não estava sequer se sentando porque não aguentava a dor e a pressão sobre seu corpo que a operação de retirada do gear havia causado. E mesmo assim sua defesa foi impecável e por 12 rounds o Joe não conseguiu atingi-lo de forma decisiva. Mas se a potência do Yuri estava prejudicada, o mesmo não se pode dizer da resistência do Joe. É claro que tanto tempo de luta, e contra o Yuri ainda por cima, o desgastaram mais do que jamais ele havia se desgastado antes, mas ainda não foi o suficiente para derrubá-lo. Quando Joe conseguiu finalmente acertar um golpe preciso no Yuri, porém, isso foi tudo o que bastou. Joe venceu.

E não mostrar isso foi bastante irritante. Aquela cena da maca, que não revelou quem estava sendo levado para a sala de emergência, duplamente irritante. Ver todo mundo feliz em uma festinha depois de um timeskip de um ano triplamente irritante. Eu entendo que o Yuri e o Joe tenham se aposentado. Bem, no caso do Yuri parece não ter havido escolha, né? E no caso do Joe é algo como: ele lutou a luta da vida dele, e venceu, e seu adversário não está em condições de desafiá-lo para uma revanche, então qual seria o propósito de continuar? Isso não me irritou, acho que fez bastante sentido.

Queria ter visto mais da Yukiko e queria entender porque ela e o Yuri cortaram relações definitivamente. Eu entendo que ela é uma mulher de negócios e que o Yuri caiu fora do projeto da vida dela, mas ao mesmo tempo havia, e tenho certeza que ainda há, sentimento entre os dois. Não são coisas mutuamente exclusivas. Você não precisa se casar com alguém que trabalha junto com você (é até melhor que não seja assim, aumenta um pouco o espaço pessoal). Eu não entendi a decisão deles, mas o anime teve o cuidado de terminar com um gancho para uma segunda temporada, então quem sabe eu ainda não descubro?

Yukiko continua sendo um mistério

Eu gostei. Gostei do anime, gostei desse episódio, principalmente da luta, gostei do pouco mais que descobri sobre seus personagens, gostei que tenham terminado todos vivos, gostei da solução que deram para que não fosse só dois caras se esmurrando no grande esquema das coisas (foi a luta da vida dos dois, um saiu paralítico e o outro se aposentou). Mas tanta coisa foi tão mais agridoce do que feliz que o final excessivamente feliz dissonou do resto do episódio e do resto do anime. Isso não é coisa que “clássicos instantâneos” fazem.

  1. Olá peoples!!! FOOOIII DEEEMMMAAAIIIISSS!!! Só isso!
    Bem nosso amigo “Mexicano” com seu olhar critico e finesse já disse tuuudo…Mas é que a minha alegria em ver uma obra como essa, desculpem, não deu para me conter.

    Há de se mencionar foi uma “obra homenagem” pelos 50 anos de Ashita no Joe do monstro Asao Takamori (pseudonimo de Ikki Kajiwara) e em anime feito por ele, não menos monstro, que foi Osamu Dezaki.
    Como anime, Megalo box, “per se” é justamente o que o “Mexicano” falou e a “defesa não tem mais perguntas e nem a dizer”, mas não se pode esquecer do lado “homenagem” que foi, é e será lembrada com todas as honras e glórias!
    E foi, é e será merecedor de todas elas!

    Como homenagem, pegaram elementos do traço do inicio dos anos 70, os postcards (que era um truque na epoca para encher segundos sem animação), uma animação mais “crua” e o enredo (que já era bom no original). Misture isso com os elementos de outro anime entesourado pela minha geração que foi Cowboy Bebop e abracadabra “temos um hit” geracional que vai dos anos 70 aos 90 (tenho de admitir os caras foram espertos, pq quem viu Ashita na infancia viu Cowboy mais adiante) e aí acrescente-se elementos atuais como a trilha sonora e incidental moderna (mas que não agride ouvidos) , muito bem elaborada e que bombeia adrenalina e testosterona.

    Como o “Mexicano” falou e com toda a razão temos muito ainda esse ano para por Megalo no trono, mas como a gente quando fica mais velho fica mais nostalgico e a nostalgia é um sentimento que me acompanha já a algum tempo, desejo em muito ser surpreendido, mas neste momento que escrevo essa “groselhada” toda a vocês (alias já agradeço pela paciência em ler…) Megalo box já está lá!

    Abraços a todos e não se esqueçam:
    “Deus aperta, mas não afoga!”

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Tenho certeza, mesmo sem ter assistido ou lido Ashita no Joe, que para quem o conhece Megalo Box foi muito mais impactante. Considero a minha posição privilegiada, pois me permite analisar com mais frieza justamente por não ser arrebatado por sentimentos de nostalgia. E nem estou dizendo que nostalgia seja ruim, só estou dizendo que acredito que minhas análises são mais úteis assim.

      Um anime muito bom sim, sem dúvidas, um dos melhores dessa temporada. Por curiosidade: meu preferido da temporada foi Hisone to Masotan, depois Mahou Shoujo Site, com Megalo Box logo atrás, e Comic Girls e Amanchu empatados um pouco mais distantes na quarta posição. No ano, Sora yori mo Tooi Basho foi disparado o melhor anime, ainda me emociono lembrando de suas cenas marcantes – e foram VÁRIAS.

      Obrigado pela visita, pelo comentário, espero que tenha gostado de acompanhar Megalo Box comigo e que continue por aqui na próxima temporada! =)

  2. Tamos aí bro!
    Prezado, todos os animes citados eu também gostei muito (e tenha a certeza de que acompanhei a thread de comentários de todos eles), mas o entusiasmo causado por Megalo Box foi acima do que eu poderia controlar…Pq?
    Primeiro que Ashita no Joe do monstro Osamu Dezaki que foi um dos primeiros a usar um “cut” totalmente cinematografico do mundo real e aplicou ao anime (assim como Yoshiro Tatsumi aplicou no gekigá) e vem a homenagem de 50 anos que preservou, atualizou e apresentou um resultado com a devida justiça a obra de Ikki Kajiwara e a Osamu Dezaki…
    Penso que, aquilo que vc mais considerava e gostava quando jovem e vem uma releitura (sem perder os elementos originais daquilo que vc gostava) com uma obra nova e fresca e ainda assim mantém aquele entusiasmo quando viu a obra original é somente com a idade que se descobre isso…
    Espero estar aqui nesse mundo para ver muitos remakes bem sucedidos e acompanhar o entusiasmo de muitos!
    Um abraço grande a todos e nos vemos em alguma corrente de comentários!
    Mas ó atento a todas as sugestões…E sim Hisone to Masutan tem um lugarzinho guardado no meu coração!

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