Mato Seihei no Slave é um mangá escrito por Takahiro, o autor de Akame ga Kill!, e ilustrado por Youhei Takemura. A obra é lançada na Shonen Jump+, revista digital da Jump, e nos apresenta um mundo cheios de monstros perigosos e frutos que concedem poderes apenas às mulheres, as verdadeiras heroínas dessa história. Leia o artigo e você saberá!

Mato mexe de uma forma bem rasa com um tema delicado, a igualdade de gênero. Aliás, o mangá joga o conceito no lixo ao apresentar uma sociedade na qual são as mulheres que comandam tudo porque só elas podem receber a benção dos pêssegos. Tais frutos concedem poderes diversos a essas mulheres e as permitem combater os invasores de Mato, um outro mundo que apareceu do nada no mundo humano por meio de portais.

Em primeiro lugar, não é porque sou homem que acho ruim uma história na qual as mulheres estão em uma posição de supremacia em relação ao outro gênero, acho é que toda desigualdade é nociva, ainda mais se ela não é aprofundada na obra. Por que exatamente chegou a esse ponto? Por que se mantém assim?

É o que ocorre em Mato, mas relaxe, pois o mangá tem seus pontos positivos, como seu traço muito bonito e fluido, satisfatório nas cenas de ação, e personagens minimamente bem construídos. Há drama, há comédia, há uma abertura para o romance… e há ecchi. A história é escrita por um homem, né, e até por isso não encaro bem essa supremacia feminina. Se é para colocar as mulheres em posição de destaque, por que objetificá-las para agradar o público masculino?

Mato Seihei no Slave não é um mangá feito com foco no público feminino, não à toa o protagonista é um homem; que, aliás, se encontra em uma relação de servo e mestra que deve ser o sonho de muitos otakus fetichistas por aí, eu incluso.

Se você aceitar a inversão de papeis até hiperbólica (felizmente hoje o mundo me parece caminhar para a igualdade, ainda que rastejando…), o que sobra é uma obra de ação divertida e de narrativa simples, mas que demonstra certo brio quando alinha os objetivos e as qualidades do protagonista, Yuuki, aos das heroínas da história, Kyouka, Shushu, Himari e Nei.

Kyouka é a heroína principal e enquanto Yuuki quer se tornar um herói para se destacar em uma sociedade na qual homens são capachos, ela quer exterminar todos os shuukis, os monstros que saem de Mato e atacam o mundo humano.

Os objetivos dos dois se aproximam porque o garoto perdeu a irmã em uma dessas invasões e também deseja vingança. Felizmente, aqui a obra se distancia da violência visual, e até de certa forma narrativa, de Akame ga Kill! e explora o tema com uma boa dose de maturidade e até mesmo leveza.

Kyouka quer poder para obter mais poder e assim fazer a justiça na qual ela acredita, motivada por um rancor pessoal sim, mas não limitada por ele. Inclusive, quando ela percebe que está priorizando sua vingança frente a segurança das companheiras ela bate em si e recobra a razão. Seu ódio não a domina.

O mesmo vale para o Yuuki, acho até que as personalidades mais ponderadas dos dois é um dos motivos de se darem bem. As outras garotas, Shushu e Himari, já se aproveitam mais da desigualdade de gênero para tripudiar em cima do rapaz.

Mas pela minha experiência de leitura acho que as duas são mais curiosas com o sexo oposto que preconceituosas ou más, o que eu compreendo em uma sociedade que alça as mulheres a um pedestal e afasta os homens, dificultando a interação entre as partes.

A Nei já é uma personagem mais fofa e simpática, quase a mascote do grupo e que por não se envolver em combates não deve cooperar em habilidade com o protagonista (ao menos não teve nada disso nos quinze episódios que li até escrever este artigo). A Nei parece mais uma irmã mais nova e até tem idade para isso. Sua interação com o Yuuki definitivamente traz mais leveza que conflito ao dia a dia da unidade sete.

Sim, o herói passa a viver com as garotas após o boy meets girl que rola entre ele e a Kyouka. Homens podem não ter poder nessa historia, mas o leque de habilidades das mulheres é vasto e a da heroína principal é bem conveniente para o ecchi que a obra quer promover.

Yuuki se transforma em um shuuki para ajudar Kyouka, se tornando a força bruta e mobilidade da espadachim, e ela retribui seu auxílio realizando involuntariamente o desejo de praticamente todo adolescente “saudável”, o contato carnal com uma garota. Quer a sociedade mude ou não, a libido masculina não deixa de existir e, por incrível que pareça, eu acho isso um ponto positivo. Por quê? Porque faz o mínimo de sentido em uma sociedade que reprime o contato com o sexo oposto. É claro que isso ocorre para inserir o ecchi na obra e assim agradar ao público masculino, mas menos mal que essa característica tenha o mínimo de lógica para estar ali. Meu problema com o ecchi em um mangá ou anime não é ele existir, ser hardcore ou leve, mas não haver sequer uma boa desculpa para esse elemento estar incorporado à narrativa.

E não, sei que responder sexualmente a um homem tendo a vontade própria ceifada não é a melhor forma de desenvolver a relação entre personagens mas, pensando por outro prisma, se o corpo é da mulher e a escolha é dela, e ela escolheu manter esse “contrato”, então acaba dando para “engolir”, né?

Agora, se você realmente não tem interesse por esse tipo de mangá, sugiro sequer perder seu tempo lendo Mato. No entanto, se o “copo meio cheio” lhe apetece, então pode sim dar uma chance a nova obra do autor de Akame ga Kill! em parceria com um talentoso ilustrador. Ainda mais se você for fã de uma das personagens femininas mais populares dos últimos anos, Zero Two, do anime e mangá (na verdade, um projeto multimídia) Darling in the FranXX.

Por quê? Porque a heroína Kyouka tem muitas semelhanças de design com a “garota dinossauro” do anime original de sucesso. Já quanto a personalidade das duas, as acho bem diferentes, mas se você gostou do anime de 2018 e de sua heroína, e não lê o mangá que coincidentemente também é lançado na Shonen Jump+, acho Mato uma boa pedida.

Desde o começo do lançamento dos volumes ainda não vi o mangá figurar entre os cinquenta mais vendidos do ranking da Oricon, mas espero que esteja vendendo bem, pois apesar dos defeitos estou curtindo a leitura e acho que uma adaptação em anime seria bem-vinda.

Só que assim como ocorre em Darling, espero que suavizem o ecchi se por ventura o anime ocorrer, pois acho que assim fica mais fácil o público encarar a adaptação com mais seriedade. Claro, se for desejo dos produtores tratá-la dessa forma.

Em todo caso, fica minha indicação de um mangá divertido, com uma boa dose de ecchi mas, algum brilho próprio, ainda que não seja nada inovador e mexa com um tema complexo sem muito cuidado, porque no final o que importa é o entretenimento do leitor, ao menos é assim que devem pensar os editores…

Até a próxima!

Comentários